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Covid-19: Empresários de Cabo Delgado estão preocupados

Moçambique está há mais de dois meses em estado de emergência, e muitas empresas estão a ressentir-se com as restrições para travar a propagação da Covid-19: “O negócio baixou, isso não vamos esconder”.

O número de casos de Covid-19 não pára de aumentar na província de Cabo Delgado, e as autoridades estão a reforçar as medidas preventivas. A edilidade de Pemba, por exemplo, reaproveitou os túneis de desinfecção, desaconselhados pelas autoridades sanitárias, transformando-os em cabines para a lavagem das mãos.

A novidade foi apresentada esta semana pelo edil de Pemba, Florete Mutarua: “Temos aqui o primeiro túnel já reaproveitado. Temos sabão, água e secagem das mãos”, anunciou.

Muitos munícipes aplaudiram a iniciativa: “Com essa utilidade dos túneis, eu, como munícipe de Pemba, ainda vou continuar a cuidar da minha saúde”, afirmou um cidadão ouvido pela DW África.

Cabo Delgado é o epicentro da pandemia em Moçambique, tendo já registado 146 infecções num total de 316 casos positivos no país. Na segunda-feira, as autoridades sanitárias locais avisaram que a província poderá estar prestes a entrar na fase de transmissão comunitária do novo coronavírus, se a tendência de novas infecções continuar ao ritmo actual.

As preocupações das empresas

Vários empresários contam à DW que, por causa das medidas de prevenção, impostas pelo estado de emergência, o volume de negócios tem retraído. Os serviços de hotelaria e turismo e de aluguer de viaturas estão entre os que somam mais prejuízos.

A frequência de voos comerciais no aeroporto de Pemba, que era diária, reduziu para cerca de três por semana, tornando insustentável o trabalho das agências de aluguer de carros no recinto aeroportuário.

Fernando Jorge, trabalhador de uma agência de aluguer de viaturas, diz que, antes da Covid-19 atingir o país, conseguia clientes para toda a frota de viaturas. Hoje, a situação é outra.

“A frequência de aluguer de viaturas da nossa empresa não tem sido como nos meses passados. Agora é dia sim, dia não.”

A redução das receitas fez com que alguns trabalhadores fossem dispensados na agência de aluguer de viaturas onde Renato Abreu trabalha. “Tudo está parado”, comenta.

Turismo também está estagnado

O turismo também não foi poupado. Apesar da província ter enormes potencialidades turísticas, a exemplo do arquipélago das Quirimbas, da Fortaleza de São João Baptista na ilha do Ibo ou da praia do Wimbe, em Pemba, o medo do coronavírus fala mais alto. As estâncias turísticas estão estagnadas. Outro factor apontado para as baixas neste sector são os ataques armados, que assolam a província desde 2017.

Nos supermercados, também se sentem as restrições por causa do novo coronavírus. Charles Becape é gestor de um dos maiores supermercados de Pemba e diz que, como consequência da pandemia, as vendas decresceram na ordem dos 30%.

“O negócio baixou, isso não vamos esconder… Estamos a ressentir-nos, mas mesmo assim não vamos desistir. Estamos a fazer de tudo para podermos ajudar a população de Pemba”, afirma Charles Becape em entrevista à DW África.

Face a esta situação, muitos cidadãos esperam ansiosamente pelo fim do estado de emergência.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, disse recentemente que estas semanas são cruciais para avaliar se haverá, ou não, um relaxamento das medidas de prevenção. Contudo, nas ruas, muitos cidadãos continuam a não cumprir as regras. Há sobrelotação nos transportes públicos e aglomerações em vários locais. As autoridades prometem mão dura para impor a ordem.

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