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País já produziu mais de 500 quilómetros de umbilicais submarinos em 15 anos

LOBITO: DIRECTORA-GERAL DA ANGOFLEX, ISABEL PAULO, E O DIRECTOR DE PROJECTOS MOSTRANDO UM UMBILICAL (FOTO: JOSÉ HONÓRIO)

A produção de umbilicais submarinos de alta tecnologia na fábrica do grupo Angoflex, na cidade do Lobito, já ultrapassa os 500 quilómetros nos últimos quinze anos, fornecidos com primazia às várias operadoras que actuam na exploração de petróleo no “offshore” de Angola.

Em entrevista à Angop, o director de Projectos, Logística e Compras da Angoflex, engenheiro industrial Joaquim Chimbui, avançou que a unidade fabril, com 101 trabalhadores, produziu já 520 quilómetros de umbilicais submarinos que estão a ser usados na exploração e produção de petróleo em águas profundas e ultra-profundas do país.

Entre as petrolíferas a quem a Angoflex forneceu tais equipamentos, desde que começou a funcionar, no Lobito, em 2003, estão a italiana ENI, a inglesa BP, a francesa Total, além das americanas Chevron e Exxon, que desenvolvem actividades no sector petrolífero angolano.

De acordo com o engenheiro industrial, cerca de 50 por cento dos umbilicais submarinos instalados nas águas profundas do país foram produzidos pela Angoflex e a outra parte foi fornecida por outros concorrentes no mercado internacional, nomeadamente a Oceannering, com sede em Houston (EUA), e a Aker Solutions, uma empresa norueguesa.

“Gostaríamos que essa percentagem fosse maior”, frisou. E considera que todos se sentem orgulhosos devido ao facto de a Angoflex ser a primeira e única fábrica em Angola e em África de produção de umbilicais submarinos utilizados em poços offshore.

Formado na República Federativa do Brasil, Joaquim Chimbui destacou que o maior projecto de umbilicais já executado pela companhia foi o “Kaombo”, para a operadora Total, num total de 83 quilómetros de tubos de aço, num contrato que rendeu à empresa “centenas de milhões de dólares norte-americanos”.

O responsável da área de Projectos da Angoflex ressalta a grande procura por umbilicais no mercado petrolífero, sobretudo para os poços em águas profundas.

“Quando temos uma produção no mar, necessariamente tem que ter um umbilical como este que produzimos”, acentuou, exemplificando que a função básica deste equipamento consiste em fazer a conexão entre os equipamentos instalados no fundo do mar e a plataforma ou navio de produção.

“A produção de um umbilical de alta tecnologia como este exige uma força de trabalho extremamente qualificada. E é um orgulho que hoje essa força seja 100% angolana”, declarou, lembrando que desde a entrega do primeiro projecto até hoje nunca tiveram nenhuma reclamação de um equipamento que tenha apresentado falhas.

Os umbilicais são produzidos usando tubos de aço super duplex em vários tamanhos, cabos eléctricos, fibra óptica e fillers (um material plástico usado, mais generalizadamente, para o preenchimento). E o engenheiro industrial assegura que o produto da Angoflex garante uma vida útil de 20 anos.

Angola é o primeiro e único país em África que produz umbilicais submarinos. A Angoflex é uma “joint venture” entre o grupo francês Technip FMC, com participação de 70 porcento e a Sonangol, com 30 porcento. O objectivo passa por unir esforços ao nível da produção industrial nacional de umbilicais para acompanhar e apoiar o desenvolvimento do sector petrolífero do País.

Para além da Angoflex, o grupo francês Technip FMC tem mais duas fábricas de umbilicais. Uma em Newcastle, na Inglaterra, e outra em Houston, nos EUA.

Indonésia na mira da Angoflex

Ao abrigo de um contrato assinado com a petrolífera italiana ENI, a Angoflex começou já a produzir os primeiros 13, 2 quilómetros de umbilicais submarinos que serão exportados, a partir de Janeiro de 2020, para a Indonésia. É a primeira vez, em quinze anos, que a empresa irá fornecer equipamentos do género ao mercado internacional.

Optimista, Joaquim Chimbui olha para esta operação como um marco histórico para a empresa e adianta que a produção dos cinco umbilicais vai consumir, por exemplo, 70 quilómetros de cabos eléctricos, além de tubos de aço super duplex e fillers. Ao contrário de outros, este projecto para exportação não terá fibra óptica.

O que é o umbilical submarino

Segundo o dicionário brasileiro do Petróleo, o umbilical é uma linha flexível submarina contendo um cabo eléctrico de média tensão, normalmente do tipo trifásico, mangueiras ou tubings hidráulicos e ainda cabos de comunicação e fibra óptica utilizados, respectivamente, para a transmissão de energia eléctrica, comandos hidráulicos e monitoramento e controlo entre a plataforma e equipamentos submarinos ou equipamentos de fundo de poço.

A denominação integrada advém do facto de tal equipamento prover as funções de um umbilical de potência e de um umbilical elecro-hidráulico numa mesma estrutura.

Primeira e única fábrica de umbilicais tanto em Angola como no resto do continente africano, a Angoflex, implantada numa área de 53.200 metros quadrados, tem dois carrosséis com capacidade, cada, de armazenar 2.500 toneladas de umbilicais.

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