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Militares regressam a Portugal após seis meses “muito intensos” na República Centro-Africana

Observador|Lusa

Os 180 militares portugueses destacados na República Centro-Africana (RCA) chegaram esta quinta-feira a Portugal, após seis meses “muito intensos” e de uma “missão exigente” naquele país.

A 5.ª Força Nacional Destacada ao serviço das Nações Unidas na RCA, maioritariamente composta por comandos, chegou ao Aeroporto Figo Maduro, em Lisboa, onde estavam à espera dos militares as famílias, tendo sido um reencontro carregado de emoção.

O comandante da força portuguesa, tenente-coronel Rui Moura, disse aos jornalistas que “estes seis meses foram intensos” na RCA, uma missão que “pôs à prova a força” dos militares portugueses.

Rui Moura fez “um balanço muito positivo”, sublinhando que “foram seis meses exigentes onde os militares cumpriram de forma exemplar a missão atribuída” e demonstraram “uma grande capacidade, profissionalismo e abnegação”. “Portugal e as Forças Armadas podem estar orgulhosos”, disse o comandante da força portuguesa.

A missão desta força ficou marcada pelo acidente de viação, em 13 de junho, de um militar, que ficou gravemente ferido e teve de sofrer a amputação das duas pernas.

Rui Moura referiu que, depois do acidente, a moral dos militares portugueses “ficou um bocadinho abalada”, mas rapidamente conseguiram “recuperar e continuar a missão.

Michael Pitos terminou esta quinta-feira a sua segunda missão na RCA e confessou à Lusa que todas elas são diferentes e desta última guarda “sentimentos, experiência e cultura de vidas diferentes”.

Com a filha ao colo, Zaloznyi, que também realizou a segunda missão, disse que a preocupação é “tentar salvar” as outras pessoas, sendo complicado estar naquele país, uma vez que são “esquecidos e quem está a fazer a diferença lá” são os militares portugueses.

“Todas as missões são diferentes. A primeira foi mais difícil”, referiu, salientando que a situação na RCA está mais calma.

Lizandra Albuquerque, uma das oito mulheres que estiveram nesta missão, destacou à Lusa a “amizade, espírito de camaradagem e de entreajuda” dos militares portugueses, frisando que durante estes seis meses o mais importante foi a ajuda à população.

A militar disse ainda que a missão “correu bem” e que não notou “diferenças significativas” por ser mulher.

Também presente na cerimónia de chegada dos militares portugueses destacados na RCA esteve a secretária de Estado da Defesa, que destacou aos jornalistas a exigência e a importância desta missão.

Esta é uma missão central em que Portugal tem um empenhamento mais significativo e que garante que Portugal é um parceiro credível do ponto de vista internacional e os nossos militares são exatamente o espelho disso mesmo, de um enorme rigor e profissionalismo e de uma capacidade ímpar de cumprir esta missão”, disse Ana Santos Pinto.

Na quarta-feira à noite partiu para a RCA a 6.ª Força Nacional Destacada para uma missão de mais seis meses.

Portugal, que está presente na RCA desde o início de 2017, faz parte de uma força internacional coordenada pelas Nações Unidas que procura estabilizar um país em conflito desde 2013, no qual o Governo apenas controla um quinto do território e várias milícias dominam o resto do território.

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