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País gastou 860 milhões USD na importação de carne e seus derivados em 2018

Mercado

A carne de porco e seus derivados ocupa a segunda posição. Foram gastos 100 milhões USD no ano passado para importar 115 mil toneladas de carne de porco.

Angola importou 1,6 milhões de toneladas de carne e seus derivados que custaram 860 milhões USD no ano passado, de acordo com um documento a que o Mercado teve acesso.

O maior volume e valor gasto regista-se na importação de carnes e miudezas de aves (galos, galinhas, patos e outros). No ano passado foram importados 1,2 milhões de toneladas e gastos 488 milhões USD neste tipo de carne.

A carne de porco e seus derivados ocupa a segunda posição. Foram gastos 100 milhões USD no ano passado para importar 115 mil toneladas de carne de porco.

Olhando para a evolução nos últimos três anos, as quantidades importadas e volume de divisas para a importação, quer de carnes e miudezas de aves quer todo o tipo de carne e seus derivados, tem vindo a aumentar. De 2017 para 2018 houve um aumento de 3% dos gastos com a importação de carne, tendo passado de um gasto anual de 831,8 milhões USD em 2017 para 860 milhões USD em 2018.

Entretanto, embora o valor gasto para a importação tenha registado um acréscimo, a quantidade importada registou uma variação negativa de 2%, tendo saído de 1,655 milhões de toneladas em 2017 para 1,624 milhões de toneladas em 2018.

Dados do Departamento de Mercados e Activos do Banco Nacional de Angola indicam que o regulador do sistema financeiro angolano disponibilizou 11,4 mil milhões de euros no ano passado, equivalentes a 12,6 milhões USD. Contas feitas, o País gastou quase 1000 milhões USD só na importação de carne.

Um economista, que prefere não ser citado, defende que é urgente a necessidade de reverter este quadro, uma vez que aos olhos do mundo o País é visto com grande potencial para agro-pecuária, do qual deriva a produção de carne e seus derivados.

“Estamos a tornar a nossa economia dependente das importações de propósito porque é uma forma de continuarmos a pôr dinheiro lá fora. Não se compreende como é que gastamos tantas divisas para importar carne quando o Estado fez um grande investimento em matadouros”, observa.

Para o especialista, “é preciso que sejam criadas as condições e concedidos incentivos aos produtores nacionais para que se reduza, e quiçá se acabe, com os gastos com a importação de carne, quando até há gado a morrer no sul do País”.

Em Fevereiro do ano em curso, o Mercado avançou em primeira mão que produção nacional de carne irá registar um aumento à volta de 22% nos próximos três anos. Produtores ouvidos na altura duvidam das estimativas do Governo, que, segundo dizem, podem ser comprometidas pela falta de ração e uma população animal capaz de alimentar a indústria de produção de carne e seus derivados.

Os últimos dados avançados em 2017 pelo ex-ministro da Agricultura e Florestas, Marcos Alexandre Nhunga, indicavam que na altura o País contava com uma população animal estimada em 4 milhões de animais, sendo que o gap entre a quantidade de carne importada e a produzida internamente gira em torno dos 80%.

Contudo, está a decorrer no País o Recenseamento Agro-pecuário e Pescas (RAPP) que estava previsto para o ano passado, de modo a determinar a quantidade e qualidade de animais existentes em todo o território nacional e redefinir estratégias do sector, assim como planear uma indústria de produção de carne que considere a cadeia , desde a produção de ração para engorda, vacinas, matadouros, embalagem e a cadeia de distribuição.

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