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Comerciante fica sem dinheiro na sua conta

Mal a conversa começa, o telefone de Cláudia Natália toca. Uma interrupção na conversa. O volume está em “viva voz”, e do outro lado uma voz soprano ganha audiência de toda a família, mobilizada para receber a reportagem do Jornal de Angola. Uma “Boa Nova”: “envia-me, por favor, a conta bancária, vou fazer algum depósito para pagar a renda de casa”.

Os rostos desabrocham-se de alívio. Uma alma caridosa promete depositar uma quantia, para pagar a dívida de renda de três meses. Mas a família não arreda o pé da minúscula sala da casa, desprovida de quintal. Cláudia Natália agradece várias vezes e desliga.

Ela mudou-se para o Zango, por ser mais barata a renda de casa, logo que observou o sufoco, causado pelo sumiço do dinheiro da sua conta no BFA – Banco de Fomento Angola.

O dia 9 de Setembro de 2013 está cravado na memória de Cláudia Natália. Foi nesta data que a comerciante se deslocou ao banco, com o objectivo de levantar uma quantia para desalfandegar certa mercadoria, mas para espanto encontrou “zeros” na conta. A valentia da mulher transformou-se em tédio, quando recebeu do BFA a informação de que o dinheiro foi debitado da sua conta por divergência e insuficiência de assinaturas.

Cláudia diz que bateu muitas portas, incluindo a do Serviço de Investigação Criminal (SIC) e de pessoas amigas, gritando por socorro pelo sumiço do dinheiro.

A Associação Angolana de Defesa do Consumidor tomou a peito o caso entre 2013 e 2016, mas foi literalmente ignorada. Por esta razão, a organização pediu auxílio de dois advogados. O caso está, há um ano, no Tribunal, mas como conta Cláudia Natália, “o processo ficou enterrado. “Paguei os honorários, mas infelizmente o Tribunal nunca me chamou”, acrescenta, enquanto mostra o documento da justificação do BFA sobre o sumiço do dinheiro.

“Tenho filhos para sustentar, quero que o BFA se responsabilize e devolva o que é meu”, implora com lágrimas maculadas de dor a escorrerem o rosto.

Cláudia Natália nunca mais foi recebida pelo banco, mas a advogada pede para aguardar a notificação do Tribunal.
A última mercadoria que Cláudia trouxe da China, avaliada em 15 mil dólares, foi leiloada por falta de dinheiro para desalfandegar. Nem a venda do carro lhe valeu. “Pensei que enquanto durasse a viagem o banco teria desbloqueado a minha conta, mas não, perdi os contentores”.

Um vídeo espalhado pela comerciante na semana passada, nas redes sociais, a expor o problema, valeu-lhe infelizmente duas ameaças. Os números de telefone 942612993, 942612811, fizeram fortes ameaças a Cláudia Natália, que diz entregar a sua situação a Deus.

O BFA, em comunicado dirigido à TPA, refere que as informações sobre clientes constituem matéria sujeita ao sigilo bancário nos termos da Lei de Bases das Instituições Financeiras. Entretanto, só podem ser reveladas mediantes despacho de um magistrado, por isso não é possível prestar esclarecimentos.

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