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Preço do bovino baixa de cem para 30 mil kwanzas

(DR)

Criadores tradicionais do Cavelocamue, no município do Virei, Namibe, estão a desfazer-se do gado devido à seca que afecta toda a região Sul de Angola, baixando o preço dos bovinos, antes vendidos entre 80 e cem mil kwanzas, para apenas 30 mil, constatou o Jornal de Angola.

O soba de Cavelocamue, Txifuima Mungondo, explicou que, perante a falta de água e pastos, os criadores preferem vender os animais a preços muito baixos, do que assistir à sua morte pela fome.

O gado também perde valor pela perda de peso, sendo a solução, para os criadores, vendê-los para obterem algum dinheiro para a sobrevivência por alguns dias.

Dados fornecidos à nossa reportagem pelo director da Agricultura no Namibe, Gabriel Félix, indicam que a província possui um efectivo de mais de 730 mil bovinos,1,250 milhão de caprinos e 570 ovinos. Desde que começou, a seca levou à morte mais de 1 720 bovinos, 560 caprinos e 700 ovinos.

Gabriel Félix considerou que a ausência de chuva atingiu contornos graves, por afectar
directamente o principal sustento de parte significativa da população do Namibe.

Nesta altura, regista-se uma enorme transumância em direcção aos municípios da Bibala e Camucuio, na província do Namibe, Chongoroi e Baía Farta, em Benguela, bem como Gambos, Chibia e Quilengues, na Huíla, criando enorme pressão sobre os reduzidos pastos.
Furos de água

A população da localidade de Cavelocamue, município do Virei, no Namibe pede a abertura de mais furos de água para o gado, como forma de fazer face à prolongada seca.

O soba da região considera que a situação está “muito complicada” e que restaram apenas poucas cacimbas, levando muitas famílias a deixarem a zona.

“A água está difícil e a maior parte dos criadores de gado estão a trocar Cavelocamue por outras áreas mais seguras para os animais”, disse Txifuima Mungondo, lamentando que os únicos dois furos de água existentes estejam avariados há bastante tempo.

Indicou que pelo menos cinco novos furos são necessários nessa localidade, para repor os níveis mínimos de abastecimento de água para atender à população e animais.

Mitigar efeitos da estiagem

Esta semana, os criadores do gado do Virei receberam, do Ministério da Agricultura e Florestas, 36 toneladas de feno, 33 de farelo granulado e semelhante quantidade de farelo de milho, como parte de acções de um programa de emergência do Governo para fazer face à seca que afecta as províncias da Huíla, Cunene e Namibe.

O secretário de Estado da Agricultura, José Carlos Bettencourt, que entregou a ajuda, reconheceu que as quantidades são insuficientes, mas que servem para mitigar os males da seca. “É uma missão que deve ser contínua e agradecemos às grandes moageiras que se solidarizaram com o povo afectado e fizeram a doação”, apelou.

Na ausência de pastos, o feno, uma mistura de plantas ceifadas e secas, geralmente gramíneas e leguminosas, é usado como forragem mediante a desidratação para retirar água, mantendo-a em valor mínimo nutritivo para dar lugar ao armazenamento por longo tempo. É usado para a alimentação do gado.

Outras 54 toneladas de feno estão a ser distribuídas no município da Bibala, Norte da província do Namibe, onde a falta de pastos e água ameaça ceifar mais de 50 mil animais, segundo apurou o Jornal de Angola.

O recurso ao feno é visto como uma solução transitória para salvar o efectivo granadeiro da região Sul de Angola, enquanto se implementam soluções definitivas, como a construção de infra-estruturas veterinárias, grandes represas e reabilitação de furos artesianos para a retenção das águas da chuva.

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