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Bengo necessita de 150 MW para electrificar municípios

O sector eléctrico na província do Bengo necessita de pelo menos 150 Megawatts, para cobrir os municípios não electrificados, anunciou hoje o director do gabinete provincial das infra-estruturas e serviços técnicos, Edgar Hilário,

Em entrevista à Angop, o director disse existirem projectos em carteira para expansão da rede eléctrica na região, mas a sua execução está condicionada ao financiamento.

Informou estarem nessa situação os municípios do Nambuangongo, Dembos, Pango Aluquém e Bula Atumba, localidades que estão dependentes do projecto de electrificação do Triângulo dos Dembos, a ser financiado pela Suécia, no quadro da cooperação existente com aquele país nórdico.

Em Abril último, o ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, anunciou, em Estocolmo, capital da Suécia, a vinda a Angola de recursos que devem facilitar a implementação de projectos de electrificação na Região do Bengo, no âmbito de um projecto concebido para a zona dos Dembos, que abrange as localidades de Úcua, Pango Aluquém, Quibaxi e Nambuangongo.

Este projecto, que está condicionado ao financiamento, prevê a instalação de mais de 300 postes de transformação para a cobertura dos referidos municípios para serem alimentados com linhas de 60/30 kilovolts e a construção de subestações com uma potência de 125 MVA.

No passado, os municípios dos Dembos, Bula Atumba e Pango Aluquém já beneficiavam de energia eléctrica da barragem das Mabubas, mas a linha de transporte foi destruída durante o conflito armado e até agora não foi reabilitada.

Consumo

Na província do Bengo apenas os municípios do Ambriz (com uma cobertura de 19%) e Dande (55,6%) têm energia eléctrica da rede pública, enquanto os outros quatro (Nambuangongo, Dembos, Pango Aluquém e Bula Atumba) ainda dependem de fontes alternativas (grupos geradores) que fornecem energia apenas no período nocturno aos seus habitantes.

Só para se ter uma ideia, o município do Dande, que alberga a sede provincial (Caxito), é o único que beneficia da energia da barragem das Mabubas, mas ainda assim nem todas as cinco comunas beneficiam do serviço.

As comunas do Kicabo (35 km) e Úcua (60 Km) continuam a espera do projecto, cujo financiamento resulta dos acordos de cooperação com a Suécia (sem data até ao momento), para a sua electrificação.

Ainda no Dande há o projecto da electrificação dos sectores 2 e 11 do Panguila, bem como os bairros Ludy e Vale do Paraíso que se encontra em conclusão os levantamentos e concertação com os empreiteiros para o arranque das obras.

Já o município do Ambriz beneficia do Ciclo combinado do Soyo (na vizinha província do Zaire) para ter uma subestação eléctrica, com potência instalada de 10 MVA, que garante o fornecimento de energia da rede pública, numa primeira fase, a 950 famílias.

Dívida

No final de 2018, a dívida acumulada dos consumidores da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) na província do Bengo era de setecentos e catorze milhões 905 mil 78 e Kwanzas, sendo que grande parte desta cifra pertence ao sector privado, que demonstra alguma resistência em pagar o consumo.

O porta-voz da ENDE no Bengo, Luís Mendes de Carvalho, salientou que a dívida, na sua maioria de clientes de baixa tensão especial, tem condicionado a execução de alguns projectos, nomeadamente a extensão e melhoria da rede de distribuição e aquisição de equipamentos para manutenção.

A barragem das Mabubas

Localizada no rio Dande, a barragem das Mabubas é a primeira central hidroeléctrica que foi construída em Angola. Começou a sua construção em 1948 e terminou em 1952 com capacidade de 17.8 Megawatts. A sua exploração começou a ser feita em 1953 e trabalhou até 1992, quando paralisou devido a sua destruição durante a guerra, tendo ficado 20 anos inoperante.

Em 2009, a Kanazuro Electric S.A, uma empresa de direito angolano que também tem a concessão da barragen do Lomaum (na província de Benguela), em parceria com a empresa chinesa Guangxi Hydroelectric Construction Bureau (GHCB), obteve a concessão para investir na recuperação total e exploração da barragem das Mabubas por um período de 20 anos.

Em entrevista à Angop, o responsável da central hidroeléctrica das Mabubas, engenheiro Kitossemba Ambrósio Bimbi, explicou que após a sua reabilitação foi feito um “upgrade” e aumentou-se a potência de 17,8 Megawatts para 25,6 Megawatts. Actualmente a central funciona com quatro grupos geradores eléctricos com uma potência de 6.4 Megawatts cada.

A energia produzida na central hidroeléctrica das Mabubas é vendida à Rede Nacional de Transporte de Electricidade (RNT), que é o comprador único.

Sobre a produção da energia, o engenheiro Kitossemba Ambrósio Bimbi disse que os indicadores apontam que 2019 está a ser melhor que 2016 (o melhor ano até agora), devido à regularidade do caudal que está a permitir produzir a energia.

“Se continuar com essa produção poderemos superar 2016, pois já estamos com o record de produção diária e mensal. E o melhor em tudo isso é que não estamos a ter inundação a nossa jusante”, explicou.

Mabubas é uma barragem a fio de água, pois usa directamente a água do rio para a produção de energia sem armazená-la, o que torna a sua produção muito variável.

A central hidroeléctrica funciona actualmente com 15 técnicos expatriados e 41 angolanos, entre técnicos e funcionários dos serviços gerais.

O responsável da central hidroeléctrica das Mabubas referiu que os técnicos angolanos são jovens que foram recrutados nas escolas de Luanda e Bengo e receberam formação em 2014, tendo já substituído até agora cerca de 65 porcento da mão-de-obra chinesa.

Com os 25,6 Megawatts de energia produzidos na barragem das Mabubas, o sector pretende dar respostas às necessidades das famílias e do parque industrial em crescimento.

Esta situação constitui motivo de interesse para os empreendedores dos sectores industriais e habitacionais em expansão, que pretendam fazer do Bengo o destino dos seus investimentos.

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