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Benguela: Estado pagava por trabalhadores de hotel de antigo dirigente, diz procuradoria

(DR)

VOA | João Marcos

Já está em tribunal o processo relativo a suspeitas de desvio de fundos na Delegação Provincial do Interior em Benguela, com o antigo chefe dos recursos humanos, Moisés Caloweio acusado de ter inserido na folha de salários trabalhadores do seu hotel.

Fontes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), de onde o processo seguiu para o tribunal, disseram que o arguido, que cumpriu alguns dias de prisão preventiva, terá inserido na folha de salários do Interior vários “trabalhadores fantasmas”, entre os quais funcionários do seu hotel, que também chegaram a estar encarcerados.

O vencimento médio, segundo investigadores, era de 500 mil Kwanzas, quase vinte vezes mais do que o salário mínimo nacional, e equivalente, a título de exemplo, ao de um vice-governador.

São ordenados que, segundo essas fontes acabavam por engordar os cofres de Caloweio, suspeito de ter engendrado a fraude financeira há dez anos.

À VOA, o seu advogado, José Faria, confirmou a nova etapa deste processo, admitindo que a qualquer momento possa ser notificado pelo tribunal no seguimento do expediente interno.

Uma fonte judicial diz que a tramitação interna pode, se for o entendimento do juiz da causa, avançar para julgamento

Dias antes, entretanto, Faria, em declarações à Rádio Ecclésia de Benguela após ter conseguido a libertação de gestores do Hospital do Lobito, que tinham estado presos acusados de peculato, alertava para o que considera ser “vontade de prender” a reinar na PGR.

‘’Devemos saudar alguns magistrados do MP que fazem um bom trabalho, mas há outros… determinados magistrados têm uma ânsia de prender para depois investigar”, disse.

Talvez movidos por paixões ou retaliações, porque não faz sentido prender quando não há elemento probatório, nem a pessoa é apanhada em flagrante delito’’, acrescentou

Estas declarações mereceram uma reacção do sub-procurador-geral da República titular de Benguela, Herculano Chilanda, ao confirmar a existência de processos de peculato já em tribunal.

‘Na PGR, não há vontade de prender, tudo depende da lei, é normal que o advogado fale, está a defender constituintes’’, disse.

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