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Jornal japonês destaca mudanças operadas pelo Governo angolano

Suplemento é publicado na edição de quarta-feira do jornal diário “The Japan Times” (DR)

Um dos maiores jornais japoneses, o “The Japan Times”, publica, na edição da próxima quarta-feira, um caderno especial de seis páginas, dedicado a Angola, com ênfase para as mudanças em curso nos mais variados sectores.

Segundo o Jornal de Angola, lançado em 1897, com o propósito de dar aos japoneses a oportunidade de ler e discutir notícias e acontecimentos actuais em inglês e ajudar o Japão a participar da comunidade internacional de forma mais integral, o diário “The Japan Times” publica a matéria exactamente no dia em que inicia, em Yokahama, a 7ª Conferência Internacional de Tóquio Sobre o Desenvolvimento de África (TICAD7), com a presença do Presidente angolano.

Além de entrevistas com ministros e outros responsáveis dos sectores, o diário japonês recorre a dados de várias instituições de renome mundial para mostrar o que considera uma “transformação dramática” em curso em Angola, desde Agosto de 2017, quando o Presidente João Lourenço assumiu o poder.
Citando o Departamento de Estado dos EUA, o Jornal afirma que, desde então, o Presidente João Lourenço vem “melhorando a imagem internacional de Angola, como resultado da sua ampla agenda de reformas e vontade de engajar-se com a comunidade internacional”.

Ao traçar o perfil do Presidente João Lourenço, “The Japan Times” lembra que o antigo ministro da Defesa, de 65 anos, encontrou um país que sofria de falta de facilidade de negócios, inadequação financeira, administrativa e de infra-estrutura e altos índices de corrupção. Para ajudar a atrair novos parceiros de investimento, escreve o jornal, o Presidente João Lourenço decretou um combate cerrado à corrupção, que considera um “flagelo na sociedade”, além de adoptar medidas para tornar o sector público mais eficiente e transparente, melhorar a estabilidade macroeconómica e a competitividade de Angola. Ao mesmo tempo, o Banco Nacional de Angola trabalha na adequação do sistema financeiro do país aos padrões internacionais.

“Muitos observadores internacionais estão maravilhados com os passos que João Lourenço já tomou para alcançar os objectivos, num país onde a impunidade grassa e grande parte da riqueza é controlada por uma elite minoritária”, lê-se na publicação, destacando que, na luta contra a corrupção, nepotismo e impunidade, o Presidente demitiu funcionários seniores de longa data de organizações-chave, como o Banco central, a petrolífera Sonangol e o Fundo Soberano do país.

Outras áreas na “mira” do Presidente João Lourenço, no quadro desse programa, são as minas, agricultura, indústria, materiais de construção, informação e tecnologias de informação, processamento alimentar, têxteis, educação e saúde.

“Vamos avançar com um programa de promoção de exportações e substituição de importações, onde o actor principal será o sector privado”, escreve o Japan Times, citando palavras do terceiro Presidente da República de Angola, no poder desde Setembro de 2017.

Entre as personalidades entrevistadas, estão o ministro da Comunicação Social, João Melo, dos Transportes, Ricardo d’ Abreu, da Justiça e dos Direitos Humanos, Francisco Queiroz, das Finanças, Archer Mangueira, o governador do Banco Nacional de Angola, José de Lima Massano, além do antigo titular da pasta da Economia e Planeamento, Pedro Luís da Fonseca.

Ambiente de negócios
Um dos entrevistados é o ministro da Comunicação Social. João Melo oferece uma visão geral do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN), a ser implementado entre 2018 e 2022, tem projectos avaliados em 97 mil milhões de dólares.

O diário destaca, também, que o Governo introduziu rapidamente o Programa de Estabilização Macroeconómica e o PDN, para incentivar, ainda mais, o envolvimento do sector privado na economia e anunciou planos para privatizar dezenas de empresas estatais que operam em vários sectores.

