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Roteiro de um filme da vida real em Luanda

O roteiro começa com uma carta dirigida à responsável da Procuradoria Geral da República alojada na esquadra do Bairro Nova Vida, nos seguintes termos:

“Tendo conhecimento da apreensão por parte da polícia de um conjunto de placas electrónicas de viaturas de marca Toyota Fortuner roubadas; tendo em conta o facto de ser vítima de 4 assaltos à minha viatura em pontos diferentes da cidade, o último dos quais ocorreu, no passado dia 24 de Março de 2019, depois de ter saído de uma audiência no Tribunal Provincial de Luanda, ao Bairro Nova Vida, venho por este meio solicitar os seus bons ofícios, no sentido do resgate de uma das placas electrónicas recuperadas pela polícia.

CRONOLOGIA DOS FACTOS

Eram sensivelmente 12.30 quando cheguei à viatura e encontrei-a completamente vandalizada, com o vidro lateral direito partido e o porta-luvas completamente revirado, com os cabos de ligação da placa eriçados, demonstrando uma acção de furto, feita com a rapidez que se conhece por parte dos meliantes.

Entre o espanto e a aflição consegui que os seguranças do Banco Sol, ao lado, me informassem, que naquele local, devido à afluência de pessoas no Tribunal, os ladrões assentaram praça na zona, realizando assaltos, alguns deles à mão armada, em plena luz do dia.

Fui à esquadra fazer a participação, tendo a polícia movimentado os seus técnicos para recolha das impressões digitais e há coisa de mês e meio depois sou alertado por uma reportagem da TPA de que a polícia local teria desencadeado uma operação ao mercado paralelo do Golfe, que teve como resultado a captura de mais de 200 placas electrónicas roubadas e à venda no local e nos estabelecimentos de venda de peças de automóveis, detidas por expatriados oeste-africanos.

Decidi contactar de imediato a esquadra do Nova Vida onde se abriu um processo de furto  da placa e, em função disso decidi traçar estas linhas para solicitar a V. Exa., um despacho para que me seja entregue uma das placas roubadas, para Toyota Fortuner a gasolina, juntando para o efeito, fotocópias dos documentos da viatura, bem como do meu BI.

Nestes termos agradeço a melhor atenção no atendimento à minha petição, para que possa recolocar na viatura, uma peça vital para o seu funcionamento”.

RESULTADO:

Feitas as diligências necessárias para a entrega da peça, eis que o oficial da área, que por certo, andava à procura da resposta ideal para o queixoso, tira o coelho da cartola e diz:

“Distinto senhor, nós não tínhamos reparado o tipo de placas apreendidas e que foram anunciadas pela reportagem da TPA, como sendo de Toyota Fortuner. O mecânico que contratamos constatou que, afinal, são placas de Toyota Starlet e Corolla, vulgo rabo de pato. Sendo assim, não temos em nossa posse, uma placa que sirva para o seu carro”.

A culpa morreu, mais uma vez solteira, desde o ano passado, com os ladrões a actuarem alegremente na área, a coberto de uma lei, que usa argumentos falaciosos, que ao invés de reprimir, dá força ao crime organizado. E a vítima presa ao desencanto, pela ineficácia da acção policial no combate ao crime de delito comum. Até quando vamos deixar de engolir sapos vivos? O filme continua, entretanto, com outros capítulos no dia a dia de uma cidade, onde actua à rédea solta.

 

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