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França faz teste clínico com antigo medicamento psiquiátrico para COVID-19

Um antigo medicamento antipsicótico prescrito para tratar a esquizofrenia, a clorpromazina, será objeto do primeiro ensaio clínico na França em pacientes com deficiência de oxigénio causada por COVID-19, de acordo com um médico responsável pela pesquisa.

“O estudo piloto, chamado reCoVey, começará esta semana com 40 pacientes da COVID-19 não psiquiátricos que estão hospitalizados, dos quais metade receberá clorpromazina e tratamento padrão (oxigénio, hidratação, anticoagulantes, se necessário) e a outra metade receberá o tratamento padrão”, explicou à AFP Marion Plaze, do hospital Sainte-Anne, em Paris.

O objetivo é verificar se esse medicamento acelera a cura e diminui a gravidade da doença. O coração dos pacientes será monitorizado para evitar qualquer risco de problemas cardíacos.

A especialista espera obter os primeiros resultados em um mês, o que pode ocorrer mais rapidamente se outros estabelecimentos participarem do estudo. Caso os resultados sejam animadores, outro estudo poderá ser realizado com um número maior de pacientes.

“Ficamos surpresos de que nossos pacientes psiquiátricos tenham sido muito pouco afectados pela epidemia”, disse ela.

Um pequeno número de casos de COVID-19 foi reportado em clínicas psiquiátricas em China, Itália, Espanha e hospitais na França, segundo a GHU Paris Psychiatrie & Neurosciences, que inclui três hospitais, incluindo o Saint-Anne Hospital.

A doutora Anne-Cécile Petit também realizará um estudo epidemiológico, chamado CLEVER, nos três hospitais da GHU, com um teste sorológico do Instituto Pasteur em 250 pacientes psiquiátricos e 250 profissionais de saúde como apoio para realizar as observações clínicas.

“Conhecíamos as propriedades antivirais in vitro da clorpromazina (Largactil) nos coronavírus anteriores, SARS-Cov-1 e MERS-CoV. Pedimos ao Instituto Pasteur para testar em laboratório a actividade antiviral (do remédio) sobre o coronavírus atual em células humanas”, acrescentou.

Esse neuroléptico impediria o vírus de entrar na célula. Outros remédios similares poderão ser pesquisados, de acordo com a médica responsável pelo estudo.

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FonteAFP
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