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Jogadores da Bundesliga pedem justiça por George Floyd

Em tempos de manifestações contra a brutalidade policial e o racismo nos EUA, na Bundesliga, jogadores uniram-se em homenagem a George Floyd. Mas o regulamento da liga alemã pode punir quem divulga mensagens no relvado.

A 29ª jornada da Bundesliga foi palco de várias homensagens de jogadores a George Floyd, afro-americano que morreu sob custódia policial no passado dia 25 de Maio.

Jadon Sancho, do Borussia Dortmund, marcou o primeiro “hat-trick” da carreira profissional, este fim de semana, tornando-se o primeiro jogador inglês a marcar três golos num campeonato importante fora de Inglaterra desde 1989.

No entanto, a proeza foi para segundo plano por uma declaração ainda mais poderosa, que estava escrita na camisola interior amarela do jogador.

“Justiça para George Floyd”, pôde ler-se na mensagem revelada pelo jogador de 20 anos após o primeiro de três golos na vitória de 6-1 do Dortmund sobre Paderborn, no domingo (31.05). Achraf Hakimi, colega de equipa de Sancho, revelou a mesma mensagem quando marcou o quarto golo do Borussia Dortmund.

Após o apito fial, Sancho carregou a mensagem na camisola para as redes sociais. Caracterizou o primeiro “hat-trick” profissional como “um momento agridoce… pois há coisas mais importantes a acontecer no mundo de hoje, que devemos abordar e ajudar a fazer uma mudança. Temos de nos unir e lutar pela justiça. Somos mais fortes juntos”, desabafou Sancho no Twiiter.

Manifestação teve eco colectivo na Bundesliga

Um pouco por toda a Alemanha, as equipas da Bundesliga têm jogado em estádios vazios devido à pandemia do novo coronavírus. No entanto, vários jogadores aproveitaram o grande número de audiência em casa e utilizaram o futebol como a plataforma ideal para espalhar a mensagem que pretendiam passar.

Marucs Thuram, jogador francês do Borussia Mönchengladbach, ajoelhou-se, numa replicação do famoso protesto de Colin Kaepernick na NFL, depois de ter feito 2-0 contra o Union Berlin.

Mais tarde, Thuram escreveu nas redes sociais: “Juntos é como avançamos, juntos é como mudamos”, e recebeu o apoio da estrela do Al-Hilal, Bafetimbi Gomis, bem como do lendário atacante argentino Hernan Crespo, que jogou com o pai de Thuram, Lilian, pelo Parma no final dos anos 90.

“Lembro-me de andar de mãos dadas com o seu pai, Lilian, no parque em Parma”, escreveu Crespo. “Estou feliz e orgulhoso por teres a personalidade e o sentido do dever cívico que o teu pai sempre demonstrou”.

Entretanto, o internacional norte-americano, Weston McKennie, usou uma braçadeira com as palavras “Justiça para George”, durante a derrota do Schalke por 1-0 frente o Werder Bremen. Mais tarde, numa rede social, escreveu:

“Temos de defender aquilo em que acreditamos e acredito que é tempo de sermos ouvidos!”. O médio acrescentou na segunda-feira (1.06) que “continua a prestar homenagem a George Floyd de alguma forma”, numa entrevista à revista Forbes.

O diretor desportivo do Schalke 04, Jochen Schneider, ofereceu todo o apoio em nome do clube de Gelsenkirchen. “Weston enviou uma mensagem clara sobre este inacreditável incidente e contra o racismo”, disse ao jornal alemão Bild. “Apoiamos a cem por cento a posição do nosso jogador”, finalizou.

Houve também outros jogadores da Bundesliga que fizeram ouvir a sua voz nas redes sociais. Anthony Ujah, avançado do Union Berlin, publicou uma mensagem de apoio nas redes sociais, tal como o prodígio norueguês, Erling Haaland, que fez um pedido: “Espalhem amor e não ódio”. Corentin Tolisso e David Alaba, jogadores do Bayern Munique, também mostraram o seu apoio e Chris Richards, um jogador da equipa de reservas dos heptacampeões alemãos, natural do Alabama, nos EUA, disse que estava a jogar por “mais do que apenas esta camisola”.

Fora dos relvados, antigas glórias do futebol alemão também comentaram estas reações. Oliver Kahn, antigo capitão e futuro CEO do Bayern Munique, encorajou os jogadores do clube a exprimirem as suas opiniões.

“Por vezes, gostaria que os jogadores assumissem ainda mais responsabilidades”, afirmou. “Eles devem ser comunicativos e expressar as suas opiniões sobre questões sociais. Eles podem enviar sinais muito, muito importantes”, afirmou.

A Nike, uma das multinacionais mais conhecidas no mundo, também não ficou indiferente. O famoso lema da Nike “Do It” mudou por estes dias para “For once, don’t do it”, uma forma de manifestação depois da morte de George Floyd e dos protestos violentos que estão nas ruas. Michael Jordan, conhecido globalmente como o melhor jogador da história da NBA, que não costuma envolver-se em questões ativistas, também partilhou o vídeo.

Regulamentos podem ditar castigos

A Federação Alemã de Futebol, a DFB, através do site oficial, informou que a comissão de controlo iria analisar as ações de Thuram, Sancho, McKennie e Hakimi.

O júri aceitou que as circunstâncias eram diferentes em cada caso, mas apontaram o facto de um jogador que retire a camisola deve ser punido com um cartão amarelo, independentemente de qualquer mensagem. O protesto de Thuram foi “aberto a interpretações” e não se enquadrou nas competências do árbitro, enquanto o presidente da DFB, Fritz Keller, disse que, moralmente, “compreende de forma absoluta as ações do último fim-de-semana”. “O que aconteceu nos EUA não pode deixar ninguém sem reação”, afirmou.

O comité de controlo da Federação Alemã de Futebol (DFB) deverá, no entanto, abrir um inquérito, uma vez que os regulamentos da DFB e da liga de futebol alemã (DFL) estipulam que não é permitido transmitir mensagens políticas no equipamento ou durante o jogo.

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FonteDW
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