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Moçambique: Contestatários da RENAMO recusam entregar armas

DW África

Líder do braço armado que contesta liderança do partido recusou este domingo (04.08) entregar as armas no quadro do acordo de paz assinado com o Governo sem que seja eleito um novo presidente da formação política.

“Nós vamos eleger o nosso presidente e só depois é que vamos entregar as armas”, disse Mariano Nhongo, general da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), que deixou um aviso ao Governo e ao actual líder do partido, Ossufo Momade: “Não [nos] enganem, os militares estão do meu lado”.

Falando em teleconferência a partir de Gorongosa para jornalistas na cidade da Beira, centro do país, o líder do grupo autoproclamado Junta Militar da RENAMO disse que o acordo assinado na quinta-feira pelo chefe de Estado, Filipe Nyusi, e por Ossufo Momade serve para “enganar o povo”, na medida em que o braço armado da Renamo não vai entregar as armas sob liderança do actual presidente do partido.

“A assinatura [de um acordo] é coordenação. Não é só pegar numa caneta e assinar. Está assinar o quê?” — questionou Mariano Nhongo, acrescentando há militares da RENAMO a abandonar as bases naquela região, onde estavam acantonados.

Militares vão eleger líder, diz Nhongo

Questionado sobre um ataque na quarta-feira contra um autocarro de passageiros e um camião em Nhamapadza, a 200 quilómetros do distrito de Gorongosa, Mariano Nhongo disse que não foi obra do grupo que dirige.

“Eu não sou bandido, não me confundam. Estou a reivindicar coisas reais e quando quiser começar com a guerra vou avisar”, acrescentou.

Na ocasião, Mariano Nhongo convocou, uma vez mais, uma conferência de militares do partido para o dia 17 de agosto, um encontro que servirá, no seu entender, para eleger um novo presidente.

“Estão a assinar um acordo com Ossufo, mas Ossufo não tem militares. Nós vamos escolher o nosso líder e, se não nos deixarem, aí sim vamos pegar em armas”, concluiu.

O grupo exige a renúncia de Ossufo Momade, acusando-o de estar a “raptar e isolar” oficiais da RENAMO que estiveram sempre ao lado do falecido presidente do partido, Afonso Dhlakama, que morreu a 03 de maio do ano passado.

Na quinta-feira,o presidente da RENAMO considerou que as contestações à sua liderança resultam da ação de um “grupo de desertores indisciplinados”, destacando a importância da paz, após ter acordado com o Governo moçambicano o fim dos confrontos.

“Quando fomos ao congresso, abrimos espaço para que todos se candidatassem. O congresso elegeu Ossufo Momade. Não é através de um grupo de desertores indisciplinados que vamos definir a nossa linha”, disse o líder, falando à imprensa momentos após aterrar no Aeroporto Internacional de Maputo.

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