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Boris Johnson perdeu a maioria parlamentar

Deputado Philip Lee passou dos conservadores para os liberais democratas. Governo apoiado por conservadores e unionistas norte-irlandeses passa a ter o apoio de 320 deputados, um abaixo da maioria funcional

Segundo avança o Expresso, Boris Johnson sofreu um desaire ainda antes de começar a discursar, esta terça-feira, no Parlamento: o deputado Philip Lee, até hoje membro do Partido Conservador, sentou-se na bancada dos Liberais Democratas. Com esta troca o Governo do Reino Unido deixou de ter maioria na Câmara dos Comuns.

Deputado há nove anos pelo círculo de Bracknell, no sueste de Inglaterra, Lee explica que o partido a que aderiu em 1992 não é o partido que agora abandona. “Este Governo conservador procura agressivamente um Brexit danoso, agindo sem princípios”, acusou num comunicado. A seu ver, sair da UE sem acordo, como admite Johnson, “põe em risco vidas e formas de vida, desnecessariamente, além de colocar em perigo a integridade do Reino Unido”.

Sobre a sua nova casa política, afirma Lee que crê serem uma força política “unificadora e inspiradora, necessária para curar divisões e libertar talentos”. A líder dos Liberais Democratas, Jo Swinson, elogiou a experiência do novo aderente e frisou que este “partilha o compromisso de evitar um desastroso Brexit sem acordo e travar totalmente o Brexit”.

QUATRO DEPUTADOS ENGROSSAM BANCADA LIBERAL
Lee é o quarto novo deputado liberal em 2019, depois das adesões do ex-trabalhista Chuka Umunna, da ex-conservadora Sarah Wollaston e de Jane Dodds, que venceu uma eleição intercalar aos conservadores a 1 de Agosto e assumiu o lugar esta segunda-feira. O partido, que elegeu 12 deputados em 2017 e perdeu um que se tornou independente, tem agora 15 parlamentares.

O Governo de Boris Johnson passa, assim, a ser apoiado por 310 deputados conservadores e 10 do Partido Unionista Democrático (DUP) norte-irlandês, com quem tem um acordo de incidência parlamentar, mas um dos conservadores é secretário da Mesa da Câmara dos Comuns, pelo que não vota. Pela primeira vez desde 2010, os conservadores governam em minoria. Nesse ano David Cameron venceu eleições sem maioria e fez um acordo com os liberais. Em 2015, ganhou com maioria. Em 2017, Theresa May perdeu a maioria e socorreu-se do DUP.

Apesar de a Câmara dos Comuns ter 650 assentos, a maioria funcional não é de 326, mas de 320. Isto porque o speaker (que conduz os trabalhos) e os seus três secretários não votam e porque o partido nacionalista irlandês Sinn Féin, que tem sete lugares, não toma posse deles para não ter de jurar lealdade à rainha.

Com 319 deputados (entre conservadores e unionistas), Johnson lidera agora um Executivo minoritário. Isso mesmo frisou o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, ao reagir hoje ao discurso do primeiro-ministro no Parlamento, ao afirmar que o conservador “não tem mandato, não tem moral e, a partir de hoje, não tem maioria”. Ainda assim, há um deputado independente, Charlie Elphicke, que costuma votar alinhado com o Executivo.

A Câmara dos Comuns debate, esta tarde, uma moção para que amanhã seja admitida a discussão uma proposta de lei para impedir um Brexit sem acordo. Se a votação, prevista para as 22h, correr bem à oposição, amanhã debater-se-á esse projecto de lei, ao abrigo do qual, se chegar a 19 de Outubro sem acordo de saída, Johnson será obrigado a pedir novo adiamento à UE.

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