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“Eu era um autêntico forasteiro na minha própria terra”

Waldemar Bastos (Fotografia: Agostinho Narcíso)

Jornal de Angola / Edna Cauxeiro

Viveu mais de quarenta anos fora do país, onde internacionalizou a sua música e elevou ao mais alto nível a bandeira de Angola. No seu regresso à Pátria, Waldemar Bastos disse ter sofrido perseguições que o forçaram e a sua família a procurar “outros portos de abrigo”. Entretanto, nem tudo correu bem. O músico lamentou a morte do seu primogénito, vítima de assassinato, em circunstâncias misteriosas, e anunciou para o final do ano o seu próximo disco, que já tem título. Mas o autor prefere não revelar, por enquanto

Participou recentemente no FestiKongo. Foi a primeira vez que regressou à sua terra natal depois que de lá saiu ainda bebé. O que significou para si esse regresso?

Olhe, a primeira palavra que eu encontro é: inexplicável. Era um conjunto de emoções de tal ordem intensas, que fiquei num estado de serenidade, de muita acalmia, porque acabava de me encontrar com o meu sonho. Encontrei Mbanza Kongo como eu sentia e vivia através dos olhos da alma.

Que idade tinha quando saiu de Mbanza Kongo?

Era pequenino. Nasci e ainda não tinha um ano quando saí de Mbanza Kongo. Os meus pais, enfermeiros no combate a doenças como a do sono, a tuberculose e a lepra, eram muitas vezes transferidos, eram nómadas, era uma missão. O meu irmão Lúcio, que é médico, e eu nascemos em Mbanza Kongo e o meu falecido irmão mais velho nasceu em Luanda.

Por que razão levou tantos anos a regressar a Mbanza Kongo?

É um mistério que eu também não sei explicar, mas voltei para a terra que me viu nascer e isso é uma renascença da minha própria vida.

Como foi a actuação no FestiKongo?

Foi brilhante, porque comecei por cantar a “Rainha N’jinga” e a juventude que, acredito não ser grande conhecedora da minha música, cantou comigo do princípio ao fim.

O que significa isso para um músico?

Para qualquer músico isso é muito importante. Mas, no meu caso particular, ser recebido em minha terra, com jovens a cantarem a minha música, melhor alegria eu não podia ter. Cantaram, brincaram comigo e eu brinquei com eles. Foi um espectáculo memorável, no qual tivemos o carinho do senhor governador, pessoa muito amável, inteligente, humilde, e da ministra da Cultura, que mostrou ser uma pessoa muito sensível. Também sentiram que era um momento importante para mim e trataram-me com o melhor carinho que era possível.

Tem vindo mais vezes a Angola nos últimos tempos?

Sim. Agora, felizmente, com dignidade.

Antes não tinha dignidade?

Não. Era ostracizado, nem quero mais falar sobre isso. Mas estar na minha terra hoje, como cidadão normal, e ter direito a respirar e a poder beber a água da minha terra, isto era-me vetado de uma forma, considero eu, malévola, de uma dimensão que nem interessa recordar.

Tem ideia do motivo que levou a que fosse como diz que foi?

Resumo isso numa palavra: valores. Eu defendo valores. Os valores, na altura, eram contra, eram antítese. Nunca me meti na política, defendo valores que dignificam o homem. Isso não era aceite.

Nunca se envolveu na política. Mas, como cidadão angolano, como avalia o momento político actual do país?

Como angolano, primeiro, alegra-me, porque é uma mudança de paradigma. Eu próprio, que não podia respirar, já respiro, em termos pessoais. Em termos colectivos, nada melhor para um povo do que a esperança. Mas a esperança vem quando a gente vê actos. E temos visto actos concretos. As pessoas, às vezes, querem as coisas logo, mas, na vida, tudo tem o seu “timing” e uma coisa é certa: há um resgate de valores, há reposição de valores da angolanidade, da confraternização, da fraternidade entre os angolanos. Não vou citar as alíneas, mas toda a gente, até os menos atentos, vão notar que há todo um esforço para congregar, para incluir. A não inclusão é má, somos todos angolanos, cada um com a sua maneira de pensar e de ser, mas, desde que estejamos todos a expor o nosso pensamento com sinceridade, acho salutar para o desenvolvimento da nação angolana.

Waldemar Bastos já está estabilizado em Angola?

Sim. Posso dizer que sim. Já tenho, nesse momento, uma habitação.

Quais são os seus projectos, agora que regressou a Angola?

Os meus projectos sempre serão a valorização da música popular de Angola.

A música popular de Angola está desvalorizada?

