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México inicia reabertura económica e supera 10.000 mortos por COVID-19

O México superou as 10.000 mortes pelo novo coronavírus e acumula mais de 93.000 contágios, anunciou o governo nesta segunda-feira (1º), no dia em que o país iniciou a reabertura gradual de algumas actividades económicas.

O director-geral de Epidemiologia, José Luis Alomia, reportou durante uma colectiva de imprensa 237 novos óbitos na pandemia, elevando o total a 10.167. O país acumula 93.435 casos positivos da doença.

Hugo López-Gatell, vice-secretário de Saúde e encarregado da estratégia contra o novo coronavírus, disse na sexta-feira passada à AFP que considera provável que o México alcance os 30.000 mortos na pandemia, sem especificar em qual período.

O novo pico de falecimentos foi anunciado no momento em que o país, que tem 120 milhões de habitantes e é o segundo com mais mortes na América Latina depois do Brasil, iniciou o trânsito para uma “nova normalidade”.

“Hoje, iniciam-se actividades produtivas relacionadas à indústria automotiva, à mineração e à construção”, disse o presidente Andrés Manuel López Obrador, em sua habitual entrevista colectiva matutina.

Obrador está na Isla Mujeres, um conhecido balneário turístico próximo a Cancún, no estado de Quintana Roo (sudeste).

“Temos que ir em direcção à nova normalidade, porque isso é necessário para a economia nacional, o bem-estar do nosso povo. Precisamos ir, pouco a pouco, normalizando as actividades produtivas, económicas, sociais e culturais”, acrescentou na colectiva a portas fechadas, na qual, como de costume, apareceu sem máscara.

Só foi permitida a entrada de alguns jornalistas, distantes uns dos outros.

– Sinal verde para o Trem Maia –

Como parte desta nova etapa, López Obrador inaugurou mais tarde as obras do Trem Maia, projecto marco de seu governo, que espera transformar em um motor de reactivação económica em meio à pandemia.

“A pandemia (…) levou a uma crise económica, ao desemprego nesta região e no país. Por isso, é muito oportuno iniciar esta obra aqui em Lázaro Cárdenas neste primeiro trecho, cerca de 260 km de Izamal a Cancún”, disse o presidente na cerimónia, sem público.

Questionado por organizações sociais e ambientais, a ferrovia turística terá extensão de 1.500 km e exigirá um investimento inicial de 6 bilhões de pesos (272 milhões de dólares).

O presidente também destacou que estão em preparação protocolos para reactivar o sector turístico em Cancún a partir da próxima semana. O turismo representa 8,7% do PIB mexicano.

Com esta viagem, na qual percorreu 1.600 km de carro durante o fim de semana a partir da Cidade do México, o chefe de Estado retomou os giros pelo país – nos quais é comum vê-lo cercado de simpatizantes e distribuindo beijos e abraços – que ele suspendeu pela pandemia.

Durante la semana, López Obrador, que descartou actos multitudinários, percorrerá várias regiões do sul do país, entre elas seu estado natal de Tabasco, onde realizará eventos com poucas pessoas.

– Silêncio no metro –

As viagens se enquadram na chamada “nova normalidade”, após o confinamento iniciado em 23 de Março.

Em meados de maio, o governo mexicano apresentou um plano para avançar para o que chamou de “novo normal” após o confinamento devido à pandemia de COVID-19.

O plano prevê, a partir de 1º de Junho, a activação de um semáforo. Nas localidades em vermelho, como é o caso actualmente em várias áreas do país, serão permitidas apenas actividades consideradas “essenciais”, como construção e mineração.

Gradualmente, e até atingir o verde, serão somados outros sectores económicos, actividades em espaços públicos e, finalmente, aulas, mas mantendo distância física e o cuidado sanitário individual.

Na Cidade do México, um dos focos vermelhos de infecção, também se inicia uma reabertura gradual de actividades.

A cor vermelha deve permanecer até 15 de Junho pelo menos. O semáforo permanecerá nesse nível na capital, enquanto os leitos hospitalares registarem 65% de ocupação.

As autoridades da capital também pediram a população para se manter em silêncio durante as viagens de metro, usado diariamente por 4,5 milhões de pessoas em uma rede de 226 km.

No domingo, o subsecretário de Saúde, Hugo López-Gatell, reiterou que o risco de contágio da doença persiste.

“É essencial que a sociedade saiba que o perigo persiste e que toda República está no sinal vermelho, com exceção do estado de Zacatecas”, disse ele em entrevista colectiva.

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FonteAFP
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