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Eleições em Moçambique: Cabo Delgado jovens querem mais emprego

Os cabeças-de-lista à cargo de governadores provinciais pelos três principais partidos políticos moçambicanos garantem satisfazer esses pedidos, mas antes pedem voto. (DR)

Os cabeças-de-lista à cargo de governadores provinciais pelos três principais partidos políticos moçambicanos garantem satisfazer esses pedidos, mas antes pedem voto.

Segundo avança a DW, na província nortenha de Cabo Delgado, jovens querem que o futuro governo provincial acabe com a corrupção na função pública, crie postos de trabalho e elimine o conflito armado que se vive em alguns distritos da região norte da província desde 2017.

Os pedidos são feitos a luz da campanha eleitoral em curso rumo às sextas eleições gerais que este ano pela primeira vez elegem os governadores provinciais. Os cabeças-de-lista à cargo de governadores provinciais pelos três principais partidos políticos moçambicanos garantem satisfazer esses pedidos, mas antes pedem voto.

Simão Simão é um jovem de 27 anos de idade. Há cinco anos concluiu o nível médio de escolaridade, mas até a data não encontrou emprego.

Neste momento dedica-se a venda de carvão vegetal num dos mercados grossistas da cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado. Um dos maiores sonhos de Simão é ingressar no curso de formação de professores, para ajudar a desenvolver o país, mas não tem condições. Ao futuro elenco do governo provincial, Simão pede mais postos de trabalho para a juventude.

“Eu tenho a 12ª classe, mas até agora não tenho nenhum trabalho é por isso que vendo carvão (…) aqui em Cabo Delgado nós estamos mal por causa dos Alshababe [grupo de insurgentes] ”, relatou Simão Simão, para quem “em Mucujo para um cidadão sair de lá para Macomia deve ser escoltado pela polícia ou militares.”

Jovens pedem mais empregos

Samuel Martinho é outro jovem que a DW África encontrou arredores da cidade de Pemba. É revendedor de recargas de telemóveis há alguns anos, mas lamenta que “desde que comecei, até agora não apanhei nada [referindo-se aos lucros]. Peço ao próximo executivo da província ajude-nos na criação de empresas”.
A semelhança dos dois primeiros, Dul Ossufo, é outro jovem que sobrevive da actividade de moto-taxi na cidade de Pemba. A sua preocupação é com os níveis de corrupção que o impedem de ingressar no aparelho do Estado.

“Principalmente para nós pobres que não temos nada, terminamos o nível médio, mas para termos emprego torna-se difícil. Então, gostaria que o nosso governo combatesse aquela coisa de subornos.”

Os nossos entrevistados querem que as promessas eleitorais feitas pelos candidatos à cargo de governador da província, sejam transformadas em água, alimento, educação de melhor qualidade e serviços de saúde mais humanizados.

Candidatos atentos aos problemas da província

A DW África, que acompanha o pulsar da campanha eleitoral, ouviu os três candidatos a governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo da FRELIMO, Ângela Maria Eduardo, da RENAMO e José de Avelino que lidera a lista do MDM sobre os seus projectos caso sejam sufragados no escrutínio de 15 de Outubro próximo.

José de Avelino que lidera a lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) a Assembleia provincial de Cabo Delgado pretende modernizar a agricultura nesta região do país.

Diz não ser concebível que durante mais de quarenta anos de independência, o Moçambique não consiga tornar a agricultura como motor para o desenvolvimento.

“É preciso investir na mecanização agrícola e assistir os produtores de modo a aumentar a produção e produtividade”, diz o membro do MDM apontando que “também temos que abrir estradas para os locais de produção para permitir a comercialização. O que acontece é que as pessoas não fazem a agricultura porque elas produzem, mas não comercializam os produtos por falta de vias de acesso.”

Por seu turno, Valige Tauabo da FRELIMO propõe incentivar os jovens para a criação do auto-emprego. Mas também promete combater a corrupção.

“Nós vamos prosseguir com o apoio as iniciativas de auto-emprego, através da criação de micro e pequenas empresas. Vamos incentivar a promoção do trabalho e emprego dando destaque a força de trabalho dos jovens moçambicanos para reduzir o desemprego”, disse Tauabo.

Combate cerrado a corrupção

O candidato da FRELIMO quer acabar com a corrupção “vamos promover a integridade, ética e deontologia profissional no sector público. Desta forma consolidaremos a cultura de transparência, prestação de conta e responsabilização.”
A RENAMO também elegeu o combate à corrupção na província de Cabo Delgado como o seu “cavalo de batalha”, segundo garantiu Alberto Kavandame é porta-voz da cabeça de lista da RENAMO, Ângela Maria Eduardo.

