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Presidente timorense pede mais apoio para ex-combatentes traumatizados e excluídos

RTP|Lusa

O Presidente da República timorense defendeu hoje mais esforços para apoiar ex-combatentes deficientes, traumatizados física e mentalmente, idosos e carenciados, excluídos socialmente que “vivem em crise permanente”.
“É inegável o que tem sido feito, mas muito resta por fazer em apoio de combatentes deficientes, traumatizados física e mentalmente, idosos, carenciados, excluídos socialmente. Eles vivem em crise permanente”, afirmou Francisco Guterres Lu-Olo.

“Não há tempo a perder. O apoio de que necessitam para garantir uma velhice condigna aos que se bateram pela pátria se vier amanhã será tarde”, disse em Díli.

Francisco Guterres Lu-Olo falava nas cerimónias oficiais que assinalam hoje o 44.º aniversário das Falintil, o braço armado da resistência timorense à ocupação indonésia e que foi o alicerce das atuais Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

Repetindo recados em intervenções anteriores, Lu-Olo admitiu a complexidade de lidar com as questões dos veteranos e ex-combatentes da luta contra a ocupação indonésia, afirmando que é de “elementar justiça” tanto “honrar a memória dos mártires” como “cuidar da dignidade dos vivos e da resolução dos problemas” com que vivem.

“Estou consciente das dificuldades. Tenho presentes as adversidades”, afirmou.

Para o chefe de Estado a cerimónia de hoje deve também ir além da homenagem, recordando o espírito das Falintil para procurar “inspiração, a força e a determinação para prosseguir na longa epopeia rumo ao desenvolvimento social e bem-estar, à libertação da pobreza do povo”, à consolidação da autoestima e à unidade de ação.

“A jornada é ainda longa rumo à nossa libertação da pobreza, desenvolvimento económico e social. Muitas são ainda as necessidades básicas a satisfazer, mas estamos empenhados em renovar o nosso compromisso de honra para continuarmos a valorizar esse legado, lutando e vencendo esses desafios da atualidade, sempre unidos e a construir a nossa prosperidade em paz”, afirmou.

“Hoje, evoca-se esse passado difícil, mas glorioso, mas também o futuro que queremos em segurança, com desenvolvimento económico e social, em paz, liberdade e com sentido patriótico”, sustentou.

Um dia que “faz parte da memória coletiva” dos timorenses e que assinala o momento, há 44 anos, quando “os militares timorenses responderam, no quartel-general português, em Taibesse, ao apelo para a insurreição geral armada” lançado cinco dias antes pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

O braço armado da Fretilin — partido que declarou unilateralmente a independência de Timor-Leste a 28 de novembro — transformou-se depois numa força apartidária, como braço da resistência à ocupação indonésia entre dezembro de 1975 e 1999.

“É por devoção e para evocação de uma data que representa para todos nós timorenses o momento para expressar o respeito e a profunda homenagem ao sacrifício de um povo e dos seus combatentes da libertação nacional que, com determinação, firmeza e bravura, durante 24 anos de luta, nos levaram à conquista da nossa liberdade e independência”, disse.

Lu-Olo – que foi ele próprio membro das FALINTIL — recordou a geração que lutou pela independência, pela “reconstrução nacional e na defesa e valorização da história comum de luta e de afirmação” dos timorenses.

“Nenhuma pátria que se respeite pode esquecer a dedicação e o sacrifício de toda uma geração que, por ela, tudo deu”, disse.

“Hoje reavivamos a memória, homenageamos uma geração, um povo e os seus combatentes. Hoje evocamos o esforço, a determinação e o sofrimento do nosso amado povo que quis que o seu sonho de libertação e independência se tornasse realidade”, afirmou.

As cerimónias contam com a presença das principais individualidades do país, incluindo o presidente do Parlamento Nacional, Arão Noé Amaral, do primeiro-ministro, Taur Matan Ruak, e do presidente do Tribunal de Recurso, Deolindo dos Santos.

Entre os presentes estão também o chefe do Estado-Maior General das FALINTIL – Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL), Lere Anan Timur, e do seu homólogo português, António Silva Ribeiro, que conclui quarta-feira uma visita a Timor-Leste.

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