Direi que sim, que agora começa a ser valorizada. Sou uma pessoa que, pela minha trajectória, conheço o tempo áureo da música angolana de raiz. Kiezos, Ngola Ritmos, África Show, Águia Reais, Jovens do Prenda, Ngoma Jazz, Super Popa, conheço todos eles, porque vivi ao lado do Ngola Cine, onde havia o Dia do Trabalhador e, portanto, tenho um historial, conheço o historial da música de Angola, pelo menos na era contemporânea.

Como avalia o estado da música nacional no momento?

A música angolana, em função do que falámos anteriormente, também vai, na minha perspectiva, e não tenho dúvida, florescer agora, porque quando se está amordaçado não se cria. Temos aqui músicos e outros artistas de talento nato. Não vou citar nomes, mas temos um vasto número de artistas que têm valor tanto cá dentro quanto lá fora.

Não quer citar nomes, há algum mal em ter preferência?

Quando disse que não queria citar nomes era só por uma razão: por eu ser aquilo que se diz um sénior. Não queria magoar. Os talentos são vários nos jovens e também nos adultos que foram castrados. Existem, tanto do lado da juventude quanto de músicos já seniores, indivíduos altamente capazes. Os seniores têm uma grande bagagem. Muitos deles, até mesmo com dificuldades, participaram nos meus discos gravados lá fora. Posso falar do Boto Trindade, Joãozinho e Teddy, que são inequivocamente músicos de alta dimensão. Gravei também com o falecido Fontinhas. Existem músicos com talento. Muitos deles tento ajudar, quanto mais não seja com uma conversa.

Vamos falar da internacionalização da música angolana. Cabe ao músico ou ao nosso organismo de tutela criar políticas que permitam internacionalizar a música angolana?

Sou daqueles que defende o seguinte: primeiro, temos de dar o melhor de nós. Nós é que temos de aprimorar. O músico tem que treinar, ter disciplina e, naturalmente, se tiver talento, acaba por ser reconhecido. Aí a instituição, a Cultura, dentro dos meios que tem, vendo quem são os talentos de destaque, poderá potenciá-los. Portanto, é uma conjugação do talento, esforço, a instituição Cultura e o mecenato, os sponsors, porque um sponsor ou mecenas apoia e patrocina a arte. Nisso, acabam por ter grandes descontos nas suas contas fiscais. A partir do momento em que haja essa conjugação, a música de Angola floresce.

Mas temos cá muitos músicos com potencial para isso?

O angolano, como o africano, no geral, é eminentemente criativo e a música de Angola, quer queiramos, quer não, e não estamos a dizer isso por vaidade, deu origem a muita música nos Estados Unidos, Caribe… agora já se diz que o jazz veio de Mbanza Kongo. Temos potencial para chegar lá. Se nós, sozinhos, eu e o Bonga, com entraves de toda a ordem conseguimos…

Já agora, qual é a relação que tem com o Bonga?

É normal. Não somos da mesma geração, somos de gerações diferentes. Mas temos uma relação de respeito.

O que significa estar de regresso a Angola e o que sente quando é abordado pelo público?

Olha, eu só posso agradecer a Deus. Estar de regresso a Angola é estar de regresso à minha pátria. Os meus ancestrais estão aqui, eu nasci aqui, é um direito inalienável e natural. Ser recebido com o carinho com que sou recebido é muito bom. Toda a gente percebeu que nunca lutei por dimensões económicas, a minha luta foi sempre cultural, alicerçada nos valores. Sou músico, Deus me deu esse dom, a minha música é muito estimada pela juventude; é uma coisa que me admira e me deixa agradecido a Deus.

Fez o CD “Clássicos da minha alma” com a Orquestra Sinfónica de Londres. Como é que a música angolana pode beneficiar da globalização, na sua visão?

Deus, quando fez os povos, o mundo, meteu músicas diferentes. Se nós formos ver a música da Argentina, da América, da Rússia, de Cuba, cada uma tem a sua especificidade. Para conseguirmos atingir o mundo, os palcos internacionais, acima de tudo, temos de ter identidade. Se não a tivermos, não somos aceites. Estou a dizer isso porque vários já tentaram, com outros estilos de música. Lá fora, ninguém quer fotocópia, quer-se originalidade, identidade. Se não a tiveres, não tens hipótese.

Se fosse ministro da Cultura que estratégia adoptaria para o sector das artes?

Sinceramente, não tenho como responder a essa pergunta. Vou ser honesto.

Se pudesse ajudar a resolver alguma coisa a nível da música e das artes angolanas, o que faria?

Primeiro, não tenho, nunca tive, respondendo à sua anterior pergunta, nunca me vi num cargo político. Agora, poder ajudar, assessorar, sim. Não devo ser egoísta, guardando a minha experiência para mim. Se tiver alguma hipótese de ajudar, claro que farei o melhor para a minha terra.

Em que área colocaria as suas mãos, logo, à partida?

