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Moradores do Quimbele sofrem com falta de bancos e serviços financeiros

Avenida principal do município do Quimbele sem nenhuma agência bancária (DR)

VOA | Danielle Stescki

Em entrevista à Voz da América, o activista Rey Daddyx Manda Chuva contou que se um funcionário público ou privado quiser levantar valores, fazer depósitos ou transferências bancárias, precisa percorrer de 60 a 270 quilómetros para encontrar um banco estatal ou privado.

A província do Uíge está entre as mais populosas de Angola, com 1.6 milhões de habitantes. De acordo com dados da última actualização da rede bancária feita pela Associação Angolana de Bancos, há 41 agências distribuídas na província do Uíge e um total de 2102 agências em Angola.

Embora haja muitas agências bancárias no país, os quimbelenses não têm acesso a esse serviço.

Manda Chuva explicou que devido à falta de bancos é muito complicado ajudar familiares em Quimbele.

“Se alguém está doente e precisa de um valor para evacuar ou pagar um táxi, isso é difícil”.

O facto de não haver nenhuma agência bancária do Banco de Poupança e Crédito (BPC) no município, faz com que o activista considere isso incompreensível, já que o BPC é de propriedade do governo.

“Nunca tivemos uma informação porque o governo se mantém calado enquanto o Quimbele vive momentos difíceis”.

O Uíge é a sétima maior praça eleitoral do país, com 495.453 votantes registados, mas alguns municípios da província parece terem sido esquecidos pelo governo durante o tempo de paz em Angola, conforme Manda Chuva.

Segundo o activista, em quase 18 anos de paz os estudantes quimbelenses continuam a perder aulas no final do mês, pois os professores precisam viajar dezenas ou até centenas de quilómetros para levantar os ordenados. Os doentes ficam sem ter acessos aos profissionais da saúde, os gestores públicos são vistos em filas de espera na sede provincial do Uíge ou em M’Banza Kongo, província do Zaire.

“Quando chega o final do mês todo mundo quer ter algum valor no bolso. Se o Quimbele não tem bancos é claro que as pessoas não ficam em Quimbele.”

O activista concluiu a entrevista dizendo que vai continuar a trabalhar para que o município do Quimbele melhore.

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