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Angola mostra-se ao mercado privado no Qatar

ESTRUTURA ARQUITETONICA DE UM ÂNGULO DA CIDADE DE QATAR (FOTO: MARCOS CAETANO)

Depois do programa institucional, o Chefe de Estado, João Lourenço, encontra-se hoje (domingo) à noite com a Câmara de Comércio e a Associação Empresarial do Qatar, duas das mais importantes instituições do país dependente de uma economia assente no petróleo e gás natural, mas que deseja investir noutras áreas, sobretudo na compra de activos e de dívida soberana de outras nações.

Nesta perspectiva, avança Angop, o objectivo do governo é a “caça” do investimento de empresas catarenses para os diversos sectores da economia angolana, como transportes, saúde, ensino superior, ciência, tecnologia e inovação, bem como outros projectos de desenvolvimento do país.

Sendo o Qatar uma nação com mais de dois milhões de habitantes e sede do próximo campeonato do mundo de futebol em 2022, com crescimento médio anual de 8,6%, Angola espera estabelecer intercâmbio que permita contribuir para as reformas em curso, nomeadamente a privatização de algumas empresas.

Nesta visita oficial cuja agenda está virada para a captação de investimento externo, João Lourenço “seleccionou” as reuniões com as mais altas autoridades políticas e económicas deste emirado para mostrar uma Angola capaz de abrir caminhos para novos negócios, assentes num ambiente que facilite a concretização da meta.

A economia do Qatar é extremamente dependente do petróleo explorado no país. O sector petrolífero compreende a mais de 70% do rendimento total do governo, mais de 60% do produto interno bruto e aproximadamente 85% do saldo total de exportação.

Segundo a instituição o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Qatar absorveu com sucesso os choques da queda dos preços internacionais do petróleo que se deram a partir de 2014 e do rompimento de algumas relações diplomáticas há dois anos com países vizinhos.

O aumento do PIB deverá ser sustentado principalmente pela recuperação na produção de hidrocarbonetos e um crescimento robusto da economia em outros segmentos. De acordo com o FMI, o avanço do sector de não hidrocarbonetos reflecte os efeitos de maiores investimentos realizados nos últimos anos, ritmo gradual de consolidação fiscal, ampla liquidez e aumento da actividade do sector privado.

O PIB do Qatar deve chegar a 201,00 bilhões de dólares até o final deste trimestre, de acordo com os macro modelos globais da Trading Economics e as expectativas dos analistas. A longo prazo, o PIB do Qatar deverá projectar em torno de 225,00 bilhões de dólares em 2020, de acordo com modelos econométricos.

Hoje o pequeno emirado do Golfo Pérsico cresceu de forma inacreditável, sobretudo a partir da década 90 do século passado, tudo graças ao gás natural, petróleo e investimentos no mercado financeiro.

Detentor do melhor PIB do mundo (129.112 USD por pessoa), o “pequeno gigante” de 11,571 mil km quadrados tem mostrado capacidade de realização, desde os anos 40, com exploração de poços de petróleo, numa altura em que sua economia deixou de depender das pérolas preciosas. Agora aposta forte em mercado de acções.

A propósito, o Programa de Privatizações (PROPRIV) prevê alienar, em 2020, a maioria das 195 empresas detidas ou participadas pelo Estado, sendo que para 2019 estão em vista 80, no próximo ano 91, em 2021 serão 20 e em 2022 quatro empresas a privatizar.

Nos recentes discursos perante investidores, João Lourenço tem reiterado que o Governo está a implementar um amplo programa de melhoria do ambiente de negócios em Angola, para atrair o investimento privado nacional e estrangeiro.

Na última visita ao Japão, o Presidente da República destacou as reformas em curso no país e disse que conta com o apoio do Banco Mundial na simplificação dos procedimentos e redução do tempo de diversos serviços públicos prestados ao sector privado.

O objectivo desse processo de privatizações é o de promover crescimento económico de Angola, fomentar o investimento privado e a oferta de empregos, de acordo com o governo, que anseia contribuir para o aumento da eficiência das empresas nacionais, levando a uma redução gradual dos custos de produção e a prática de preços mais competitivos.

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