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João Lourenço: Entre críticas em Angola e elogios internacionais

O Presidente João Lourenço tomou posse a 26 de Setembro de 2017. (DR)

O Presidente João Lourenço tomou posse a 26 de Setembro de 2017. A um mês de completar dois anos na presidência de Angola, multiplicam-se as críticas dos cidadãos, mas também os elogios da comunidade internacional.

Angolanos ouvidos pela DW África em Luanda dizem que as reformas em curso no país não trouxeram nada de novo até agora. No entanto, um analista angolano vê com bons olhos os aplausos do Banco Mundial e dos Estados Unidos, apesar de reconhecer que “muito ainda deve ser feito”.

Jesus Domingos vive no município da Matala, na província angolana da Huíla, mas encontra-se em Luanda por alguns dias. É um dos cidadãos que não veem na prática as reformas em curso em Angola, elogiadas pela comunidade internacional.

“Pode ser elogiado pela comunidade internacional, mas enquanto não resolver os problemas da fome na região sul, estou a falar da província da Huíla concretamente, na região dos Gambos, Umpata, Matala, Mulondo”, enumera Domingos, acrescentando que enquanto João Lourenço “não resolver os problemas de saneamento básico, água, luz e desemprego, a sua governação será negativa e pode condicionar a sua renovação de mandato”.

Também Fábio Mbaxi, outro cidadão angolano residente em Luanda, não observa melhorias na vida do cidadão. “Reforma é nós termos água e luz em casa; termos emprego, saúde e educação. Isso é que é reforma. Reforma para os brancos verem, não. Não precisamos disso”, pontua.

“Cansados de esperar”

Inocêncio de Brito, activista cívico do conhecido “caso dos 15+2”, reconhece que o Presidente João Lourenço encontrou Angola numa situação de crise, mas “as pessoas estão cansadas de esperar”, explica.

“Essas reformas ainda não são sentidas. Eu percebo que o Presidente pode ter encontrado o país numa situação caótica, mas as pessoas estão cansadas de esperar”.

Para o activista, “enquanto se fazem as reformas, as pessoas estão a morrer de fome. Estão a morrer porque não conseguem sustentar as suas famílias. Então, esse problema é de carácter urgente. As reformas ainda não se fazem sentir nas nossas vidas e o povo está cansado de esperar e precisa de solução já”, ressalta.

Já Osvaldo Mboco, analista angolano e professor de Relações Internacionais, concorda que “muito ainda deve ser feito”. “Desde as estradas, as linhas férreas, as infraestruturas de apoio ao comércio, a própria energia eléctrica, a redução de excesso de burocracia, etc, etc”.

Jovens contra o desemprego

Estes e outros problemas fazem as críticas subirem de tom. No último sábado (24.08), por exemplo, centenas de jovens manifestaram-se em Luanda e noutros pontos do país para exigir do Presidente João Lourenço o cumprimento da promessa eleitoral de criar 500 mil postos de trabalho até 2022.

“Queremos nosso emprego” e “mostra o marimbondo… Está ali, está ali”, foram alguns dos cânticos da marcha do desemprego.

O Presidente angolano tomou posse a 26 de Setembro de 2017. Falta um mês para completar dois dos cinco anos do seu mandato.

Osvaldo Mboco considera legítimas as manifestações, mas reconhece a existência de políticas públicas por parte do partido no poder, o MPLA, para reduzir o índice do desemprego. Segundo o analista, “há uma estratégia por parte do Executivo de atrair maiores investidores para reduzir significativamente o índice de desemprego”.

Elogios da comunidade internacional

Os elogios do Banco Mundial, dos Estados Unidos da América, bem como de algumas organizações africanas pela mediação do acordo entre Ruanda e Uganda, e as reformas que o Presidente angolano está a implementar em Angola “vão atrair investidores internacionais e criar maior ambiente de negócio no país”, avalia Osvaldo Mboco.

“Isso credibiliza ao nível internacional o país e branqueia a sua imagem que durante algum tempo esteve maculada com os piores índices de corrupção ao nível mundial. E essa credibilidade sem sombra de dúvidas faz com que o Estado consiga atrair maiores investidores para o mercado angolano, tendo em linha de atenção os vários esforços que o Estado angolano tem feito para melhorar o ambiente de negócio”.

Osvaldo Mboco acrescenta que as reformas levadas a cabo pelo Governo angolano no sector da economia e finanças, assim como no sistema fiscal e cambial, reflectem-se também na revisão da legislação.

Mboco cita “a lei da própria concorrência que foi aprovada, que retira basicamente os monopólios e que permite com que outras empresas possam concorrer e operar no território nacional na mesma proporção de igualdade”. O analista explica que houve uma alteração da lei de investimento estrangeiro, “que tinha alguns artigos que, do ponto de vista de atracção, era prejudicial para o investidor estrangeiro que de alguma forma inibia. E a isenção de vistos para investidores”.

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