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Membros das Forças policiais detidos por morte de manifestantes no Sudão

Os generais do Sudão anunciaram hoje a detenção de nove membros das Forças de Reação Rápida (RSF, na sigla em inglês), pela morte de civis durante manifestações no país.

De acordo com a agência France-Presse (AFP), o anúncio foi feito após a morte de quatro manifestantes na quinta-feira em Omdurman, uma cidade perto da capital sudanesa.

“Uma investigação foi aberta sobre os acontecimentos de Al-Obeid [centro do país], e sete membros das RSF foram imediatamente demitidos e entregues à justiça civil para julgamento”, disse o General Shamseddine Kabbashi, citado pela AFP.

O porta-voz do Conselho Militar, que lidera o país desde que o Presidente Omar al-Bashir foi afastado do poder em abril, disse que na quinta-feira dois outros membros da daquela força policial foram presos, sendo nove no total.

Milhares de estudantes saíram esta semana às ruas em Cartum e outras cidades do Sudão em protesto contra a morte de cinco estudantes, na segunda-feira, no centro do país, segundo as agências internacionais.

De acordo com a Lusa, os manifestantes acusam as Forças de Reação Rápida, dirigidas pelo número dois da Junta Militar que lidera o país, Mohammed Hamdan Daglo, de ter disparado sobre a multidão que protestava contra a falta de pão e combustível na cidade de Obeid.

O chefe do Conselho Militar, no poder, condenou a morte dos cinco estudantes, classificando-a como “um crime inaceitável” que “não pode ficar impune”.

As negociações entre os dirigentes militares e os líderes do movimento de contestação no Sudão foram retomadas, anunciou na quinta-feira o presidente do comité político do Conselho de Transição Militar. Segundo o militar, citado pela agência Suna, as duas partes estão a discutir um novo texto constitucional.

A morte dos cinco estudantes, na cidade de Obeid, levou à suspensão das negociações que estavam previstas entre o Conselho Militar e os líderes do movimento de contestação no Sudão.

O Sudão vive envolto num movimento de contestação desde dezembro de 2018, desencadeado pelo triplicar do preço do pão, mas que se transformou em contestação ao regime e levou à destituição, em abril, do Presidente Omar al-Bashir, após 30 anos no poder.

A contestação manteve-se para reclamar um Governo civil e melhores condições de vida para as populações mesmo depois da constituição de um Conselho Militar.

Em 17 de julho, os generais no poder e os líderes do movimento opositor concluíram, após difíceis negociações, um acordo sobre a criação de um Conselho Soberano composto por cinco militares e seis civis responsável por liderar o período de transição até à realização de eleições.

As duas partes retomam as negociações para acordar alguns pontos em suspenso, segundo anunciou, no domingo, o mediador da União Africana para o país, Mohamed al Hacen Lebatt.

Desde dezembro, a repressão da contestação causou 246 mortos, incluindo 127 manifestantes mortos em 03 de junho num acampamento em Cartum, segundo um balanço do comité de médicos divulgado antes das manifestações em Obeid.

As autoridades apresentam balanços divergentes e com números de mortos e feridos bastante inferiores.

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