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Crédito malparado entre as discussões

Presidente do Conselho de Administração da Associação de Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Armindo César (Fotografia: Angop)

Jornal de Angola | Hélder Jeremias

A procura de um mecanismo eficaz para solucionar a questão do crédito malparado contraído pelos operadores junto das instituições bancárias nacionais será um dos temas de abordagem no 1º Congresso sobre Hotelaria e Turismo, que Luanda acolhe de 26 a 29 de Setembro.

A informação foi avançada pelo presidente do Conselho de Administração da Associação de Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Armindo César, durante a cerimónia de apresentação do certame que vai decorrer em paralelo com a 1ª Expohotel Angola, manifestando-se solidário com a preocupação dos associados. O empresário recordou que o sector hoteleiro angolano atingiu o seu auge, em 2010, altura em que o país acolheu o Campeonato Africano das Nações em futebol, para o qual os operadores fizeram recurso a empréstimos avultados a fim de dotarem as instalações de condições à altura das exigências, num cenário que apontava para a viabilidade dos investimentos, face à grande procura por serviços que caracterizava o mercado.

A alteração da conjuntura económica, resultante da queda do preço do petróleo e consequente escassez de divisas, segundo esclareceu Armindo César, afectou, de forma severa grande parte dos operadores nacionais, confrontados com a inflação e a drástica redução da entrada de turistas no país.

O presidente da AHRA defendeu um “meio-termo”, isto é, a renegociação da dívida entre as instituições bancárias e os devedores, de modo que todos saiam beneficiados da situação, que considera ser de “força maior”, mas advertiu para a necessidade de uma postura pautada pelo compromisso no cumprimento dos termos da negociação.

Os indicadores para o sector de Hotelaria e Turismo permitem vislumbrar dias melhores, tendo em conta as acções levadas a cabo pelo Executivo assentes na melhoria do ambiente de negócios, abertura ao investimento e outros factores que concorrem para o aquecimento da economia, sendo necessário gerar uma oferta de serviços de qualidade e preços compatíveis.

“São várias as preocupações apresentadas pelos nossos associados e a questão do crédito malparado está elencada entre as mais prementes, visto que os valores foram aplicados na altura em que o sector vivia o apogeu, num contexto em que, além do país ter a responsabilidade de acolher a maior competição desportiva ao nível do continente, o número de turistas e cidadãos estrangeiros era muito expressivo. Acreditámos que a solução do problema passa pela negociação da dívida entre credores e devedores, salvaguardando o interesse de ambas as partes”, propôs Armindo César.

A pouco menos de um mês do arranque do Congresso e da Expohotel, a comissão organizadora perspectiva uma forte interacção entre os participantes, a avaliar pela adesão dos operadores nacionais, pelo que a instituição continua aberta aos operadores anónimos, pois o certame visa dar visibilidade ao trabalho desenvolvido no país.

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