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Multicrédito empresta crédito a 180 pequenos empresários

Em um ano, a empresa Multicrédito, constituída com um capital social de cinco milhões de kwanzas, concedeu crédito a 180 empreendedores de pequenas e médias empresas. (DR)

Jornal Visão | Crispem Luzolo

Em um ano, a empresa Multicrédito, constituída com um capital social de cinco milhões de kwanzas, concedeu crédito a 180 empreendedores de pequenas e médias empresas, nos ramos dos serviços e restauração. Quem já desembolsou o crédito, quer receber mais enquanto outros consolidam o negócio. A instituição regozija-se com o instrutivo do BNA que orienta o aumento do capital social e do ‘kumbú’ do crédito a conceder a novos clientes.

Os proprietários de pequenas e médias empresas, bem como responsáveis de pequenos negócios, recorrem a ‘Multicrédito’ para beneficiar de financiamentos dos seus projectos e poderem crescer. A empresa disponibiliza créditos que variam entre 50 mil a um milhão de kwanzas, valores que os credores consideram “pouco”, e fundamentam que “em Angola ninguém consegue iniciar um negócio e ter sucesso com estes montantes”.

Mesmo com estas reclamações, o proprietário da empresa Sakim Comercial, que se dedica ao corte, costura e confecção de roupas, Samuel Kialo Mbula Mesu, precisando desenvolver o seu negócio, recorreu aos serviços da Multicrédito, solicitou um milhão, mas lhe foi concedido apenas 600 mil kwanzas, que acabou por pagar no mês passado. Com alegria no rosto, por liquidar o crédito, afirma que agora quer mesmo um milhão.

Este empreendedor salienta que, depois da solicitação esperou por dois meses para ter a resposta “positiva”, porque lhe faltavam alguns documentos “exigidos pela empresa”, depois de os tratar o processo foi “fácil e rápido”, regozija.

O empreendedor diz que precisou do crédito porque na alfaiataria necessitava de comprar novas máquinas, modernas e comprar também tecidos, linhas e agulhas. “Como o valor concedido foi baixo preferi aplicar os valores na compra dos equipamentos da cantina, comprando geleira grande e prateleiras”. Na alfaiataria, as roupas são feitas por encomenda e também para comercialização, e trabalha apenas com tecidos africanos.

Tem tido solicitações, principalmente de pessoas prestes a casar, sendo as camisas dos homens, o material mais barato. Com o tecido da alfaiataria, a camisa custa 15 mil kwanzas e se o tecido for do solicitante, o preço fica por 10 mil kwanzas. “Já a roupa das mulheres custa mais caro. Não tendo um preço fixo, varia de acordo o estilo que a solicitante escolher. As mulheres exigem muitos estilos”, destaca.

Lamenta a falta de produção nacional de material para a costura, como botões, tecido, linhas e agulhas, e por isso tudo é importado. Entretanto, acrescenta, “temos desenrascado nas poucas lojas que vendem estes materiais”.

Beneficiários
Soube-se que a proprietária da ‘Churrasqueira Artcake’, situada na Maianga, em Luanda, Irene Conde, beneficiou de um crédito da instituição, todavia, todos os contactos telefónicos realizados ela, esteve sempre “apertada” com o trabalho, como fez saber à nossa reportagem. Tudo isso por causa da “demanda de bolos que tem recebido”. O VE procurou saber mais detalhes sobre o seu negócio, ela garantiu estar a caminhar bem e que “não seria possível fazermos a entrevista, por andar muito atarefada”. Entretanto, tanto o estabelecimento situado na Maianga, bem como o do Cassenda “estão a progredir”, prontificou.

O administrador do Conselho Administrativo da Multicrédito, Haekel Duarte, destaca que em dois anos de existência da empresa já disponibilizaram crédito a 180 empreendedores. Não entra em detalhes quanto ao valor disponibilizado estes anos, mas deixa escapar que “uns era para iniciar um negócio e outros para consolidar o que já tinham”.

No entanto garante que “temos tido um bom reembolso”. Além disso, acrescenta, “definimos uma estratégia que evita o juro demora, mesmo assim tem ocorrido, devido a conjuntura actual do país, não por vontade dos clientes”.

Em termos de concessão de créditos, na instituição acorrem empreendedores das estações de serviços e de restaurantes, apesar de que outros serviços também solicitam. A empresa tem perto de 180 clientes com “crédito vivo”, sobretudo nos municípios de Viana, Belas e Cacuaco, pelo que prevê abrir agências nestes municípios, de forma “aproximar os serviços dos clientes já existentes”.

“A abertura destas novas agências pode acontecer no próximo”, e todas serão abertas em Luanda. O gestor garante que no futuro, a instituição poderá transformar-se num banco de crédito, a julgar pelas “perspectivas de crescimento”.

De acordo com o gestor, a política da empresa é de sair da zona urbana e estar mais nas comunidades, zonas periurbanas em que os empreendedores “não têm acesso a créditos bancários”.

Critérios
Quando o solicitante a crédito nesta empresa, apresenta toda a documentação do seu negócio, “se for empresa já constituída, tem uma resposta favorável num período de cinco dias. Se for um cliente sem empresa, a credora ajuda este solicitante a constituir empresa e depois beneficiar do crédito”. Este solicitante poderá apenas apresentar a sua documentação pessoal. “Estamos a alavancar esses negócios e ajudar o cliente a desenvolver o seu negócio, porque há clientes que apenas possuem a ideia, nós os ajudamos a colocar essa ideia no papel e na prática”, destaca Haekel Duarte.

Até o ano passado, o Banco Nacional de Angola (BNA) exigia para a constituição de uma empresa fornecedora de crédito 2.500.000 mil kwanzas como capital social, a Multicrédito foi constituída com um capital social de cinco milhões de kwanzas, pelo que perspectivam aumentar este capital social, de formas ‘esticar’ o crédito, dos actuais 50 mil kwanzas a um milhão para valores superiores, que segundo Haekel Duarte, “não favorece quem pretende começar um negócio, por precisar de tempo para se afirmar.

Olhando pela forma como a economia angolana está, este valor é muito pouco, uma pessoa só pode abrir um negócio com um milhão de kwanzas, se este for muito pequeno e que pretenda ter lucros a longo prazo”, reconhece.

O BNA instruiu o aumento do valor do capital social, bem como o valor do crédito a fornecer aos solicitantes. Uma medida considerada por Haekel Duarte, como consequência das reclamações e solicitações que eram feitas pelas instituições bancárias e não bancárias.

Números
Montante: 1.000.000 kwanzas;

Prazo de reembolso: 12 meses;

Prestação mensal: 118. 189, 59;

Montante: 50.000;

Prazo de reembolso 12 a 3 meses;

Prestação: 5.83%.

Condições para empreendedor
Carta dirigida a Multicrédito a solicitar o crédito;

Preenchimento da ficha de cliente;

Copia do Bilhete de Identidade;

Uma fotografia tipo passe;

Extracto bancário dos últimos seis meses;

Declaração do Serviço actualizada;

Três recibos de salários dos últimos três meses;

Cartão de contribuinte.

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