“No nosso futuro governo vamos combater severamente no verdadeiro sentido da palavra a corrupção porque sabemos como se manifesta. E vamos empregar a juventude. Temos muitos rios e barragens que não são aproveitados. Estas barragens e rios podem produzir quatro vezes por ano. A nossa cabeça de lista tem na mente o incentivo de associações para poderem cultivar aquelas terras e produzirmos não só para o nosso sustento mas também para podermos exportar.”

Ataques dos insurgentes preocupa candidatos cabeças de lista
A província de Cabo Delgado tem sido assolado pela onda de ataques armados protagonizados por indivíduos cuja identidade ainda não é do domínio público, resultando em mortes, destruição de habitações e dos meios de sobrevivência das comunidades.

A justiça moçambicana já condenou cerca de 130 insurgentes em conexão com o caso. Mas o fenómeno continua a acontecer. Como pensa em lidar com esta situação caso seja eleito? Foi a pergunta que fizemos os três principais concorrentes ao governo provincial.

Valige Tauabo da FRELIMO promete aumentar a vigilância, através de um programa que no seu manifesto eleitoral chama de autodefesa das comunidades.

“Vamos criar mecanismos que possibilitem a comunidade a compreender o mal que existe para poder ter todas as ferramentas de autodefesa a partir da vigilância haver denúncias e o Governo através das Forças de Defesa e Segurança em tempo útil chegar junto das comunidades de modo a dissipar qualquer situação.”

O MDM e a RENAMO advogam que o diálogo é a melhor via para acabar com os ataques nos distritos da região norte de Cabo Delgado.

“A força não resolve o problema. Para resolver o problema temos que entrar em negociações e conhecendo as motivações é fácil encontrar soluções. Se continua assim, muitos investidores acabarão por ficar retraídos”, destaca José de Avelino.
Para o porta-voz da RENAMO, Alberto Kavandame “nós como a RENAMO se ganharmos as eleições vamos procurar saber quem são na verdade, e o que eles querem e quais são as saídas”, afirma por seu lado Kavandame.

“(…)teremos que apanhar o financiador dos insurgentes” – disse Nyusi

A campanha eleitoral às gerais de 15 de Outubro entra nesta segunda-feira (16.09), ao seu décimo sétimo dia. O candidato presidencial da
FRELIMO, Filipe Nyusi, iniciou neste domingo (15.09), uma digressão pela província na caça ao voto.

No distrito de Chiure, cuja autarquia está a ser governada pela RENAMO, Filipe Nyusi, voltou a manifestar-se preocupado com os ataques armados naquela província “esses que estão a fazer confusão aqui em Cabo Delgado se mostrarem a cara a gente há-de ir ter com eles. Porque agora não se sabe, o financiador deste grupo, teremos que apanhar essa pessoa também.”

Enquanto isso, o balanço da primeira quinzena da campanha eleitoral, a polícia fala de um ambiente ordeiro propiciado pelo civismo das caravanas. Augusto Guta é o chefe das Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Cabo Delgado.

“Lamentamos apenas o fato de primeiro dia de campanha, no espaço entre uma a duas horas de madrugada ter acontecido um acidente de viação vitimando alguns dos membros de partidos que se encontravam a colar panfletos.Uma experiência muito boa na província de Cabo Delgado é que quando as caravanas colidem ou quando se cruzam, até abraçam-se, dão-se mão numa ligeira interpretação de que a campanha é um período de festa e amizade.”

Benefícios dos recursos naturais

De acordo com o censo populacional de 2017, Cabo Delgado possui 2.32.0261 habitantes. São pessoas que aguardam com enorme expectativa os dividendos da exploração dos recursos minerais e petrolíferos abundantes na província. Os Valige Tauabo tem um plano para o acesso à riqueza por parte da população.

“Criaremos um modelo triangular onde vão se concentrar o Governo, os investidores e a comunidade num único ponto”, disse o candidato da FRELIMO, explicando que ” o modelo vai permitir criar uma mútua interacção entre o Governo, Comunidade e os investidores”, garante, Valige Tauabo.

A RENAMO quer que os benefícios dos recursos naturais que a província de Cabo Delgado tem sirvam para a juventude, “vamos trabalhar no sentido de alavancar a juventude. Empregarmos as mamas e o povo em geral, mas abraçando a população nativa”, prometeu Alberto Kavandame, porta-voz de Ângela Maria Eduardo.
Enquanto isso, o MDM quer maior envolvimento das comunidades locais na tomada de decisões e de gestão dos recursos naturais, segundo José de Avelino. “O que acontece quando as pessoas descobrem que ai há recursos naturais descobertos pela população, retiram essa população e entregam qualquer singular. Isso não pode ser assim.”

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