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Livro “Além da Noite” de João Tala lançado a 3 de Setembro

No dia 3 de Setembro de 2019 (3ª feira) pelas 18H30, no CAMÕES/CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (Av. de Portugal nº 50) será lançada a obra “ALÉM DA NOITE” da autoria de João Tala.

“ALÉM DA NOITE”, segundo o Autor, “é uma obra que constituída por duas novelas curtas, num cenário de contexto pós-guerra, vivido nos subúrbios (musseques) de Luanda. Num estilo entre o realismo, o fantástico e, quiçá, o surrealismo”.

O personagem principal, de seu nome Samuel, vai desfiando memórias, que cruzam tempos e factos, passados e presentes, evocando pessoas, sentimentos e afectos.

Diz o narrador “Chamo-me Samuel, igual ao meu pai que me pôs o próprio nome. Não falei meu nome antes porque ninguém se importa comigo, ademais circulando na feira ou sentado no barengue do Teixeira. São todos Kambas de ocasião, não perguntam o nome, família ou o nosso emprego. Nasci no Lwena no começo da década 80. Meus pais são daqui mesmo, com minha mãe já falecida”.

As várias mulheres da sua vida ocupam um lugar de destaque na obra. A sua mãe Negra, “uma mulher de aspecto solto e com uma retinta aparência mais negra que o negro (ela adorava essa insinuação). Não tinha rugas de velha, mas os cabelos estavam mais embranquecidos.

A Negra – assim o seu qualificativo preferido – chegava entusiasmada, mas fatigada pela travessia num milénio de ressaibos, cheio de décadas ríspidas”. A Joana João do botequim do António Teixeira, sua primeira paixão, a Famélia Kafundanga, amor da sua vida, “cantora de semba ainda bonita e harmoniosa só que mais velha, fatigada com a história do país e sem mais aquele toque musical que morreu no confronto com o tempo”. Kavila, a nora escolhida pela mãe Negra para lhe dar os filhos de amanhã, “foi como um achado”.

O autor vai destilando ao longo da narrativa alguma desilusão pessoal e colectiva “meu caminho é o tempo de qualquer noite porque tenho uma vida parda. Sou o gato da noite. Sempre ando de pensamentos escuros, sou o resíduo da tropa e desperdicei mil combates (…).

Percorria o Rangel, o Marçal, a Cuca e o Sambizanga – bairros de pobreza – com raiva dele ou a que os outros depositavam nele, ajudando a gritar os desesperos dos passamentos angolanos….Uma voz mais preta do que o luto dos desalentados (…)”.

João Tala nasceu em Malange, em 1959. É poeta, ficcionista e médico de profissão. É membro da União dos Escritores Angolanos (UEA). Iniciou a sua actividade literária no Huambo, onde cumpria o serviço militar e foi co-fundador da Brigada Jovem de Literatura. Em 1997, publicou a sua primeira obra de poesia “A Forma dos Desejos”, que arrebatou o Prémio “Primeiro Livro da UEA” e o primeiro lugar dos Jogos Florais do Caxinde.

Em 2000, publicou a obra de poesia “O Gasto da Semente”, que arrebatou a menção Honrosa do “Prémio Sagrada Esperança”. Em 2003, publicou “A Forma dos Desejos II” Em 2004, “Os Dias e os Tumultos”- contos, que ganhou o Grande Prémio de Ficção da UEA. Em 2005, publicou a obra de poesia “A Vitória é uma Ilusão de Filósofos e de Loucos”, que arrebatou o Grande Prémio Poesia da UEA. Em 2009, publicou a obra de poesia “Forno Feminino”. Em 2011, publicou “Rosas Munhungo” – contos. Em 2013, publicou a obra de poesia “Insónia”.

(Nota enviada ao Portal de Angola com pedido de publicação)

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