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EUA chama suposto complô na Venezuela de ‘grande campanha de desinformação’

O governo dos Estados Unidos considerou nesta terça-feira (5) a tese de um complô para depor o presidente Nicolás Maduro, que resultou na detenção de dois americanos, um “melodrama” e uma “grande campanha de desinformação” por parte de Caracas.

“Há uma grande campanha de desinformação em marcha pelo regime de Maduro, o que dificulta separar os factos da propaganda”, disse um porta-voz do Departamento de Estado horas depois de o presidente Donald Trump negar a participação dos Estados Unidos em uma tentativa de “invasão” denunciada por Maduro.

O presidente venezuelano disse que dois americanos, os quais identificou como Luke Denman e Airan Berry, foram detidos na segunda-feira em um grupo de 13 “mercenários” que planeavam uma “invasão” para tirá-lo do poder. No domingo, tinha reportado confrontos em uma praia, que teriam deixado oito mortos e dois detidos.

O presidente chavista apresentou Denman, de 34 anos, e Berry, de 41, como “equipe de segurança” de Trump e mostrou seus passaportes, entre outros documentos, na televisão estatal.

O governo venezuelano ratificou suas acusações contra os Estados Unidos nesta terça, vinculando Trump a um ex-militar americano, Jordan Goudreau, que fundou uma empresa privada de segurança e defesa chamada Silvercorp USA. Caracas diz que os americanos presos trabalhavam para essa empresa.

“Hoje, o presidente Donald Trump negou qualquer tipo de relacionamento entre a Silvercorp e seu governo, mas acontece que Jordan Goudreau está servindo de segurança para o presidente dos Estados Unidos”, disse, em Caracas, o ministro venezuelano da Comunicação, Jorge Rodríguez, ao divulgar uma fotografia de 18 de Outubro de 2018 com Goudreau perto de Trump em um evento em Charlotte (Carolina do Norte).

A AFP não encontrou a imagem em uma pesquisa na conta @silvercorpusa.

O ministro também mostrou a captura de um vídeo do ato, com Goudreau ao seu lado. “Aqui ele está muito perto do presidente dos Estados Unidos, Sr. Jordan Goudreau”, disse.

O funcionário do Departamento de Estado, que deu as declarações sob a condição do anonimato, disse que Washington busca identificar as atividades dos americanos, bem como o papel do ex-militar Goundreau, apontado por Caracas como o responsável pela suposta trama.

Além disso, estudará “de perto o papel do regime de Maduro neste melodrama e especialmente do enorme aparato de Inteligência cubano na Venezuela”.

Os Estados Unidos, que consideram o governo de Maduro uma ditadura, acusam Cuba, aliada de Caracas, de ter mais de 20.000 agentes infiltrados nas forças de segurança venezuelanas, inclusive a guarda de segurança presidencial.

“O histórico de falsidades e manipulação de parte de Maduro e seus cúmplices, assim como sua representação altamente questionável dos detalhes, demonstra que nada deve ser levado ao pé da letra quando se vê a distorção dos fatos”, disse o porta-voz do Departamento de Estado.

– Cortina de fumaça –

Para Washington, acrescentou, “o que está claro” é que o governo Maduro está usando isto “para justificar um maior nível de repressão”.

Os Estados Unidos lideram desde Janeiro do ano passado a pressão internacional para a saída de Maduro, cuja reeleição em 2018 considera fraudulenta e a quem atribui uma corrupção generalizada e graves abusos dos direitos humanos.

O porta-voz reforçou, ainda, que “estes eventos” ocorreram pouco depois de um “massacre de prisioneiros” durante um motim ocorrido na sexta-feira em uma prisão no oeste da Venezuela, que deixou 47 mortos e 75 feridos, segundo cifras não oficiais.

O “regime está tentando evitar a responsabilidade”, afirmou.

Mais cedo, o próprio presidente americano, Donald Trump, já tinha negado qualquer vínculo de seu governo com uma suposta conspiração para invadir a Venezuela por mar e depor Maduro, conforme o presidente venezuelano afirmou na véspera.

“Acabei de ser informado”, disse Trump a repórteres no gramado da Casa Branca. “Não tem nada a ver com o nosso governo”, acrescentou.

A Casa Branca “não tem nada a ver com o que aconteceu na Venezuela nos últimos dias”, disse o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper.

Na segunda-feira, o Ministério Público venezuelano acusou o líder da oposição Juan Guaidó de contratar “mercenários” com fundos venezuelanos bloqueados pelas sanções de Washington, a fim de iniciar a tentativa de “invasão”.

Rodríguez deu mais detalhes sobre a operação relatada para derrubar Maduro.

Segundo o ministro da Comunicação venezuelano, dois barcos com “mercenários” armados partiram na sexta-feira passada de La Guajira, no norte da Colômbia.

Um chegou à costa de Macuto (La Guaira) no domingo, a cerca de 40 minutos de Caracas por terra e, segundo a versão oficial, houve confrontos que deixaram oito suspeitos de invasão mortos.

Outro barco, depois de desviar, chegou à cidade costeira de Chuao (Aragua) na segunda-feira, quando foram registadas 13 prisões, incluindo as dos dois americanos.

O capitão Antonio Sequea, um dos trinta rebeldes militares contra Maduro em 30 de Abril de 2019, e Josnars Adolfo Baduel, filho do general Raúl Baduel, prisioneiro desde 2017 e antigo aliado do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), também foram presos. ).

Essa suposta tentativa foi denunciada pouco mais de um ano depois de uma tentativa frustrada de Guaidó – reconhecido como presidente encarregado da Venezuela pelos Estados Unidos e mais de cinquenta países – de liderar um levante militar contra Maduro, que ele considera um “usurpador”.

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FonteAFP
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