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OMS pede investigação rigorosa à epidemia em Angola

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pede uma investigação rigorosa em Angola para averiguar um eventual foco de transmissão comunitária depois de um caso suspeito que resultou na terceira morte registada no quadro da epidemia no país.

Angola ainda está num cenário de transmissão local com casos esporádicos da Covid-19, garantiu à Lusa o representante da OMS em Angola, mas sublinhou a necessidade da investigação antes de declarar transmissão comunitária.

Na segunda-feira, o secretário de Estado para a Saúde Pública de Angola, Franco Mufinda, anunciou dois novos casos de infeção por covid-19 no país, dos quais um de possível transmissão comunitária e que resultou em morte, elevando para 50 o número total de infetados.

Em declarações à Lusa, o representante da OMS, Javier Aramburu adiantou que, para haver transmissão comunitária, é necessário que ocorram vários ciclos de contágio durante algum tempo (pelo menos, um mês) e que não foram identificados.

“Ainda estamos a tempo de conter a transmissão. Angola, neste momento, está numa fase de transmissão local com casos esporádicos. Para dizer que já se passou a outro cenário é necessário fazer uma pesquisa pormenorizada e muito rigorosa”, adiantou o especialista.

Neste momento é o que está a ser feito pelo ministério da Saúde angolano (MINSA), com apoio da OMS, esse é o procedimento correto, acrescentou o mesmo responsável, estimando que estejam disponíveis resultados preliminares ainda hoje.

“É preciso esperar pelos resultados para definir as medidas de intervenção mais adequadas”, salientou.

Segundo as autoridades sanitárias angolanas, os mais recentes casos de infeção são uma mulher, de 25 anos, enfermeira num dos centros de tratamento do setor privado e um homem de 82 anos, com várias patologias, incluindo doença pulmonar obstrutiva crónica, que morreu poucas horas depois de dar entrada na unidade de saúde.

Franco Mufinda disse que este homem tinha regressado de Portugal no mês de fevereiro, numa altura em que não se registavam ainda casos de covid-19 e “há todo um trabalho à volta do mesmo” para apurar possíveis ligações a outros contactos.

Angola regista até agora 50 casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, dos quais três óbitos, 17 recuperados e 30 ativos em situação clínica estável.

Entre estes, 22 são de transmissão local, faltando ainda o enquadramento do caso anunciado na segunda-feira.

Até ao momento foram recolhidas 6.605 amostras, das quais 50 positivas, 6.508 negativas e 547 em processamento.

Há 442 casos suspeitos investigados até à data e mais de mil contactos a ser seguidos, encontrando-se a cumprir quarentena institucional 1214 pessoas.
Guiné-Bissau é o país lusófono mais afetado em África

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 316.000 mortos e infetou mais de 4,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Em África, há 2.834 mortos confirmados, com mais de 88 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Entre os países africanos que têm o português como língua oficial, a Guiné-Bissau lidera em número de infeções (1.032 casos e quatro mortos), seguindo-se a Guiné Equatorial (522 casos e seis mortos), Cabo Verde (336 casos e três mortes), São Tomé e Príncipe (246 casos e sete mortos), Moçambique (145 casos) e Angola (50 infetados e três mortos).

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