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Catamarãs deixaram a Secil Marítima numa situação financeira difícil

(DR)

Mercado

A consultora Crowe adverte no relatório e contas que a continuidade das operações da Secil Marítima está dependente da manutenção do adequado suporte financeiro por parte do acionista Estado.

A Secil Marítima, empresa pública tutelada pelo Ministério dos Transportes, registou um resultado negativo em 2018 acima do resultado positivo que registou em 2017.

No ano passado a empresa contabilizou um prejuízo de 469,7 milhões Kz, quando um ano antes registou lucro de 408,6 milhões Kz.

O auditor do relatório e contas da empresa sublinha que a “empresa tem vindo a registar resultados negativos principalmente pela influência da operação da TMA-Transportes Marítimos de Angola, que geram uma situação líquida (capitais próprios) também negativa.

TMA Express, empresa tutelada pelo Ministério dos Transportes e que faz a gestão dos catamarãs, transportou até 21 de Setembro do ano passado 1,09 milhões de passageiros desde que começou a circular em 2014.

Em 2014 o número de passageiros foi de 252.318 e no ano seguinte, isto é, em 2015, o número subiu para 315.613. Mas, de 2015 até 2017 o número de passageiros tem vindo a registar uma queda vertiginosa. A empresa contabilizou 286.662 passageiros em 2016 mas este número caiu para 153.091 em 2017, uma queda de 53,4%.

Convertendo o número de passageiros em dinheiro, com base nos dados que o Mercado teve acesso em Outubro de 2018, ao preço médio de 250 Kz o bilhete de passagem, a TMA Express registou um prejuízo de 33,3 milhões Kz, cerca de 202 milhões USD ao câmbio de 165 Kz, praticado em Dezembro de 2017.

Ou seja, multiplicando o valor médio do bilhete de passagem pelo número de passageiros, a empresa que gere os catamarãs encerrou o ano de 2016 com uma facturação de 71,6 milhões Kz (434,3 mil USD ao câmbio fixo de 165 Kz) e caiu para 38,2 milhões Kz (231 mil USD) em Dezembro de 2017.

A tendência de queda começou a registar-se em 2015, um ano após da entrada em circulação dos catamarãs. No ano seguinte, isto é, em 2016, este número começou a cair e mantém a tendência de queda até a paralisação completa em finais de 2018.

Até 21 de Setembro de 2018, os catamarãs transportaram apenas 85.669 passageiros, ou seja, 55% do número de passageiros registados 2017, quando já só faltam praticamente três meses para o ano terminar.

A tendência de queda observou-se também no número de viagens efectuadas pelos catamarãs, que passou de 6.058 em 2016 para 5.420 viagens em 2017. Até 21 de Setembro de 2018 os catamarãs tinham efectuado apenas metade das viagens realizadas em 2017. Contudo, desde 2014 os catamarãs realizaram 20.775 viagens de ida e volta do Museu da Escravatura ao Porto de Luanda, passando pelo Capossoca e vice-versa.

A consultora Crowe adverte no relatório e contas que a continuidade das operações da Secil Marítima está dependente da manutenção do adequado suporte financeiro por parte do acionista Estado. “Adicionalmente, alertamos para a possibilidade de aplicação do artigo 37 da Lei das Sociedades Comerciais, sobre a perda de metade do capital”, diz o auditor do relatório e contas da empresa.

Porém, é pouco provável que o Estado volte a injectar dinheiro para a continuidade das operações da Secil, uma vez que faz parte do rol das 195 empresas do Programa de Privatizações de Activos do Estado apresentado esta semana.

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