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Covid-19: Confinamento é oportunidade para se descobrir os livros

O confinamento em casa pode ser uma oportunidade para se incentivar a leitura e o gosto pelos livros, disseram escritores e activistas culturais.

Isso, acrescentaram, poderá ter a seu favor o facto de estar cada vez mais disseminado o “livro digital” permitindo que se leiam livros através da internet ou em formatos acessíveis em computadores.

Com efeito o confinamento e o isolamento social são algumas das medidas adoptadas pelo Estado para impedir a propagação do covid-19 e “como a ocasião faz o ladrão”, autores e produtores culturais entendem que o Estado está a perder uma óptima oportunidade para incentivar à leitura e estimular a produção literária.

“Estamos numa fase em que as pessoas estão mais tempo em casa e nada melhor que aproveitar esta oportunidade para manter contacto o livro e incentivar à leitura”, defende o Produtor e Activista Cultural Marcos Kingongo que responde pelo pseudónimo artístico-literário Marcos Jinguba para quem tal qual se ministram as tele-aulas do ensino primário na Rádio e televisão pública do país, deviam ser reservados espaços para os escritores fomentarem o gosto pelo livro, “criando-se um programa em que estejam escritores, poetas e outras figuras que podem falar sobre a importância da leitura”.

Em meio a pandemia que deu lugar ao confinamento social massivo, o recurso à internet através das novas tecnologias de informação e comunicação pode ser útil para se promover hábitos de leitura, já que, nota-se, estão cada vez mais a ser partilhados livros e informações em formato digital.

Isto é uma tendência universal que caminha para o alegado estágio de “digitalização da vida”.

A juventude por seu turno, está atenta à “digitalização de tudo quando acontece e existe pelo mundo” e é, por conseguinte, a franja social que mais faz uso da internet e das redes sociais para interagir com pessoas em diferentes pontos do território angolano e do globo.

A criação de campanhas digitais de incentivo à leitura nas diversas plataformas deve ser parte da solução para o problema da falta de cultura do livro e consequentemente o hábito de leitura.

“Podia-se usar os diversos canais de comunicação social para o fomento de espaços de incentivo à leitura”, defende o activista para quem, tal como os músicos que fazem concertos online, os escritores poderiam igualmente aproveitar-se do tempo de confinamento social, resultante das medidas de prevenção contra o covid-19, para criar momentos de apresentação de sugestões literárias a nível das redes sociais e até mesmo da imprensa.

“Devem criar estas ginásticas celebrais, porque a literatura é isto e, deve ser continuamente feita para manter a estabilidade psíquica e emocional”, acrescentou.

Contudo o especialista em Ensino da Psicologia e docente Universitário Chocolate Brás faz notar que o estímulo à leitura deve começar numa primeira fase no seio familiar, à posterior na escola e noutros organismos da sociedade.

Os pais que leem em casa “tornam-se um incentivo e nobre exemplo para os filhos sobre a importância da leitura”, disse Brás para quem “um acto simples do pai se sentar por trinta minutos por dia para ler um livro, uma revista, um jornal é um exemplo para os filhos que tendencialmente se aproximam para questionar o que o pai está a fazer”.

Quando se estuda a educação da primeira infância percebe-se que as crianças, pelo seu grau de desenvolvimento ainda em construção tendem a imitar as acções dos adultos, a chamada aprendizagem interpretativa,disse Chocolate Brás, sem descurar o fundamental papel da escola.

“São as pequenas acções da escola e com os meios que dispõem que podem ajudar o aluno, a crianças a firmar um compromisso com o livro”, disse Brás para quem não bastam apenas políticas públicas para que se firme o compromisso com o livro, mas também de acções da escola e principalmente da família, embora seja necessário que a nível da Administração Central do Estado se devem tomar iniciativas de venda de livros a um valor acessível.

“Se queremos uma cultura do livro, em termos de política pública também devemos facilitar, sobretudo para os alunos, que têm uma necessidade premente. Não é normal um estudante terminar um ciclo de formação sem ler nenhum livro” disse Chocolate Brás autor das obras científicas “Educação e Valores em Angola: Compreender o papel da escola (2018)” e “Papel da Escola na Formação para a Cidadania em Angola (2019)”.

Sobre a alegada fraca cultura de leitura em Angola o Produtor Cultural, Marcos Jinguba tem uma ideia diferente e resume a questão em duas perspectivas.

Num primeiro instante, diz tratar-se de um problema transversal que afecta a cultura no seu cômputo geral, onde as artes, em particular, são os parentes mais pobres do sector, faltando mais valorização e incentivo a produção artística.

“A cultura é sempre colocada em terceiro plano, nunca é colocada na ordem das preocupações como sendo um sector produtivo capaz de impulsionar a economia angolana tal como o petróleo”, disse

Sobre a alegada fraca cultura de leitura no seio da juventude Marcos Jinguba aponta como factores que concorrem para esta situação, da qual discorda, a ausência de editoras com boas iniciativas, mercados, preços e outros em Angola.

Em contrapartida, diz assiste-se a uma oferta desmedida de bebidas alcoólicas posta à disposição dos jovens e a baixo custo, em detrimento dos livros cujos preços de produção gráfica e aquisição são altos.

Contudo disse ser “uma mentira afirmar que os jovens em Angola não leem”.

“O que temos que afirmar é que em Angola não se incentiva à leitura. Existe uma grande oferta no sector de entretenimento de distracção das massas, promovido com grandes feiras de bebidas onde existem grandes ofertas de bebidas alcoólicas e outros produtos aquém da literatura e que abafam a possibilidade de um bom número de jovens manterem contacto com o livro”, disse.

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FonteVoA
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