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“Não vejo o MPLA a ganhar em Luanda nas eleições autárquicas”

Expansão

Jurista, professor e escritor, José Carlos Almeida é o primeiro a avançar com uma candidatura para as próximas eleições autárquicas. Já tem uma bandeira, um hino e um slogan. Acredita que será o futuro presidente da Câmara de Luanda. Está a preparar-se desde 2013.

Apresenta-se como candidato a presidente da Câmara de Luanda, numa altura em que não está aprovado todo o pacote legislativo para as eleições autárquicas. Quais são as suas motivações?

Desde os 21 anos que sou bastante preocupado com a situação de Luanda. A desorganização que existe, e que foi feito pelas pessoas ao longo do tempo sempre me inquietou. Fizeram sem que o Poder as impedisse. Hoje pode dizer-se que esta má organização é por culpa das pessoas, mas também do Governo, responsável por inúmeras más decisões que levaram a este ambiente de construção anárquica, falta de condições de saneamento, valas a céu aberto entupidas de lixo, etc.

Isso pensam muitos luandenses. Mas quando é que deu um passo em frente? Quando assumiu essa vontade?

Em 2013 quando o ex-presidente José Eduardo dos Santos marcou pela primeira uma data para as eleições autárquicas. Na altura abdiquei do cargo de director nacional do Ministério do Ensino Superior e do lugar de porta-voz do ministério, fui convidado pelo já falecido Dr. Adão do Nascimento, para seguir este meu desiderato. Estou empenhado e muito interessado em que tenhamos uma capital ao nível do que acontece em outras cidades europeias.

Quando anunciou esta candidatura, que reacção recebeu das pessoas?

A partir do momento que apresentei a candidatura, as pessoas chegaram à conclusão que tenho condições e características, nomeadamente comportamentais para ser presidente da câmara. Desde dos tempos em que estudei em Portugal que acompanho o desenvolvimento local e a forma de exercer o poder autárquico. Por exemplo, veja os nossos prédios na cidade, totalmente sujos e desorganizados, sem elevadores, sem corrimões nas escadas, sem condições. Fico muito triste que pessoas com carros sofisticados tenham de morar naquelas condições. Este é apenas um exemplo…

Reorganizar Luanda é uma tarefa enorme…

Por vezes são apenas coisas simples. Por exemplo, veja-se o estado em que está a zona dos ministérios ali ao pé da Rádio Nacional. Chamaria as pessoas dos diversos ministérios para criar equipas de pudessem fazer uma requalificação. Bastaria coisas simples, fazer um muro, pôr uns muros, construir passeios e lancis. Coisas simples e tínhamos uma área organizada. Os governantes trabalham em lugares imundos. Não consigo perceber.

Já tem uma plataforma política para o apoiar nesta candidatura?

A minha candidatura é independente. Tenho muitos apoiantes, alguns empresários confirmaram que me vão apoiar. Mas fundamentalmente tenho muitas ideias para a capital. Já tenho uma bandeira, um hino e slogan “Juntos por Luanda. Melhorar Luanda”. Estou a apresentar os meus projectos, acho mesmo que estou em condições de ganhar. Também sinto que sendo independente estou melhor colocado para ser presente de todos os munícipes de Luanda.

Os partidos políticos já falaram consigo?

Não falaram. Mas sabem que me vou candidatar. Não quero ter ligações a nenhum, pois não quero ser depois chantageado por um partido que esteja no poder.

O País não tem tradição de candidaturas independentes.

Eu acredito que está a haver uma mudança de mentalidade. As pessoas já chegaram à conclusão que não é preciso ser de determinado partido para chegar a determinadas funções. Não é preciso cartão para trabalhar na administração. Existe esta liberdade e tenha a certeza absoluta que os cidadãos já aceitam candidaturas independentes. E mais, que as valorizam. Há muitas pessoas que estão no partido do poder que não querem que apresente a minha candidatura.

Mas é o do MPLA?
Sou. E se fosse para ser de outro partido já tinha sido. Fui convidado. Sou coerente. Não faria, por exemplo, aquilo que o Dr. Fernando Heitor fez. Fui educado a respeitar o partido. Mas a minha candidatura não é partidária.

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