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Luanda recebe evento de empreendedorismo jovem

Vanda de Oliveira, organizadora do Startup Weekend Luanda (DR)

O Startup Weekend é um movimento global que transforma ideias em negócios e já passou por 150 países. Participantes e organizadores acreditam que o empreendedorismo pode ajudar a reduzir o desemprego em Angola.

Nataniel Francisco é um jovem empreendedor angolano e desenvolveu um software de geolocalização. O aplicativo apresenta várias soluções para quem o acessa. “Dá a possibilidade de o usuário localizar um banco, um hospital, uma farmácia, uma hospedaria ou uma casa de comida mais próxima do solicitante que está dentro ou fora do seu município”, explicou à DW África.

“Por exemplo, se eu sair de Luanda para Malanje e tenho dificuldades de localizar um hospital ou uma hospedaria que eu não conheça, tenho de ir com alguém que saiba e essa pessoa pode não estar disponível. Então, através do software, eu tenho como localizar sem a ajuda de uma outra pessoa”, exemplifica o jovem.

Por enquanto, a empresa de Nataniel Francisco funciona apenas no mundo virtual, mas ele já pensa numa instituição física. Segundo diz, o próximo passo do seu empreendedorismo poderá ajudar outros jovens a sair do mundo do desemprego.

“Eu arranjaria pessoas capacitadas para trabalhar comigo fazendo fotos e vídeos dos restaurantes, hospitais ou hospedarias próximos dos seus bairros, independentemente de que província seja. Eles enviam-me o material e eu pago. Quer dizer, eles trabalham para mim na área multimídia e, no final do mês, eles recebem valores pela informação que me prestaram”, explica.

O jovem angolano é um dos participantes da Startup Weekend Luanda, o primeiro evento do género já realizado em Angola. O Startup Weekend é um movimento global de empreendedorismo, que já é realizado em mais de 150 países.

Micael Besa, facilitadora do evento em Luanda, explica que o empreendedorismo já contribuiu para o nascimento de grandes empresas pelo mundo e, consequentemente, para a criação de postos de trabalho aos cidadãos, principalmente jovens estudantes.

“A gente acredita muito no empreendedorismo como uma solução para muitos problemas económicos e sociais. Então, a gente tem muitas empresas que nasceram no Brasil e nos Estados Unidos. Aqui, tem muito potencial. Vão nascer empresas que vão se tornar grandes e vão acabar por contar pessoas e estudantes”, afirma.

Segundo o Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego (IDREA), feito pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e tornado público este ano, o desemprego em Angola atinge 28,8% da população entre os 15 e 64 anos.

Empreendedorismo em Angola

Muitos cidadãos, sobretudo jovens angolanos, têm apostado no empreendedorismo como meio de sobrevivência. Os governo central e provinciais também têm estado a incentivar a juventude a empreender. Por exemplo, o governo da província de Luanda vai realizar a primeira edição da Feira do Empreendedor Luanda 2019 entre 25 e 28 de Setembro.

Para Nataniel Francisco, o empreendedorismo em Angola está num bom caminho. “De um tempo a esta parte tem havido muitos avanços e melhorias. Se continuarmos assim, poderemos estar no nível do Brasil, da África do Sul ou de outros países”, sublinha.

Vanda de Oliveira, organizadora da Startup Weekend Luanda, diz que é preciso trabalhar-se mais, apesar de reconhecer que muito já tem sido feito. “O empreendedorismo que nós advogamos, que é o de criar riquezas e não é só de sobrevivência, ainda está, em nossa perspectiva, em fase embrionária”, diz.

“Mas já existem várias iniciativas e várias entidades que apoiam e promovem o empreendedorismo e eu creio que movimentos, como o Startup Weekend, vão ajudar-nos a conectarmo-nos ao resto do mundo, porque nos alarga os horizontes. O objectivo também é conectar pessoas que tenham competência e possam nos ajudar”, acrescenta.

Aposta na economia

O Startup Weekend Luanda começou na sexta-feira passada e acaba este domingo (21.07). Vanda de Oliveira, organizadora e líder do evento, revela: “É a primeira vez que está acontecer agora em Angola. Esperamos que não seja a última. Na verdade, é feita por voluntários, ou seja, todos nós que estamos aqui somos pessoas que acreditam que o empreendedorismo é uma forma economicamente viável para o país”, explica.

Vanda de Oliveira detalha como funciona o Startup Weekend. “Na verdade, é uma maratona. É uma maratona de criação para transformar uma ideia num negócio. Então, o objectivo aqui é primeiramente ser um evento educativo no sentido de aprender fazendo. Durante estes três dias, temos 65 participantes que formaram equipas, pegaram numa ideia e trabalharam-na com a ajuda de mentores que temos e desenharam uma solução para um problema identificado”, diz.

“Outra ideia do movimento é ajudar a conectar pessoas com diferentes competências. Por isso é que temos desenvolvedores, designers e pessoas não-técnicas, todas elas importantes na criação de um negócio”, complementa.

Micael Besa é uma cidadã de nacionalidade brasileira. A única facilitadora no encontro da capital angolana não tem dúvidas de que esta edição em Luanda “vai fazer nascer muitas empresas”. “É o primeiro aqui em Angola e a gente está muito surpreso com a qualidade das ideias e com a entrega dos participantes. Na verdade, é um movimento para despertar novas habilidades. Tenho a certeza de que vão sair algumas empresas daqui que provavelmente vão continuar. Está a ser uma experiência incrível”, afirmou à DW África.

Vanda de Oliveira faz “um balanço positivo” da primeira edição da Startup Weekend Luanda. “Sendo o primeiro evento com um conceito novo no país tem sido bastante positivo no sentido de que há uma grande consciencialização. Há uma grande vontade dos jovens estudantes e empreendedores”, sublinhou.

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