Sou músico. Iria valorizar as coisas da terra, valorizar a nossa diversidade cultural e, logicamente, fazendo a triagem. A qualidade é fundamental em tudo e na arte também. Claro que há graus, há escalões de qualidade, há artistas mais exigentes, com mais talento. É normal, existe nas outras áreas e na arte também.

Sente que a juventude não está a fazer música nos estilos que caracterizam a música angolana de raiz?

Sinto que já há jovens que estão a fazer isso para todos os ritmos. Há uns poucos que ainda achavam que fazendo outros estilos, copiando no Brasil, teriam sucesso. O Brasil tem música própria e nós temos a nossa. Temos muito que mergulhar no Rio Kwanza e no Rio Zaire, para puxar cá para cima toda a diversidade musical que temos. Ninguém tem que ter complexo de cantar as nossas coisas. Temos de gostar de nós mesmos.

Waldemar Bastos tem todos os discos esgotados. Quando é que os angolanos poderão tê-los?

É uma grande pergunta, boa pergunta e oportuna. Essa situação só era possível na condição em que estou actualmente, de um cidadão que anda normalmente pela rua, que não é alvo de perseguição e de teorias absurdas. Os valores que eu defendia não eram adequados àquela época e, portanto, eu a viver uma vida normal posso começar a pensar em fazer isso. Antes, não tinha paz de espírito.

Significa que agora vai ser possível?

Peço a Deus, acima de tudo, e acredito que sim, até porque tive uma audiência com o senhor Presidente e falei que queria trabalhar no meu país. Ele disse-me que eu podia trabalhar à vontade.

O que sentiu diante desse apoio do Presidente da República?

Senti, para já, que é um líder de Estado que sabe reconhecer os seus valores. Se somos reconhecidos, não só eu, mas os outros também, é muito bom. A mim, em particular, deixa-me feliz saber que a máxima instância do meu país também tem carinho por uma pessoa que toda a sua vida dedicou à arte e que tem feito o seu melhor e é uma referência no país. Não sou referência porque quero, mas porque o destino assim ditou.

Com que imagem saiu do encontro com o Presidente João Lourenço, que tipo de ser humano é o senhor Presidente, na sua visão?

Para mim, é uma pessoa muito preocupada com Angola. É um patriota. Sendo ele um patriota, agrada-me, como artista. O que Angola mais precisa é de filhos assim. Temos de usufruir da nossa terra, aqui ninguém é contra a riqueza, mas temos que usufruir livremente e dar, também, o que fazer aos mais necessitados. Posso dizer que Angola precisava, de facto, de ter um rumo com alguém que se importe verdadeiramente com essa angolanidade, que precisa de aparecer no mundo como uma estrela brilhante. As crises, às vezes, são muito boas para reflectir e dar o passo em frente. Também são boas para criar. Temos tudo para erguer um país equitativo e equilibrado.

A perseguição de que foi alvo estendeu-se à sua família? Os seus familiares também sofreram consigo?

Incomensuravelmente. É muito difícil manter uma família nessa condição. É doloroso. Repare: parte da minha família está nos Estados Unidos e outra metade está em Londres e eu ando de um lado para o outro. Fomos divididos, mas nós somos uma família. A minha família teve de se deslocar, com medo. Foram procurar outros portos de abrigo e eu também tive que ir.

Havia ameaças a si e à sua família?

Tenho um filho que foi assassinado. Não sei porquê, mas foi. Não estou a fazer acusações, mas para uma mãe e para um pai é horrível. Isso, por si só, já coloca uma família numa situação de crise. É uma hecatombe, não é fácil. É muito difícil e muito triste.

Desculpe tocar no assunto novamente, mas não terá sido um acaso?

Poderá. Poderá. Deixo a Deus o julgamento, Ele é Omnipotente, Ele sabe, Ele vê tudo. Não quero fazer acusações. Só estou a dizer que esta situação provocou – se, nós já tínhamos problemas – uma hecatombe. Perante isso, todo o tipo de imaginação é possível.

Como está a sua família, actualmente?

A minha família está grata e pediu-me para agradecer ao senhor Presidente pela mudança e pela atitude que tem tido para comigo. No fundo, sou o representante da família; é uma família acossada ao longo de vários anos e hoje começa a descomprimir, porque sente que acabou toda uma tortura. É difícil repor a justiça para uma pessoa que tantos anos sofreu, como eu. Também não lutei por questões materiais, mas quando há um sentimento de reposição é sinal de que o país está a caminhar, como se diz, com a bússola no rumo certo. Isso agrada a qualquer pessoa que sabe da minha luta por valores culturais, pela música, aos meus fãs e a toda a gente porque, de facto, eu era (eu e não só) um autêntico forasteiro na minha própria terra.

“Nunca abri uma garrafa de whisky nem de champanhe numa discoteca”

Como foi recebido nos países em que viveu durante anos? Também se sentiu um forasteiro?

