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Início da era Boris Johnson no Reino Unido

Primeiro Conselho de Ministros do governo de Boris Johnson neste dia 25 de Julho de 2019. (Aaron Chown / Pool via REUTERS TPX)

Boris Johnson, o novo Primeiro-ministro britânico investido ontem para suceder a Theresa May no cargo, reuniu hoje pela primeira vez o seu gabinete formado por uma equipa marcada à direita e pro-Brexit. Para formar este novo executivo, segundo o diário conservador “Times”, Johnson operou a “purga mais brutal da História moderna”, este sendo “o governo mais à direita desde os anos 1980” segundo o jornal de esquerda “Daily Mirror”.

Nesta equipa, escreve a RFI, destaca-se Sajid Javid, 49 anos, filho de imigrantes paquistaneses, eurocéptico, antigo banqueiro que foi Ministro do Interior de Theresa May e acede agora ao cargo de Ministro das Finanças. Para a chefia da diplomacia, Johnson escolheu Dominic Raab, 45 anos, ultraliberal e pro-Brexit da primeira hora. Priti Patel, 47 anos, filha de imigrantes indianos, pro-Brexit e anti-casamento gay é a nova Ministra do Interior. Anteriormente secretária para o desenvolvimento internacional durante a era May, esta responsável tinha sido levada à demissão em Novembro de 2017 depois de se avistar com personalidades políticas israelitas, nomeadamente o Primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, durante uma deslocação privada a Israel, sem conhecimento do seu governo. Mais pormenores com Bruno Manteigas.

A um pouco mais de 3 meses da entrada em vigor do Brexit, fixado a 31 de Outubro, a nova equipa governativa enunciou imediatamente as novas bases que entende aplicar ao diálogo com a União Europeia. Três anos depois da consulta popular abrindo a porta ao Brexit e depois de três chumbos no parlamento, o acordo de divórcio com a União Europeia negociado por Theresa May é considerado “inaceitável” por Boris Johnson que hoje no seu discurso inaugural perante os parlamentares britânicos, anunciou que pretende reabrir as negociações com Bruxelas.

O novo chefe do executivo britânico reclamou em particular a “abolição” do chamado “Backstop” negociado por May com Bruxelas evitando o restabelecimento de fronteiras “duras” com controlos alfandegários entre o Ulster, sob controlo britânico, e a Irlanda no âmbito do Brexit. Neste sentido, Boris Johnson que excluí qualquer novo adiamento do Brexit, indicou desde já que o seu país não iria nomear nenhum novo comissário europeu e que, por outro lado, ele tinha nomeado Michael Gove, eurocéptico de 51 anos, chanceler do Ducado de Lencastre, grau prestigioso no governo, cuja missão consistirá em preparar um “plano B” em caso de “no deal” para o Brexit.

Do lado europeu, as primeiras não se fizeram esperar, a começar pelo primeiro-ministro irlandês Leo Varadkar para quem “sugerir que possa haver um novo acordo negociado em algumas semanas não é nada realista”. Michel Barnier, negociador do Brexit para a União Europeia, qualificou quanto a si de “inaceitáveis” os pedidos de alterações formulados por Boris Johnson. Em entrevista com a agência Lusa, o comissário europeu Carlos Moedas admitiu não haver muito tempo para tentar chegar a um acordo para o Brexit e considerou que agora “a bola está nas mãos” de Londres.

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