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França e Espanha registam melhora, e mundo chega a 4 milhões de infectados

Os habitantes da França e Espanha, dois dos países mais afectados pela pandemia de coronavírus, começaram se preparar para vivenciar o fim das medidas de confinamento no domingo, enquanto o número global de infecções ultrapassou quatro milhões.

Nos Estados Unidos, o país com o maior número de mortos no mundo, o presidente Donald Trump enfrentou fortes críticas de seu antecessor Barack Obama, que disse em uma conversa telefónica vazada à imprensa que o tratamento da crise pelo chefe de Estado republicano foi um “desastre caótico absoluto”.

Nas últimas 24 horas, a COVID-19 matou 1.568 pessoas nos Estados Unidos, elevando a 78.746 o número de óbitos no país, que tem um total de 1.309.164 diagnósticos positivos relatados.

Em todo mundo, o total de vítimas fatais do coronavírus ultrapassou os 277.000, entre 4 milhões pessoas contaminadas, de acordo com uma contagem realizada neste sábado pela AFP.

Enquanto isso, confinamento e paralisação da actividade econômica levaram milhões ao desemprego em uma crise histórica mundial.

Em meio à enxurrada de mortes, alguns países europeus citaram sinais de progresso que, segundo eles, justificaram dar passos lentos para uma volta à normalidade.

Autoridades francesas disseram neste sábado que registaram 80 novos óbitos, o menor balanço de vítimas fatais desde o início de Abril.

As mortes em casas de repouso também caíram acentuadamente quando a França se prepara para relaxar as restrições ao movimento público imposto oito semanas atrás.

A flexibilização, que começa na na segunda-feira, trouxe reacções mistas.

“Estou morrendo de medo” da reabertura, disse Maya Flandin, gerente de uma livraria de Lyon. “É uma grande responsabilidade ter que proteger minha equipe e meus clientes”.

As autoridades de saúde francesas alertaram que “a epidemia continua activa e está evoluindo”, e um estado de emergência foi estendido para 10 de Julho.

Na Espanha, cerca de metade da população terá permissão para sair na segunda-feira por socialização limitada, e os restaurantes poderão oferecer algum serviço ao ar livre, já que o país inicia uma transição em fases que deve durar até Junho.

No entanto, teme-se um ressurgimento do surto se as restrições forem levantadas muito rapidamente, e as autoridades excluíram Madrid e Barcelona, duas cidades duramente atingidas pela COVID-19, da flexibilização da primeira fase.

“O vírus não desapareceu”, alertou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez.

A Bélgica vai começar a abrandar parte das restrições impostas na segunda-feira e, em algumas partes da Alemanha, os bares e restaurantes reabriram neste sábado, e terão mais flexibilidades na segunda-feira.

Um distrito no norte do país vai seguir em confinamento, após ser detectado um novo surto da pandemia.

No geral, a situação na Europa ainda está longe do normal.

A Grã-Bretanha planeia anunciar no domingo uma medida que estabelece que todos os visitantes estrangeiros enfrentarão uma quarentena obrigatória de duas semanas, e a União Europeia alertou contra a abertura de fronteiras para viajantes de fora do bloco.

Em toda a Europa, as comemorações que marcaram os 75 anos da rendição da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial foram canceladas ou reduzidas.

Na Rússia, um número crescente de infecções por coronavírus obrigou Moscovo a reduzir neste sábado as tradicionalmente empolgantes celebrações da vitória na Segunda Guerra Mundial.

O presidente Vladimir Putin fez um discurso solene em um memorial fora dos muros do Kremlin, sem mencionar o coronavírus.

A Rússia é agora o quinto país mais atingido, com quase 200.000 infecções confirmadas e um rápido aumento de casos.

– Recuperação “fenomenal”? –

Os números econômicos globais estão apontando para a recessão mais aguda em quase um século, com a pandemia forçando as empresas a fechar e interromper as linhas de suprimento.

Trump, que busca a reeleição em Novembro, insistiu que o próximo ano será “fenomenal” para a economia americana insistir no fim do confinamento num país onde o coronavírus continua a matar mais de mil pessoas por dia.

Só os Estados Unidos perderam 20,5 milhões postos de trabalho em abril, elevando a taxa de desemprego para 14,7% – o nível mais alto desde a Grande Depressão do século passado.

Neste sábado, foi divulgado um áudio no qual o ex-presidente Barack Obama conversa com ex-assessores e critica de forma contundente como seu sucessor Donald Trump gerencia o combate à pandemia de coronavírus.

Na gravação, obtida pelo Yahoo News, Obama classifica a actuação de Trump como “um desastre caótico absoluto” e pede a seus interlocutores que se envolvam na campanha de Joe Biden, seu ex-vice-presidente e virtual candidato democrata à presidência em Novembro contra o republicano.

– ‘Medo no meu coração’ –

No Paquistão, o quinto país mais populoso do mundo, o governo encerrou o confinamento neste sábado e os moradores entraram em mercados e lojas, apesar das taxas de infecção ainda altas.

“Estamos felizes com essa decisão, mas, ao mesmo tempo, tenho um medo no coração de que, se essa doença se espalhar, possa ser devastador”, disse Tehmina Sattar, fazendo compras com sua irmã e filhos em Rawalpindi.

Enquanto isso, o Brasil, o país mais atingido pelo coronavírus na América Latina, ultrapassou as 10.000 mortes neste sábado, registando 10.627 falecimentos e 155.939 registos de infecções, informou o Ministério da Saúde.

Com sua indústria automotiva ociosa e outros indicadores econômicos no vermelho, um ministro do governo alertou esta semana que o país enfrentará “colapso econômico” se o confinamento continuar.

Dados desagradáveis de muitos países atenuaram ainda mais a já sombria perspectiva global, com o Fundo Monetário Internacional (FMI) indicando que estava optimista demais quando previu que a economia mundial se contrairia em três por cento este ano.

“Os dados econômicos recebidos de muitos países estão abaixo de nossa avaliação já pessimista para 2020”, declarou Kristalina Georgieva, chefe do FMI, cuja organização está atendendo dezenas de pedidos de empréstimos de emergência.

– Confronto EUA-China –

O vírus gerou uma ampla discussão sobre de quem é a culpa por seu surgimento e negligência em seu combate.

A China, que enfrenta críticas intensas pela forma como lidou com a crise, foi a última a admitir uma resposta inadequada.

“O novo surto de coronavírus foi um grande teste que revelou que a China ainda tem deficiências em seu principal sistema de prevenção e controle de epidemias (e) em sistemas de saúde pública”, disse Li Bin, vice-director da Comissão Nacional de Saúde, neste sábado.

O governo Trump criticou repetidamente a China por esconder quando o vírus surgiu pela primeira vez na cidade de Wuhan no final do ano passado.

A briga se espalhou para o Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira, onde os EUA – supostamente por retaliação contra a China e a Organização Mundial da Saúde – impediram a votação de uma resolução pedindo um cessar-fogo em vários conflitos para permitir que as autoridades se concentrassem na pandemia.

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FonteAFP
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