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Professor nigeriano critica Rafa Kalimann e fala sobre ‘White Savior’

Depois de Rafa Kalimann afirmar que tinha intenção de salvar África, caso ganhasse o prémio do BBB20, avaliado em R$ 1,5 milhão, uma série de twittes do professor e sociólogo Issaka Maïnassara Bano ganhou força por toda a internet.

Em texto, o professor nigeriano residente no Brasil, criticou a postura de Rafa Kalimann nas suas “missões africanas” realizadas em Moçambique.

Rafa Kalimann (DR)

Entre as muitas questões, Issaka escreveu sobre o White Savior ou Síndrome do Salvador Branco, termo utilizado para citar pessoas brancas que tentam ajudar pessoas negras, mas tendo um viés egoísta e que não leva em conta a cultura local.

Issaka rebateu: “Esperava que, em algum momento, a página da Rafa Kalimann se posicionasse contra a divulgação em massa das fotos dela com crianças africanas nas redes sociais, mas fizeram pior: divulgaram um vídeo. Então vamos lá…
Obs: Não sou contra ações voluntárias, mas como ela é feita. Como nigerino/africano, me incomoda muito ver usarem a “síndrome do branco salvador” como estratégia, nesse caso, para ganhar o #BBB2020. Não apenas eu, mas milhões de africanos que recebem, de coração aberto, turistas/ missionários/ intercambistas em suas cidades.

Sobre a “Síndrome do salvador branco”, porque devemos lutar contra? Vou citar apenas alguns motivos:
1. Assim como a Rafa, a maioria são jovens na faixa etária de 30 anos. Muitos não possuem conhecimentos mínimo sobre os processos culturais, educacionais e antropológicos de comunidades de países africanos.

2. Levam abordagens e metodologias, eurocêntricas, enraizadas na caridade condescendente, perpetuando a imagem estereotipada de que a África é um continente de coitadinhos que precisa de ajuda. Mais ou menos aquilo que os colonizadores fizeram no passado.

3. Impedem que a “missão”, a ajuda e o trabalho desenvolvido sejam dialógicos e participativos. Os chamados “missionários” entram em cena com suas respostas e conhecimentos e deixam de incluir as vozes dos líderes, organizações e partes interessadas locais.

4. Perpetuam a pornografia da pobreza: imagens de crianças vistas em campanhas de arrecadação de fundos objetivam-nas a fim de obter uma resposta emocional para conseguir doações. Rotulam-nas como vítimas impotentes que não podem se ajudar, esperando o resgate e a salvação. Devemos parar de divulgar fotos de crianças que não sabemos seus nomes, local de nascimento, como eles vivem no dia-a-dia. Divulgar sem consentimento dos responsáveis é imoral, indecente e criminoso.”

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