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Munícipes solicitam agências bancarias no interior de Icolo e Bengo

A população residente em Icolo e Bengo, em Luanda, solicita a instalação de agências ou postos bancários no interior do município, evitando assim que os munícipes percorram longas distâncias até a vila de Catete, onde existem serviços bancários.

A falta de agências bancárias nas comunas de Cabiri, Bom Jesus, Quiminha, Cassoneca e Caculo Cahango faz com que os munícipes tenham de se deslocar até Catete para efectuar as transações bancárias.

Em declarações à Angop, alguns membros das autoridades tradicionais sugerem que o Governo instale postos do Banco de Poupança e Crédito (BPC) em vários pontos do interior do município para que possam levantar os seus subsídios.

O soba do Zenza do Gulungo, João Sebastião André, de 74 anos, disse que tem de percorrer mais de 60 quilómetros de táxi para ter acesso a uma agência do BPC, em Catete.

Segundo o soba, é oneroso ter de utilizar o táxi e muitas vezes posto no local, o BPC não possui dinheiro ou falta sistema para atender os clientes.

A mesma situação é vivida pelos antigos combatentes e veteranos da pátria e funcionários públicos que trabalham em zonas recônditas da sede do município de Icolo e Bengo.

A professora Angelina Rodrigues António, que trabalha na comuna de Cassoneca, refere ser fundamental a abertura de bancos na localidade para permitir que os funcionários públicos e camponeses realizem algumas transacções bancárias.

O funcionário público João de Sousa sublinhou que seria bom que o Estado reflectisse neste sentido, pois o município carece de meios de transportes públicos para facilitar a mobilidade da população que procura pelos Bancos.

Apontou ainda que todas as comunas encontram-se a uma distância média de mais de 30 quilómetros até a Vila de Catete, e cabe ao Governo resolver este problema para que a população cumpra com as suas obrigações fiscais.

Lembrou que existem agências de bancos privados na sede municipal, Catete, e em Bom Jesus, mas que em quase nada ajuda a população, porque existem pensionistas e membros das autoridades tradicionais que estão domiciliados no BPC.

O administrador municipal adjunto para a área financeira e orçamental, Natividade da Silva, reconhece que as comunas de Icolo e Bengo necessitam de mais agências, quer públicas como privadas, para o pagamento de impostos e de salários.

O responsável recordou que os postos teriam diferentes serviços, não só para arrecadação de receitas, mas também para o pagamento das taxas do registo civil e da identificação, água e luz eléctrica e outras contas fiscais.

O administrador adjunto realçou também que os Bancos privados recusam-se a instalar-se em determinadas áreas por acharem não ser rentável estar em áreas sem o público alvo.

“Os Bancos não são empresas filantrópicas, eles instalam-se aí onde há negócios e lucro e algumas áreas do município de Icolo e Bengo não possuem população estável financeiramente”, explicou.

O gerente de uma agência de um banco privado em Catete recordou que a Banca tem como objectivo os lucros e negócios e lamentavelmente as localidades de Icolo e Bengo não têm atractivos para os bancos.

O bancário sustentou que outro motivo que impede a abertura de postos nas comunas são os riscos, como a falta de segurança, energia eléctrica e água potável.

Com uma extensão territorial de 3.309.7 quilómetros quadrados, o município de Icolo e Bengo encontra-se dividido pelos distritos de Catete e Bela Vista e pelas comunas de Cabiri, Bom Jesus, Quiminha, Cassoneca e Caculo Cahango.

O município de Icolo e Bengo, dista a 60 quilómetros da cidade capital, Luanda e possui uma população maioritariamente, camponesa e piscatória (pesca fluvial) com uma densidade populacional de 81 mil 444 habitantes.

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