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Como evitar criar locais de romaria para fascistas?

DW África

Portugal debate a criação de um museu sobre Salazar e o Estado Novo, na terra natal do ditador, Santa Comba Dão. Mas os críticos temem que o local se torne num “santuário” para fascistas. Como evitar que isso aconteça?

Uma exposição sobre o ditador Adolf Hitler? Na Alemanha? Em 2010, o Museu Histórico Alemão, em Berlim, quebrou tabus com a exposição “Hitler e os Alemães”.

Foi a primeira vez que um museu alemão focou a relação do ditador nazi com a sociedade. Na exposição questionava-se como foi possível a Hitler chegar ao poder e por que motivo tantas pessoas o apoiaram.

Colocar Adolf Hitler em grande plano numa exposição tem os seus riscos. Por isso é que, até 2010, poucas pessoas se atreveram a fazê-lo, segundo a historiadora Simone Erpel: “Havia o medo de se reativar uma espécie de culto ao líder. Estamos a falar de uma exposição com vários objetos: uniformes, suásticas, fotos, cartazes, ou seja, material de propaganda.”

Evitar um local de romaria

Erpel foi uma das pessoas que ajudou a criar a exposição “Hitler e os Alemães”. A curadora conta que, na altura, uma das grandes preocupações era que a exposição se tornasse num local de romaria para neonazis, interessados apenas em ver as relíquias do ditador.

Foi por isso que vários objetos pessoais de Adolf Hitler ficaram de fora. Foram precisos dois anos para preparar a exposição, e foram ouvidos vários especialistas na matéria, diz Erpel em entrevista à DW África.

“Não estávamos interessados em focar a biografia completa de Hitler, mas em mostrar como é que a sociedade o via e porque é que, nessa altura, ele teve essa oportunidade e conseguiu, do nada, derrubar o Governo alemão. Foi esse o foco”, acrescenta.

Contextualizar a história

Na Alemanha, o antigo local de férias de Adolf Hitler em Obersalzberg, nos Alpes, é hoje um centro de documentação sobre o regime nazi e sobre a perseguição e assassinato de seis milhões de judeus.

Em 2016, quando o livro “Mein Kampf” de Adolf Hitler voltou a ser publicado na Alemanha, veio numa edição em dois volumes, com 3.700 anotações e duas mil páginas. “É a tentativa de dar um enquadramento científico meticuloso, de contextualizar, de esclarecer as coisas de forma racional, onde é possível fazê-lo… Porque, no nacional-socialismo, há muitas áreas irracionais que vão além da compreensão humana”, explica o historiador alemão Dominik Geppert.

Em 2010, este enquadramento, com textos explicativos e fotos sobre o tempo antes, durante e depois do Terceiro Reich, terá contribuído para que a exposição “Hitler e os Alemães” não se tornasse um local de romaria: “Começa logo pelo título. Não se chamava ‘exposição Hitler’, mas ‘Hitler e os Alemães'”, afirma a historiadora Simone Erpel.

O caso de Predappio

Em Predappio, no centro-norte de Itália, aconteceu o contrário. O local de nascimento de Benito Mussolini, um aliado de Hitler, tornou-se local de peregrinação de fascistas. Quem já foi, conta que na localidade até havia souvenirs do “Duce” à venda.

Os críticos à abertura de um museu sobre António Salazar em Portugal lembram o exemplo de Predappio. Temem também que o museu, a ser criado em Santa Comba Dão, possa tornar-se um local de romaria.

Salazar não foi um ditador como Mussolini. E o seu regime também não se pode equiparar ao de Adolf Hitler, lembra o historiador alemão Arnd Bauerkämper: “É preciso distinguir os casos de Salazar e de Hitler. Salazar foi um governante autoritário, que cometeu crimes, mas numa dimensão muitíssimo menor do que o nacional-socialismo”. Mas “é claro que não se justifica perpetuar uma adoração a Salazar”.

“Não se deveria repetir o exemplo de Predappio”, refere o historiador à DW África. “Deveria recorrer-se a especialistas e envolver organizações da sociedade civil. Penso que este processo de debate garante que se crie, de facto, um centro de documentação ou de memória e não um local de culto a um ditador. Porque Salazar foi um ditador autoritário.”

A Câmara Municipal de Santa Comba Dão, em Portugal, rejeita a criação de um “santuário” para fascistas e garante que o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra fará a consultoria científica e tecnológica para o “Centro Interpretativo do Estado Novo”.

Em entrevista ao jornal português Público, o historiador João Paulo Avelãs Nunes, consultor do projeto, sublinhou que a ideia não é criar uma “casa-museu Salazar” para enaltecer o ditador, mas “um centro de interpretação, com grande grau” científico.

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