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Enfermeiros estão a exigir pedido público de desculpas

(DR)

Um pronunciamento feito recentemente por Elisa Gaspar, bastonária da Ordem dos Médicos de Angola (ORMED), na província do Cunene, segundo a qual os enfermeiros devem deixar de usar batas brancas, emitir receitas e praticar outros actos médicos, deixou irritada esta classe, que tenciona paralisar os serviços, a partir de hoje, caso a responsável não apresente um pedido de desculpa público.

Segundo fonte da Ordem dos Enfermeiros contactada pelo Jornal de Angola, a classe pretende deixar de realizar todas as tarefas consignadas aos médicos, como consultas, prescrição de medicamentos , solicitação de análises clínicas, certidões de óbito que vinham efectuando até ao momento por carência ou ausência de médicos.

Paulo Luvualo disse que se a intenção da bastonária Elisa Gaspar foi no sentido de cada profissional realizar apenas as tarefas que lhes compete, “só estará a fazer um grande favor aos profissionais de enfermagem”, que, avançou, “fazem muito mais do que deviam”, com destaque para o trabalho que cabe aos próprios médicos.

Sábado, em entrevista à TV Zimbo, Elisa Gaspar disse que num novo paradigma, defende que as batas brancas usadas por enfermeiros devem trazer acopladas, na gola ou nas mangas, faixas verdes, a fim de se diferenciar das utilizadas pelos médicos, ideia que caiu muito mal entre os profissionais de enfermagem no país.

Contactada ontem pelo Jornal de Angola, a bastonária da Ordem dos Médicos disse não haver razões para apresentar um pedido público de desculpas aos enfermeiros pois, reafirma não ter ofendido a classe e nem foi essa a sua intenção, quando sugeriu o uso de bata diferente por parte daqueles profissionais de medicina.

Elisa Gaspar esclareceu que tais declarações não foram proferidas publicamente, como se está a dizer, mas num encontro que manteve recentemente com alguns médicos, na província do Cunene.

Em declarações também à TV Zimbo, no sábado, Paulo Luvualo, bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola, disse
não fazer sentido a sugestão da médica, tendo argumentado que noutros países os dois profissionais de saúde utilizam, sem problema algum, a bata branca.

“Em nosso entender, não são os títulos que vão resolver o problema da saúde, mas a competência dos profissionais”, frisou, tendo acrescentado não ser pretensão dos associados passarem por médicos nas unidades hospitalares em que trabalham.

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros de Angola disse haver no país 2.644 unidades sanitárias, das quais 2.001 são asseguradas só por profissionais de enfermagem. “Só para dar um exemplo, temos 1.880 postos de saúde, onde só há técnicos de enfermagem”, salientou.

Paulo Luvualo sublinhou que os profissionais de enfermagem representam mais de 60 por cento da força de trabalho do sector da Saúde, sendo quase os únicos que aceitam deslocar-se para zonas, onde os médicos não aceitam ir, por falta de condições, como casa e transporte.

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