Outra das mudanças apontadas tem a ver com a nova Lei do Investimento. O jornal destaca os factos de o documento ter sido produzido com consultas ao sector privado e eliminar a exigência de investidores estrangeiros formarem parcerias com empresas locais, eliminação do valor mínimo de investimento. Destaca, ainda, o facto de os investidores poderem repatriar lucros, o que, segundo a publicação, justifica melhoria a ambiente de negócios em Angola, reconhecido com a subida de nove posições no “Doing Business” do Banco Mundial.

class=”bold”>Investimentos
O jornal “The Japan Times” afirma que o investimento directo estrangeiro em Angola está em ascensão. A título de exemplo, em relação ao Japão, a publicação avança que a Trading Toyota Tsusho e a Agência de Crédito à Exportação do Banco do Japão para a Cooperação Internacional assinaram, em Janeiro, um acordo de 650 milhões de dólares, para desenvolver um porto no Oceano Atlântico, perto da fronteira de Angola com a Namíbia.

Investimentos como este, revela o jornal, marcam o retorno ao cenário mundial deste país de rendimento médio, que abriga cerca de 30 milhões de pessoas e com abundante riqueza de recursos naturais.

O jornal lembra que Angola é o oitavo maior exportador mundial de petróleo, com uma produção de 1,7 milhões de barris por dia e a terceira maior economia da África Subsaariana.

Sublinha, ainda, que Angola é o quinto maior produtor mundial de diamantes, com 60 por cento das suas reservas ainda a serem explorada, além de ser rico em gás natural, ferro, fosfatos, cobre, ouro, manganês, terras agrícolas e fontes de água, que oferecem um potencial significativo para hidroeléctricas e geração de energia limpa.

Apesar desta variedade de recursos, acrescenta o jornal, a economia angolana ainda é dependente do petróleo, desde que alcançou a paz duradoura, em 2002, após uma guerra civil que afectou o país, desde a independência, em 1975.

Colaborações crescentes
O Japão vê a Angola rejuvenescida como parceiro chave no continente africano, embora os países tenham um extenso histórico de colaboração. Desde 2002, por exemplo, a “Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) tem promovido parcerias com Angola em vários sectores, através de apoio financeiro, transferência de tecnologia e treino nas áreas da educação, saúde, agricultura, indústria, energia e infra-estrutura”, disse o embaixador em Angola, citado pelo jornal.

A Marubeni Corp. reabilitou três fábricas têxteis angolanas, num projecto de mil milhões de dólares financiado pelo JBIC, em 2016. O JBIC também financiou a instalação do Cabo submarino que facilita a transmissão de dados a alta velocidade entre a África e a América Latina.

Publicação mostra uma “cooperação com Japão reforçada
O jornal traz também uma entrevista do embaixador do Japão em Angola, Hironori Sawada, que destaca o bom momento da cooperação entre os dois países. “Angola tem um enorme potencial económico. Muitas mudanças estão a ocorrer sob o novo governo do Presidente Lourenço, que está a fazer grande esforço para corrigir as fraquezas do país e aumentar as suas vantagens competitivas ”, disse o diplomata.

“Tenho o maior respeito pelas acções do Presidente para implantar políticas económicas e reformas administrativas, a fim de criar um melhor ambiente de negócios e atrair investimentos”, disse, para acrescentar: “estou convencido de que esses esforços produzirão resultados positivos”.

O diplomata garantiu que o Japão está pronto para fortalecer as relações entre os dois países. “Há indicações claras de que isso já está a acontecer, com várias interacções a ocorrer entre os dois países em todos os níveis”, disse o embaixador.

O embaixador encoraja as oito firmas do seu país que operam em Angola e os futuros homens de negócios a estabelecerem parcerias com empresários locais, aproveitando a nova Lei de Investimento Privado no país, “que permite aos investidores estrangeiros operar independentemente”.

Segundo o embaixador, acrescenta o jornal, o Governo de Angola manifestou interesse na participação do Japão num concurso para a construção de uma refinaria de petróleo no Lobito, província de Benguela, num projecto estimado em seis mil milhões.

Hironori Sawada pediu igualmente um levantamento do potencial de um projecto energético no norte de Angola e a construção de infra-estruturas de transmissão de electricidade no sul, além de uma importante iniciativa de produção de algodão, adianta o embaixador.

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