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“O Sporting de Braga é a minha cadeira de sonho”

José Carvalho Araújo foi o nome forte da formação dos Guerreiros do Minho nos últimos tempos, à qual esteve ligado durante dez anos. Pelas suas mãos, passaram craques que renderam muitos milhões aos cofres bracarenses, como Francisco Trincão, Pedro Neto ou Bruno Jordão, mas o chamamento do futebol profissional levou a que rejeitasse a proposta para continuar em Braga.

Homem intimamente ligado à formação do Sporting de Braga nos últimos anos, José Carvalho Araújo decidiu fazer uma pausa no futebol para os mais novos e partir à busca de um desafio no futebol profissional, algo que o apaixonou nos últimos tempos.

Depois de muitos anos a ensinar os jovens, o antigo treinador dos sub-23 do conjunto bracarense decidiu ir à procura daquela que será a sua primeira grande experiência fora do mundo da formação.

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, José Carvalho Araújo não esconde que gostaria de ter assumido o comando técnico da equipa B aquando da promoção de Rúben Amorim, e revela que tem tido conversas com emblemas da II Liga, mas também no estrangeiro.

O também antigo jogador de futebol acredita que, quer Rúben Amorim, agora no Sporting, quer Custódio Castro, treinador da equipa principal do Sporting de Braga, têm condições para ter sucesso nos respetivos clubes. E pede ainda que os clubes portugueses comessem a olhar mais para exemplos como a aposta do Benfica em Bruno Lage para que as equipas consigam, ainda mais, ter sucesso na aposta nos jogadores formados nas camadas jovens.

Não escondo que ambicionei esse lugar. Naquela altura senti que poderia ser meu.
Deixou o Sporting de Braga após 10 anos na formação dos bracarenses. O que o levou a tomar esta decisão?

Estive doze épocas entre treinador principal e adjunto da formação, contando com a passagem pelo Palmeiras [projeto satélite do SC Braga]. Foi um percurso de carreira. Ao longo destes anos, a evolução foi grande. Sou claramente diferente do treinador que começou há dez anos e sinto-me preparado para assumir outros projetos. Para além disso, tenho o desejo de entrar no futebol profissional que o SC Braga não me estava a permitir. Aquilo que o clube tinha disponível para eu continuar não era de todo essa sequência de processo que para mim seria uma equipa B. E, por bem, aceitámos fazer uma pausa nesta ligação para eu poder assumir um projeto de futebol sénior.

Este desejo de saída tem a ver com a chegada de Vasco Faísca para a equipa B em dezembro? Esperava ser o eleito para ocupar essa vaga?

Não o vou esconder, porque já o disse anteriormente. Essa era uma ambição minha de há algum tempo para cá. Queria fechar o ciclo no SC Braga na equipa B porque achava que esse seria o percurso normal, e depois talvez a equipa A. O Vasco Faísca é uma excelente pessoa e com quem eu trabalhei em conjunto. Não escondo que ambicionei esse lugar. Naquela altura senti que poderia ser meu. Não foi porque o SC Braga assim não o entendeu e só tive de respeitar isso e continuar o nosso trabalho enquanto equipa de sub-23. Depois chegámos a esta fase onde o ciclo terminava e das duas uma: ou iniciávamos um novo ciclo dentro deste registo do futebol de formação ou tentávamos sair e procurar um projeto profissional.

Ficou desgostoso com a aposta do presidente António Salvador num treinador fora da estrutura do clube?

Quando estamos a trabalhar profissionalmente, não podemos encarar as coisas dessa forma. Foram opções que foram tomadas, mas não escondo que gostava de ter assumido esse lugar como é óbvio. Era o seguimento de um trajeto que eu considero muito bonito, de começar nos sub-13 e acabar nos sub-23. Gostaria de ter terminado na equipa B. Não é muito comum fazer este percurso dentro do mesmo clube. Era algo que gostava que tivesse acontecido. Fiquei com excelentes relações, inclusive com o presidente. Sei que será sempre uma porta aberta. No entanto, para mim, enquanto treinador jovem que sou, sinto que está no momento certo e sei que estou preparado para dar o próximo passo, porque não é só futebol de formação que quero. Gostei muito de lá estar, é uma área espetacular onde conseguimos potenciar jogadores e ter um cunho muito pessoal naquilo que é a evolução dos atletas, mas também há um mundo do futebol profissional que me fascina, que eu tive o privilégio de contactar porque ia recebendo alguns jogadores da equipa A e B nos últimos dois anos e que me fez o bichinho mexer.

