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Brasil é um dos piores lugares do mundo para estrangeiro viver, diz relatório

Folha de São Paulo

Pelo quarto ano consecutivo, o Brasil aparece entre os piores lugares do mundo para um estrangeiro viver e trabalhar. Com desempenho desastroso em critérios como segurança e bem-estar, o país ocupa a 61ª posição entre as 64 nações avaliadas.

Os dados fazem parte da pesquisa Expat Insider 2019, um levantamento anual realizado pela rede InterNations, uma comunidade online formada por pessoas que moram fora de seus países de origem.

A pesquisa feita pela internet colheu respostas de cerca de 20 mil pessoas de 182 nacionalidades.

Embora vá bem em critérios como amabilidade da população e facilidade para ter um encontro romântico, o Brasil vai mal na maioria das subcategorias analisadas, ficando entre os dez piores desempenhos em três de cada cinco quesitos.

Entre os estrangeiros que vivem no Brasil e responderam à pesquisa, há uma sensação generalizada de insegurança pessoal e custos altos, que se traduz também na qualidade de vida familiar, onde o país aparece com o pior desempenho entre os países analisados.

“Chocantes 61% [dos estrangeiros] classificam sua segurança pessoal como ruim, comparado a apenas 9% globalmente”, assinala o documento.

Enquanto a segurança derruba os resultados, a “amabilidade dos brasileiros” é considerada bastante positiva. A barreira do idioma, no entanto, é algo assinalado pelos estrangeiros, que afirmam, de maneira geral, que os que não dominam o português têm dificuldades sérias para se integrarem.

O custo de vida elevado e a economia, cuja recuperação anda a passos lentos, são outras queixas sobre o país.

“Os expatriados parecem ter dificuldades com suas finanças pessoais no Brasil, com o país na 50ª posição no respectivo índice. Em parte, isso pode ser devido aos altos custos de vida: 43% dos entrevistados expressam estar descontentes com os custos (contra 34% no mundo)”, diz o texto.

“Embora a mesma parcela de expatriados globalmente e no Brasil (49%) expresse que sua renda familiar disponível é mais que suficiente para cobrir os custos diários, 17% dos expatriados que trabalham no Brasil também dizem que sua renda é muito menor do que seria no país de origem (contra 9% no mundo)”, completa o relatório.

O acesso e os custos da educação também são considerados um problema. Segundo o documento, apenas 19% dos estrangeiros estão satisfeitos com a educação infantil no país.

“Menos de dois terços dos expatriados que são pais (64%) estão felizes com a vida familiar em geral, algo notavelmente abaixo da média global de 79%. O Brasil também fica em penúltimo lugar para a segurança das crianças, com apenas 35% de satisfação, 46 pontos percentuais abaixo da média global de 81%”, avança o relatório.

Enquanto isso, Portugal aparece na ponta da tabela. O relatório coloca a nação ibérica como o melhor país da Europa —e o terceiro no ranking geral, liderado por Taiwan e Vietnã— para um estrangeiro viver.

Em 2018, os portugueses estavam em sexto lugar.

Qualidade de vida, segurança e custos baixos impulsionaram o bom desempenho lusitano.

“Portugal é o destino ideal para se estabelecer rapidamente e se sentir em casa no exterior. Graças ao clima maravilhoso e a uma ampla variedade de atividades de lazer, os expatriados estão mais do que satisfeitos com sua nova vida: um em cada três acha que se mudar para o exterior os deixou muito mais felizes”, diz o relatório.

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