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Caça de elefantes: Países que integram o projecto Okavango-Zambeze vão à Suíça propor levantamento da proibição

Os cinco países - Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe - integram o projecto transfronteiriço de desenvolvimento Okavango-Zambeze (DR)

Os cinco países – Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe – que integram o projecto transfronteiriço de desenvolvimento Okavango-Zambeze, área geográfica que alberga a maior população de elefante africano em todo o continente, vão, em conjunto, pedir o levantamento da proibição de caça ao elefante na próxima reunião da Cites, que tem lugar este fim-de-semana, na Suíça.

A Cites, escreve o NJOnline, que é a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção, formalizada em Washington e agrega mais de 180 países, foi assinada pelos cinco países que integram o projecto Okavango-Zambeze, também denominado KAZA -TFCA, na sigla em inglês, mas, numa reviravolta recente iniciada pelo novo Presidente do Botsuana, Mokgweetsi Masisi, este grupo sub-regional pretende reverter o que determina a Cites.

O objectivo é poder voltar a promover o turismo de caça ao elefante e, como é usado para justificar a medida, proteger as comunidades locais e projectos agrícolas do efeito do excesso de população deste gigante africano.

E é já na 18ª Conferência da Cites, que começa no Sábado, em Genebra, Suíça, que Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe querem ver esta proibição extinta, pelo menos parcialmente, para voltar a poder caçar elefantes nos seus territórios.

O Presidente do Botsuana, Masisi, foi o primeiro a levantar a voz contra as restrições existentes, justificando com o excesso de elefantes no seu país, que se estima albergar a maior população destes paquidermes africanos – cerca de 130 mil – em todo o continente, seguindo-se-lhe o Presidente da Namíbia, Hage Geingob, que pretende obter autorização da convenção internacional para defender os seus agricultores e comunidades devido ao excesso de animais, bem como autorização para abater outras espécies, sendo que, neste caso, está envolvida a questão da seca prolongada que está a colocar em causa a própria vida dos animais selvagens.

Quanto a Angola, apesar de se saber que está ao lado dos restantes membros do CAZA-TFCA, depois da Cimeira do Elefante de Kasane, no Botsuana, que teve lugar em Maio, não se conhece qualquer posição pública do Ministério do Ambiente sobe este polémico assunto.

O que se sabe é que, por exemplo, enquanto na Namíbia, entre 1995 e 2018, a população de elefantes, animal que está no topo da lista das espécies africanas em risco de extinção, passou de 7.500 para mais de 24 mil, em Angola, estes animais não são mais de 3 mil, embora, no passado, o país tenha sido residência de uma das maiores populações de elefantes em África, com cerca de 70 mil na década de 1970, o que significa que, se nos vizinhos, pode estar a ser observado um aumento da população significativo, em Angola isso está longe de acontecer.

Em cima da mesa, para além do fim da proibição do abate de elefantes em “tours” de caça turística, estes países querem ainda poder vender nos mercados internacionais os stocks que possuem de marfim, muitas vezes em resultado de apreensões em acções de combate ao tráfico internacional, como sucede em Angola.

Alias, embora se desconheça a posição angolana, devido à escassa população de elefantes em território nacional, provavelmente é no que toca à exportação dos stocks de marfim que o Governo angolano mais interesse nesta matéria.

Na Suíça, uma dos pontos de maior interesse é conhecer quais as propostas das organizações de defesa da vida selvagem para mitigar eventuais efeitos negativos do excesso de população de elefantes em alguns territórios específicos, visto que essa não é, nem de perto nem de longe, a realidade do global continental, onde se observa o contrário, com esta espécie a passar por um severo risco de extinção devido, principalmente, à caça legal e à invasão do seu território pelas comunidades humanas.

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