Depois de muitos anos no futebol de formação, sente-se preparado para assumir a posição de treinador principal?

Penso que sim. Eu acho que o meu trajeto não é o ideal a fazer, sobretudo para os jogadores porque acabam por ter a mesma liderança e a mesma pessoa com as mesmas ideias, ainda que estas vão evoluindo. A mim, enquanto treinador, permitiu-me, passo a passo, ir maturando e percebendo os desafios de cada etapa e ir sempre crescendo, não apenas no modelo de jogo e na nossa ideia, mas também na forma de trabalhar, conhecendo diferentes pessoas e especialistas em todas as áreas que complementam o treino. Começámos com uma equipa técnica com três pessoas, e fecho um ciclo a comandar uma equipa de 14/15 pessoas. Também isso nos dá ferramentas para o futebol profissional, conciliando uma série de informação de diferentes áreas para potenciar a nossa equipa e os jogadores. E também aí sinto que este percurso foi importante, não só a nível do treino, mas também da forma de comunicar para dentro e para fora.

Subiu a pulso na formação do Sporting de Braga, desde os sub-13 aos sub-23, um clube que tem apostado em técnicos da casa para assumir a equipa principal. Ficou surpreendido com a subida de Custódio dos sub-17 ao plantel principal depois da saída de Rúben Amorim?

Isso é uma questão de perfil. O SC Braga, neste momento, tem uma ideia muito vincada daquilo que pretende enquanto treinador de futuro, que passa por aquilo que é a figura do ex-jogador, uma figura forte com passado ligado ao treino, mas também ao jogo enquanto atleta. Nesse capítulo, a minha carreira como jogador parou nos juniores do Braga. Não sou aquele estereótipo que o Braga, neste momento, procura. Se o Custódio está preparado? Eu penso que sim. Embora não tenha partilhado muito a questão do treino com ele, foi mais com o Rúben Amorim, acho que é uma excelente pessoa, com quem eu privei nestes últimos anos numa primeira fase como adjunto da equipa B e depois nos sub-17. Fez um excelente trabalho nos sub-17 e agora o tempo o dirá. O importante é as pessoas capacitarem-se disto: da mesma forma que pedimos oportunidades aos jogadores da formação para terem espaço nas equipas principais, neste momento também temos de pedir oportunidade para os treinadores, porque há muita gente com conteúdo.

A falta de experiência do Custódio enquanto treinador terá feito o presidente António Salvador duvidar desta aposta?

A verdade é essa. Experiência enquanto treinador tem pouca. Tem muita experiência enquanto jogador e isso acredito que valha bastante ao nível das relações com os jogadores e da gestão de conflito. Em termos de treino, efetivamente tem pouco. Tem esta época como juvenis que não terminou e terá duas épocas como adjunto da equipa B. Se os treinadores não tiverem oportunidade nunca vão ter experiência, tal como os jogadores. Podemos formar com uma qualidade fantástica em todos os clubes, mas se os jogadores não tiverem oportunidades nas equipas principais nunca se vai saber se a formação tem ou não impacto. A experiência vai-se acumulando e adquirindo e pode ser feita ao nível da formação, mas não é igual.

Rúben Amorim é um exemplo desta nova vaga de treinadores com origem na formação. Acha que vai ter sucesso no Sporting?

Ao Rúben Amorim foi-lhe dada esta oportunidade. Acho que é uma pessoa muito bem preparada, com uma ideia muito concreta daquilo que queria fazer e de que tinha para o treino. Eu acho que aquilo que o Rúben tem de diferente das outras pessoas com quem privei é a forma de estar. Ele encara as coisas sempre de uma forma muito positiva, para ele não existe problema, mas sim a solução para o problema. Essa forma de estar permite-nos estar mais próximos do sucesso e eu também gosto de ser dessa forma. Nós somos contratados para arranjar soluções e não problemas. E se a isto tivermos aliados uma boa relação com todos, e o Rúben tinha, e uma ideia bem definida daquilo que pretendemos não só para o jogo, mas também para o processo de treino temos tudo para ter sucesso. O Rúben acredita muito nas suas ideias, e consegue passar uma mensagem muito forte, mas muito positiva no sentido de convencer as pessoas a acreditarem nele e na sua ideia. E isso viu-se no SC Braga. Ele conseguiu convencer os atletas da qualidade que tinha, de que a sua ideia era forte e bem conseguida e naturalmente que o sucesso apareceu.