Vou cantar agora num teatro em França, em Outubro, depois em Portugal e na Suécia. Fiz várias digressões, estive na Polónia e na Eslovénia. Sou reconhecido lá fora como artista, em livros, inclusive. Não gosto de falar de mim, mas já que me faz a pergunta, respondo que trabalhei com a Orquestra Sinfónica de Londres, que é a maior do mundo, com a Orquestra Gulbenkian, uma das maiores da Europa. Gravei ao vivo no CCB, que é a maior sala de Lisboa, com a sala completamente esgotada; trabalhei no Japão, com Riuchi Sakamoto, no Brasil, com Chico Buarque, com David Byrne, nos Estados Unidos, foi o indivíduo que me levou para a América. O que quero dizer com esses nomes que estou a citar é que, mesmo sem mecenas, sem patrocinador, consegui fazer isso. E hoje, no mundo é difícil. Todo o artista tem que ter alguém atrás.

Em que lugar está agendado o seu concerto em França?

Vou cantar num teatro no Centro de Paris. É Angola que está em causa, é a marca Angola. As pessoas podem ler o currículo do artista, mas associado ao currículo do artista está a sua terra, o que tem a terra, quantos habitantes, enfim, toda a beleza, tudo o que temos para mostrar. No meu caso concreto, ainda por cima, sou de Mbanza Kongo, património cultural mundial. O artista pode servir, muito bem, para potenciar o seu país.

Ao longo da sua carreira, cantou em lugares importantes, de renome mundial. Conseguiu amealhar algum dinheiro para conseguir viver condignamente?

Sim e posso dizer que melhor eu fiz: estou muito contente, como qualquer pai, por ter formado os meus filhos.

Quantos filhos?

Dois. O primeiro, como disse, foi assassinado, mas os outros estão formados. Um é engenheiro informático e o outro é formado em business. Nasceram cá e também amam Angola. E eu, como pai, o dinheiro que ganhava nunca ninguém me viu numa discoteca. Nunca abri uma garrafa de whisky nem de champanhe numa discoteca, porque eu sabia que o pouco dinheiro que ganhava, umas vezes mais outras vezes menos, teria que canalizar para a educação dos meus filhos. Tenho casa própria em Portugal, fiz sempre uma vida humilde, porque, acima de tudo, o que estava em causa era a formação dos meus filhos.

Depois de Mbanza Kongo ter sido elevado à categoria de Património da Humanidade, o Semba estar a ser projectado para concorrer à mesma distinção. Que vantagens trazem esses ganhos para Angola?

Quando a gente é eleita a Património Mundial, está a dar ao mundo aquilo que o mundo não tem. Todas as partes do mundo têm um bocado para dar, então estamos a dar ao mundo algo de maravilhoso, algo de importante, no contexto das nações. Quanto mais a gente conseguir aparecer no mundo com coisas nossas, que são únicas e têm valor, mais a nossa terra é valorizada e projectada.

O que significaria o Semba seguir o mesmo caminho?

Gosto do Semba e toco Semba, mas não sei se o Semba reúne todas as alíneas. Se reunir, logicamente que será de todo o agrado. Estou a falar de forma muito honesta, não tenho conhecimento profundo sobre que requisitos são necessários para que um estilo musical se torne Património Mundial. Como não sei, não me posso pronunciar. Lógico que será agradável se assim for, mas não consigo é opinar muito sobre essa matéria.

Fala-se na intenção da Itália registar a Kizomba como seu estilo musical. De modo geral, como é que os angolanos podem proteger os seus
estilos?

A primeira coisa que deve ser feita é registar. Se eu fizer uma música agora, devo registá-la, porque pode aparecer um garimpeiro.

Para quando um novo disco?

Está em vista o próximo parto. Um disco acústico. Peço a Deus que até ao final do ano ou no princípio do outro o disco fique pronto.

Já tem título?

Tem vários títulos, ainda estou a ver qual deles será.

Perfil
Nome Waldemar dos Santos Alonso de Almeida Bastos.
Data de nascimento 4 de Janeiro de 1954.
Naturalidade Mbanza Kongo, Zaire.
Filiação Carlos de Almeida Bastos e Guiomar de Souto Veiga Bastos .
Irmão: Lúcio Bastos.
Vive maritalmente há mais de 40 anos com a sra. Laureana Gomes da Silva Paz e é pai de Edair Paz Bastos e de Sidney Paz Bastos.
——————-Discografia
1983 – “Estamos Juntos”
(EMI Records Ltd);
1989 – “Angola Minha Namorada”
(EMI Portugal);
1992 – Pitanga Madura”
(EMI Portugal);
1997 – Pretaluz/Blacklight” (Luaka Bop);
2004 – “Renascence” (World Connection);
2008 – “Love Is Blindness”;
2012 – “Classics
of my Soul”

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