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A Memória, o Silencio e o COVID 19

A nossa memória é bem mais importante do que costumamos supor. Por exemplo, para Schopenhauer, autor da obra O Mundo Como Vontade e Como Representação, a loucura não deveria ser atribuída a uma perturbação mental, mas a uma disfunção justamente da memória. Segundo o filósofo, a fim de evitar rememorar uma grande dor, a vontade da pessoa faria com que ela não fosse mais capaz de ordenar o pensamento. As lacunas deixadas na memória seriam preenchidas, portanto, por conteúdos irreais. As lembranças não estariam subordinadas ao intelecto, mas sim à vontade. Intelecto e vontade são independentes e soberanos, mas quem prevalece no processo psíquico é a vontade.

Memórias são mudanças biológicas, fundamentais para a saúde mental de qualquer pessoa, como explica o médico Marcelo Feijó, professor adjunto do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina, da Universidade Federal de São Paulo, especialista em Transtorno de Stresse Pós-Traumático e coordenador do Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove). “A memória de curto prazo, ou de trabalho, é aquela que usamos temporariamente. Mas somente aquilo que é significativo será incorporado à nossa vida. A história de cada pessoa é que se transforma em uma memória de longo prazo. A memória de trabalho e a de longo prazo têm mecanismos biológicos completamente diferentes e se realizam em partes distintas do cérebro.” É graças à memória de trabalho, por exemplo, que um bom garçom não embaralha os pedidos na hora de servir os pratos.

Adiele Corso, coordenadora do Departamento de Neurociências do Instituto da Infância e Adolescência do Paraná (IAD), aprofunda o assunto. “A memória de longo prazo divide – se em memória explícita ou declarativa (para fatos e eventos) e memória implícita ou não declarativa (que é inconsciente, aquela memória para procedimentos, como a habilidade para dirigir quando a pessoa já tem este domínio). Uma proteína ligada à consolidação da memória de longo prazo é a Arc (activity-regulated cytoskeletal protein). Ela coordena, dentro dos núcleos dos neurônios, os momentos em que os genes responsáveis por esta memória devem ficar ‘ligados’ ou ‘desligados’.”

A psicóloga entende a memória como crucial para a evolução da espécie humana. “Ela desempenha um papel fundamental para a nossa qualidade de vida, pois é a condição primordial ao aprendizado. A capacidade de evocar esses conteúdos condiciona nossa adaptação ao mundo, os nossos relacionamentos sociais, o planejamento e a tomada de decisões. Quando isso não ocorre de forma satisfatória, afeta diretamente nosso emocional, através de sentimentos de fracasso ao não conseguir realizar algo que depende do nosso esquema de memória, resultando em autoestima rebaixada, sentimentos de inadequação e, algumas vezes, até relacionados à depressão.”

Na opinião de Marcelo Feijó, o esquecimento, por sua vez, também tem um valor inestimável. “Talvez até mais importante do que lembrar. Seria impossível viver de maneira saudável se nos lembrássemos de tudo o que fazemos. Esquecer é, também, elaborar, tocar a vida para frente, e não viver somente do passado.” Segundo o médico, o brasileiro Ivan Izquierdo, da PUC-RS, é um dos principais pesquisadores da memória no mundo. Em tempos de uma brutal Pandemia Mundial que retirou-nos definitivamente um novo sentido de pensar a Vida e os Nossos quotidianos, a Memória é o catalisador e denominador comum para ainda ter esperança, caminhar olhando e sentindo, sorrir, amar, chorar, brincar, ler, pensar, tocar e a imperatividade de Abraçar

Na nossa Memoria individual e colectiva ficará para sempre o Olhar sobre as diversas máscaras que são agora parte de um novo adereço em cada rosto humano. Integrará está nova visão urbana e rural que certamente criará na História, Memória e Cultura uma Nova Realidade no plano social, cultural e comunicacional.

Os outdoors das Cidades, das Ruas, das Avenidas, das Vilas e dos lugares mais diversos do mundo, Ouvem e observam palavras como Confinamento Social, Distanciamento Social, Lay-off, Higienize as mãos e mantenha 2 metros de distância dos Humanos que se cruzavam naturalmente connosco, mas que o COVID 19 já não permite. Mas ainda no quadro desta nova narrativa, o Paradigma de Um Novo Mundo versus a Memória e o Silêncio, sente-se e jamais esqueceremos o Silêncio das Ruas vazias, dos Bancos de jardim vazios e a contemplação arquitectónica das Cidades e das suas formas. Mas é necessário nesta triangulação que antigas e novas palavras surjam na linguagem universal e a uma só voz falemos de mais Amor, mais Fraternidade, de mais Justiça, de mais Humanismo e Humanidade. A Memória e o Silêncio que infelizmente o COVID 19 trouxe até nós globalmente, não pode retirar-nos mais H2o porque a essência da vida precisa de Oxigénio e novas Mentalidades em cujas mentes nasçam Olhares sem preconceitos e mais puros. Nada será como dantes. Recordemos quem injustamente saiu injustamente do nosso seio físico.Para isso no nosso Silêncio evoquemos a Memória perante o COVID 19 e construamos um Novo Mundo cantando a mesma Música e variando de modo singularmente humano nos passos do Tango. Impera um Abraço que aqui fixo para todos Vós, Com Açúcar e Com Afecto como cantou e escreveu o histórico Compositor Chico Buarque. A Memória e o Silêncio perante o COVID 19,são ingredientes para novas Reflexões e novas Linguagens.

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