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Não temos ainda um antídoto contra a Segregação Racial

por André Pinto

A repulsa contra o acto bárbaro contagiou o mundo, numa espiral de revolta pela morte por asfixia do cidadão norte-americano George Floyd. A polícia foi uma vez mais responsabilizada pelo crime, que anda incubado no coração das forças da ordem. É o retrato de uma sociedade pretensamente multirracial, mas que em função dos seus critérios de selectividade com base na cor da pele, classifica o ser humano, segundo o teor de melanina nos seus cromossomas.

Na sociedade angolana esse problema ainda existe. Infelizmente. Na política, na economia, nas relações inter pessoais, na família e isso é um mal que nos persegue e em nada ajuda na construção do homem novo que já somos e que ainda teimamos em não aceitar.

Por razões psicológicas, de identidade e de oportunidade, e de origem étnica e racial, nos negócios, na inserção social, na política, no trabalho e até nas relações conjugais. Somos um povo estigmatizado pelos horrores das práticas anti-sociais.
Tenho como recordação destas práticas, o que os mais velhos, diziam, sobre o fenómeno, na era colonial, quando se falava da angolanidade, com base nos antagonismos exacerbados que havia nas relações entre malanjinos e indivíduos naturais de Catete, entre umbundos e quimbundos, entre quimbundos e kikongos, que estimulavam leituras e práticas nada abonatórias à unidade nacional, que os movimentos emancipalistas do país defendiam.

Felizmente hoje vemos famílias de várias regiões do país, unidas pelo casamento e isso é um passo muito importante e uma vitória da independência. Hoje ser quimbundo, ser quioco, kikongo, umbundo é irrelevante e para isso é só vermos o mosaico humano que o Executivo angolano apresenta.

Politicamente falando é o modelo típico defendido pelo partido maioritário que governa Angola. Não é perfeito, no seu todo, mas apresenta indícios da solução ideal, tendo como ruídos apenas no capítulo das oportunidades à escala sócio-profissional.

O ministro ou o governador ou o administrador que é indicado para determinado cargo tem aquela propensão de olhar para as suas origens e abrir a porta para aqueles que são os seus semelhantes. Isso é apenas uma prática aceite como natural, mas de efeitos nefastos, para o novo ordenamento constitucional do país.

Por exemplo um indivíduo natural de Luanda é hostilizado, quando chamado a desempenhar funções noutras regiões. Há até casos dramáticos a revelar, uma certa mentalidade regionalista, a merecer intenso trabalho político por todos os partidos com assento parlamentar, já que representam oficialmente as várias tendências existentes no país.
No Parlamento sentimos que a política e a ética obriga-os ao compromisso e à disciplina identitária nacional. Os federalistas, os monarquistas, os emancipalistas e até os tribalistas são forçados à obediência a valores consignados no hino nacional, que não sendo um produto acabado constitui um apelo constante à unidade nacional. Mas o trabalho político deve estimular as instituições do ensino e educação a inculcar no cidadão angolano os valores e os símbolos da República. O hino nacional deve constituir a primeira música a entrar para o cérebro angolano.

OS EFEITOS DA EXCLUSÃO NA SOCIEDADE AMERICANA
Na sociedade americana, o problema teve como resposta a revolta nos quatro cantos do mundo, o repúdio pelas práticas anti-sociais, motivadas pela cor da pele.

Custa a crer que a nação do mundo, mais avançada tecnologicamente ainda mantenha e estimule práticas sociais do tempo das cavernas , mesmo depois da abolição da escravatura, cujo benefício confere aos Estados Unidos o estatuto de nação do mundo, da igualdade e país das oportunidades.

Apesar de ser lá que encontramos, os negros mais ricos, mais famosos, mais empreendedores, em várias esferas de actividade, ainda temos casos de racismo exacerbado, de exclusão social, de pobreza espiritual e material, sem resolução à vista.

O sistema capitalista não deu resposta definitiva aos constrangimentos sociais e existenciais das pessoas, sobretudo quando elas são portadoras de um tom de pele e cultura diferentes.

Ao negro ainda é reservado um papel subalterno, mesmo reconhecendo as suas capacidades cognitivas, provadas em vários ramos do saber e na indústria, onde se destacam várias figuras de relevo.

Na Europa o problema é semelhante e ainda agravado pela rigidez dos sistemas políticos de vários países, que não vislumbram sequer nas suas políticas de inserção social, o negro que se libertou do jugo esclavagista querendo simplesmente modelar a sua vida, em função das oportunidades do mercado, quando decide emigrar para o velho continente.

Ao negro é reservado o pior que há e a sua presença em massa em solo europeu é motivado pelo envelhecimento humano local, que não garante a continuidade da vida produtiva e reprodutiva, apenas com o recurso à força activa nacional.

Em África os governos infelizmente não analisaram cientificamente o fenómeno, preferindo considerar de forma empírica o drama das migrações, como um acto que deriva da consciência anti-nacionalista dos africanos, que fogem dos efeitos negativos da má governação dos Estados e das políticas e medidas erráticas que gizam para governar e perpetuarem-se no poder. Este é um problema que afecta o continente africano e que está na origem do fenómeno migratório em massa para a Europa.

O continente africano deve rapidamente reverter a situação, sob pena de viver num deserto de quadros e mão de obra especializada para as suas realizações de transformação da natureza.

Não estranhemos, pois, que no futuro teremos até, de importar mão de obra do estrangeiro para garantir o funcionamento das empresas e outras actividades económicas, tal como já acontece nalguns países.

A aposta deve priorizar e valorizar cada vez os quadros como um produto a servir com mais valias, a economia dos nossos débeis Estados. Como faz Cuba com os seus médicos espalhados pelo resto do mundo!

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