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Jérôme Boateng: “As crianças não nascem racistas”

Após o assassinato de George Floyd, os jogadores da Bundesliga pronunciaram-se contra o racismo. O futebolista alemão Jérôme Boateng falou com a DW sobre a importância da educação e do espaço para mais apoio.

O combate ao racismo deve começar na educação base, nas escolas, e ser uma parte importante do currículo de ensino. Quem o diz é Jérôme Boateng, uma das maiores referências do Bayern Munique e do futebol alemão.

“Nenhuma criança nasce racista. Isso depende dos pais e da educação que passaram aos filhos”, afirmou o jogador, campeão do mundo em 2014.

Boateng reconhece que também existe racismo na Alemanha, apesar de ressalvar que, “no geral, a Alemanha é um país tolerante”. Boateng nasceu e passou a infância em Berlim, criado pela mãe. O pai, natural do Gana, abandonou a família quando Boateng tinha apenas cinco anos.

Situação nos EUA é chocante
Em entrevista à DW, Jérôme Boateng foi questionado sobre os acontecimentos recentes em torno da morte de George Floyd,nos Estados Unidos da América. O defesa-central heptacampeão pelo Bayern Munique revela estar “chocado” com o que tem visto através das notícias.

“As imagens chocam-me! Tudo o que se tem visto nas redes sociais é brutal. Infelizmente, os protestos estão a ganhar contornos complicados. Ainda assim, o caso George Floyd é uma prova viva de que o racismo que os negros sofrem ainda é amplamente disseminado nos Estados Unidos e o papel que o “racial profiling” (abordagem policial com base em critérios raciais) desempenha nos EUA.”

Jérôme Boateng elogia os Estados Unidos, revelando que viaja com “frequência” para o continente norte-americano, pois gosta da “cultura e do país”. Boateng acrescenta ainda que existe racismo em todo o mundo. No entanto, caracteriza a situação nos Estados Unidos como “extrema” e “muito triste”.

“Eu li uma boa citação sobre isso: (…) O racismo é como uma sala escura e, de vez em quando, alguém liga a luz, e tudo se revela (…). Se pararmos para pensar o quanto os afro-americanos fazem pela imagem e pela cultura nos Estados Unidos, esta situação tona-se inexplicável para mim. Olhamos para o desporto, moda ou música. Na política, Barack Obama, como presidente, também é uma referência”.

Racismo na Alemanha
Agora, olhando para “dentro de casa” – na Alemanha – Boateng reconhece que o racismo é uma realidade e que a situação já esteve mais controlada do que está. Boateng confessa que a descriminação está a tomar “uma certa direção”.

“O racismo é tema de debate na Alemanha e está muito presente. Nos últimos anos, houve atentados contra estrangeiros e pessoas de diferentes religiões. No geral, caminha-se para uma certa direcção, e eu penso: acho já estivemos numa situação melhor”.

Boateng, o melhor jogador a actuar na Alemanha em 2016, recordou os tempos de infância e alguns episódios racistas. No entanto, reconhece que quando jogava futebol no bairro, não havia cor, religião nem nacionalidade diferentes. O futebol era uma “convivência”.

“Na minha infância, em Berlim, também tive algumas experiências com o racismo. Mas também me lembro dos tempos em que jogávamos em campos de futebol, em que não importava a origem ou religião. Éramos iranianos, africanos, turcos, alemães. Ninguém pensava nem falava muito sobre isso. Trata-se de convivência.

Com grande poder vem grande responsabilidade
É de conhecimento público o mediatismo de um jogador de futebol. Promovem roupa, comida, perfumes, relógios, instituições de caridade. São seguidos por milhões de pessoas nas redes sociais e são ídolos de muitas crianças. Jérôme Boateng é a favor de que os atletas usem essa fama e mediatismo para passar um bom exemplo.

“A nossa opinião é ouvida, temos uma plataforma e alcance. Mas, podemos ir muito mais além do que apenas redes sociais. Acções como o “BlackOutTuesday” (acção nas redes sociais em que imagens pretas são postadas para protestar contra o racismo e a violência policial) são boas, mas o que realmente interessa é meter a “mão na massa” e fazer algo, seja um trabalho com crianças, seja um outro projecto de integração. Todos podem ajudar”.

Muitos jogadores de futebol negros manifestaram opinião sobre o caso George Floyd. Jérôme Boateng acredita que esta batalha moral e social não é da responsabilidade apenas dos jogadores negros, mas sim de todos.

“Não é por um atleta branco não falar sobre isto que é considerado um racista. Isso é óbvio. Quando vejo vídeos de manifestações, vejo pessoas de todas as cores. Mas, claro que é desejável que eles usem a sua fama em favor dessa questão social. Muitos já fazem isso, mas creio que ainda há espaço para muito mais”.

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