Está agora pronto para iniciar a carreira como treinador principal. Quem são as suas inspirações?

Mais do que ter uma inspiração, é importante irmos buscar o melhor que cada pessoa tem. Quando comecei, havia uma referência em Portugal que é o José Mourinho e que há dez/doze anos estava muito forte e muito presente lá em cima. Mas existem muitos outros, como o Paulo Fonseca ou o Jorge Jesus, que me influenciam. Depois também existem outros treinadores mais novos que inspiram por terem a capacidade e a confiança em arriscar e dar o próximo passo como o Vasco Seabra, de quem sou amigo.

Qual é para si uma das maiores preocupações enquanto treinador?

Se calhar faço parte daquela nova geração que acredita que o jogo tem de ser pensado e entendido pelos jogadores. Mais do que ter um determinado estilo, a equipa tem de ser capaz de dar diferentes respostas em diferentes momentos. Não devemos ter sempre a mesma estratégia, devemos ter a capacidade de estarmos com bola ou sem bola quando assim o obriga, de pressionar alto e mais baixo. Eu gosto de uma equipa equilibrada e que gosta de ter bola. Como tal, acho que hoje em dia o mais importante é termos um jogo positivo para valorização dos atletas, mas sempre muito equilibrado com a ideia bem presente de que a seguir a atacar vamos defender e que depois de defender vamos atacar. Se estas nuances estiverem bem presentes, teremos uma equipa completa. Os jogadores também têm de perceber os momentos do jogo e de responder de maneira diferente em cada um. Hoje é preciso ter uma multi-resposta para criar dificuldades aos adversários e assim estarmos sempre criar sempre uma adaptação no adversário e, com isso, estarmos sempre por cima no jogo.

Que metas tem definidas para a sua carreira enquanto treinador principal?

Nesta fase, aquilo que tenho como meta para mim é entrar no futebol profissional e naturalmente que estou aberto a uma série de projetos e ideias que me permitam lá chegar. Para lá chegar, tenho de ter oportunidade e poderá haver várias formas de o fazer. Quero realmente entrar nesse patamar porque me sinto confortável e preparado para o desafio. No futuro, seja ele mais próximo ou longínquo, a ideia é ser treinador principal e chegar ao topo de um campeonato seja ele português ou estrangeiro.

E tem tido alguns convites?

Temos tido conversas com alguns clubes e até com alguns treinadores, porque esta entrada poderá acontecer de duas formas: como adjunto de uma equipa técnica com força ou conteúdo que me permita continuar a evoluir a este nível, ou entrar num clube de uma II Liga. Sobretudo, o que eu procuro neste momento é o desafio e, por isso, não vou dizer se é treinador principal ou adjunto de alguém com força porque quero mesmo é desafiar-me e era aquilo que eu já não sentia na formação. Queria fugir da formação, porque era uma zona de conforto e sou muito novo para me acomodar a algo que já era rotineiro. Foi isso que me fez não aceitar a proposta do SC Braga. Neste momento, quero perceber onde o desafio maior vai estar que me permita continuar a evoluir.

Regresso ao SC Braga? É um clube que me diz muito
Estes projetos desafiantes onde estão?

Podem estar em todo o lado. Depende muito do projeto que for apresentado. Já tivemos algumas reuniões com equipas da II Liga, algumas delas interessantes. Temos tido abordagens de clubes no estrangeiro pois os treinadores portugueses hoje em dia estão bem cotados e naturalmente que o trabalho que fazemos vai tendo repercussão lá fora. Temos perfeita consciência de que treinador principal na I Liga não é ainda algo possível, porque temos de ser realistas tendo em conta o nosso percurso e o patamar natural agora poderá ser uma II Liga.

Deixou o Sporting de Braga, clube onde fez formação e no qual teve sucesso enquanto treinador das camadas jovens. Sonha um dia voltar a Braga para orientar a equipa principal?

Esse será sempre um desafio fantástico seja em que momento for. Joguei no SC Braga a minha formação toda, treinei no SC Braga durante doze anos. Este clube diz-me muito. No entanto, temos também de ser profissionais. Se é isto que queremos fazer de vida não podemos ter esta ligação clubística porque senão podemos ficar aqui emperrados. Havendo oportunidade no futuro claro que quero voltar. O André Villas-Boas em tempos chamou ao FC Porto a cadeira de sonho, e para mim o SC Braga é minha cadeira de sonho.

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