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Eleições em Moçambique: Críticas às “antigas promessas” eleitorais em Nampula

Manuel Rodrigues, candidato da FRELIMO em Nampula, com apoiantes durante acção eleitoral (DR)

Em Nampula, os partidos políticos fazem inúmeras promessas na campanha eleitoral, mas os cidadãos consideram que não há novidades. Entretanto, analistas já apontam a RENAMO como favorita na votação de 15 de Outubro.

A campanha eleitoral, escreve a DW, rumo às eleições presidenciais, legislativas e primeiras para a eleição do governador provincial, está ao rubro na província de Nampula, no norte de Moçambique. Muitas e muitas promessas são feitas desde o início pelos quatro cabeças de listas dos partidos concorrentes, como forma de conquistar votos por parte do eleitorado.

O cabeça de lista do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Mussa Abudo, diz que caso seja eleito governador de Nampula vai aproveitar os recursos minerais e naturais que a província dispõe para melhorar a vida das populações.

“A nossa província tem muitos recursos, mas mesmo assim nós sofremos. Por exemplo, no caso da madeira; em Nampula há muita madeira, mas a província sofre de falta de carteiras nas escolas. Nós não podemos viver com esse tipo de ambiente”, considera o candidato.

Luís Mecupia é o cabeça de lista da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o principal partido da oposição em Moçambique. Mecupia diz que a sua aposta está mais voltada para a área social, concretamente para a saúde, a educação e ao abastecimento de água.

Agricultura e geração de empregos

“Há um sector muito importante que pode trazer muito emprego: a agricultura”, acrescenta o candidato da RENAMO, dizendo que a área “não poder ser encarada sob o ponto de vista apenas de produção agrícola, mas temos de associar a produção e o factor mecanização como também o agro-processamento”, referiu.

Para o cabeça de lista do partido Acção do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI), Orlando Valentim, o seu Governo, caso vença as eleições, vai apostar mais no apoio dos camponeses, nomeadamente nas técnicas de produção, como na comercialização e no combate à corrupção.

“Os agricultores quando produzem, os compradores esquecem que eles têm apenas um salário por ano [colheita]. Os compradores compram pouco, ditam preços e no final o camponês continua com fome. Vamos trabalhar para acabar com a corrupção na província de Nampula. Vamos apoiar as pessoas com deficiências assim como acabaremos com a desnutrição crónica”, prometeu.

“Desenvolvimento contínuo”

A FRELIMO, através da chefe da brigada central de assistência à província de Nampula, Margarida Talapa, que tem vindo a pedir votos lado a lado com o seu cabeça de lista a governador, Manuel Rodrigues, assegurou que os candidatos às eleições presidenciais e provinciais, ao vencerem o escrutínio, vão contribuir para o desenvolvimento contínuo do país e da província em particular.

“A vitória da FRELIMO e do seu candidato é um imperativo nacional e condição para que Moçambique continue a consolidar-se como uma nação forte. E Nampula continue a crescer”, declarou Talapa.

Cidadãos procuram novidade

Entretanto, os cidadãos consideram que não há novidades nas promessas dos partidos, quando comparadas com as dos outros anos eleitorais, e pelo facto querem mais acções de melhoraria das condições de vida da população.

“Naquilo que eu constatei nos manifestos dos partidos políticos, eles não trazem alguma novidade, só estão, como é de costume, a pedir voto e apenas votos e nalgum momento as promessas continuam a ser aquelas falaciosas”, disse à DW África José Simão, residente em Nampula.

Também Laura Julião, de Nampula, espera mais mudanças. “Espero mais emprego nas promessas que eles estão fazer, e que realmente façam isso que eles estão a prometer”.

Outro residente, Renaldo Agostino, acredita que “é difícil criar emprego”, mas espera que o partido vencedor “crie oportunidade de negócios para os jovens e financiamento de projectos juvenis”. “Também água e energia”, disse.

RENAMO apontada como favorita

Por seu turno, o analista Arlindo Muririua antevê a RENAMO como o partido que poderá escolher o próximo governador da província, porque segundo ele “o que está a fazer a RENAMO nos municípios de Nacala-Porto, Angoche, Ilha de Moçambique, Malema e Nampula tem muito a ver com o desenvolvimento da região e não é só discurso”.

De acordo com Muririua, “as pessoas que estão em Namapa dizem que o município de Nacala [gerido pela RENAMO] está bem organizado em termos de prestação de contas e outros. E isso é maior que discurso. Isso pode influenciar”, assegura o analista, acrescentando que “não é a sondagem que estamos a fazer, mas a percepção do povo sobre o trabalho desse partido”.

Porém, o analista não descarta a ideia de que o partido FRELIMO poderá mudar o seu discurso de promessas e afirma que o Presidente Filipe Nyusi já está a fazê-lo ao combater os corruptos.

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