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Acto pró-democracia leva centenas a aeroporto de Hong Kong

Protesto programado para atravessar o fim de semana visa sensibilizar visitantes estrangeiros para as manifestações pela democracia iniciadas há dois meses. Chefe de governo alerta para “efeito tsunami” sobre economia.

Segundo avança a DW, centenas de manifestantes iniciaram nesta sexta-feira (09/08) um protesto de três dias no aeroporto de Hong Kong para sensibilizar os visitantes estrangeiros para o movimento pró-democracia local, que está completando dois meses.

“Não somos agitadores, isto é uma tirania”, gritaram os activistas, alguns equipados com suas já emblemáticas máscaras e capacetes de obra. A acção foi prevista para se repetir neste sábado e domingo.

Em sua maioria vestidos de negro, a cor do movimento, os manifestantes se sentaram no chão da área de desembarque, com cartazes em chinês e inglês condenando a violência policial.

A Autoridade Aeroportuária de Hong Kong disse na quinta-feira estar ciente das manifestações, mas assegurou que “o aeroporto funcionará normalmente”.

Nesta sexta-feira, se completam dois meses do início das mobilizações, que começaram em 9 de Junho, em protesto contra um projecto de lei para permitir a extradição de acusados para a China continental, mas cujas reivindicações se ampliaram para pedir mais democracia e justiça.

A chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, alertou nesta sexta-feira que os protestos podem atingir a economia da cidade “como um tsunami”.

Cercada por líderes empresariais, Lam afirmou a repórteres que as empresas naquele centro financeiro asiático estão “muito preocupadas” com as consequências económicas, após se encontrar com 33 representantes de empresas locais.

“Tivemos dois meses de disputa política. Esta não é uma recessão cíclica. Além disso, a desaceleração está vindo muito rapidamente. Algumas pessoas descreveram como um tsunami”, ressaltou. “A recuperação económica levará muito tempo.”

Os protestos cada vez mais violentos também representam um dos desafios populistas mais sérios para o líder chinês Xi Jinping, em momento de acirrada guerra comercial entre a China e os Estados Unidos.

Dezenas de empresas alertaram para resultados económicos fracos, em meio a advertências diárias de administradores da cidade de que os protestos estão prejudicando a subsistência dos moradores e que Hong Kong pode estar rumando para uma recessão.

Lam disse que o Conselho Executivo da cidade irá na próxima semana retomar reuniões suspensas em meados de Junho para preparar “medidas ousadas” como resposta à situação.

Os activistas anunciaram uma série de marchas e protestos em toda a cidade durante este fim de semana, incluindo uma “passeata para as famílias”.

As semanas de manifestações representam a maior ameaça à autoridade de Pequim desde a entrega de Hong Kong aos britânicos em 1997.

À medida que os protestos se tornam mais violentos, vários países actualizaram os seus alertas de viagem para Hong Kong, como os Estados Unidos, que pediram nesta semana que seus cidadãos “tenham maior cautela”.

Dois meses de protestos

A ex-colónia britânica, devolvida à China em 1997, vai entrando no seu terceiro mês de tensão desde o início das gigantescas manifestações pacíficas em repúdio a um projecto de lei, apresentado pelo governo local, pró-Pequim, autorizando extradições para a China continental.

O governo de Hong Kong suspendeu os esforços de enviar a proposta ao Parlamento, mas o movimento se ampliou para exigir reformas democráticas amplas, rejeitando a influência de Pequim e a redução das liberdades em Hong Kong.

Sob os termos da devolução de Hong Kong à China, os habitantes do território semiautónomo gozam de direitos e liberdades ausentes no continente, como um Judiciário independente e liberdade de expressão.

Mas muitos afirmam que esses direitos vêm sendo restringidos, dando como exemplo o desaparecimento de livreiros dissidentes sob custódia na China continental, a desqualificação de políticos destacados e a prisão de líderes dos protestos pró-democracia.

O governo chinês havia deixado o governo de Hong Kong lidar sozinho com os protestos. Mas com a escalada da violência nas últimas semanas, sem que o movimento mostrasse sinais de enfraquecimento, Pequim começou a enviar sinais mais fortes de que pode intervir.

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