InicioMundoAmérica LatinaFome no mundo aumentou pelo terceiro ano consecutivo

Fome no mundo aumentou pelo terceiro ano consecutivo

Portal de Angola|Osvaldo de Nascimento

De acordo com dados da ONU, cerca de 820 milhões de pessoas em todo o mundo não tiveram acesso suficiente a alimentos em 2018, frente a 811 milhões no ano anterior, no terceiro ano consecutivo de aumento.

O dado representa um imenso desafio para alcançar o objectivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 2, que prevê fome zero até 2030, advertiu nesta segunda-feira (15) a nova edição do relatório anual “O estado da segurança alimentar e da nutrição no mundo”.

“As nossas medidas para abordar essas tendências preocupantes terão que ser mais enérgicas, não apenas em escala, mas também em termos de colaboração multissetorial”, disseram oficiais de Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Organização Mundial da Saúde (OMS) no documento.

A probabilidade de sofrer insegurança alimentar são maiores para as mulheres do que para os homens em todos os continentes, com a maior diferença na América Latina.

América Latina e Caribe

Apesar de ter se mantido estável em 2018 frente a 2017 (6,5%), a fome aumentou na América Latina e no Caribe em comparação com 2016 (6,3%), de acordo com o documento, atingindo 42,5 milhões de pessoas no ano passado.

A América do Sul concentra a maior parte (55%) das pessoas que sofrem de subnutrição na região, e o aumento observado nos últimos anos se deve à deterioração da segurança alimentar na Venezuela, onde a prevalência da subnutrição aumentou quase quatro vezes, de 6,4%, entre 2012-2014, para 21,2% no período de 2016-2018.

A elevação significativa da insegurança alimentar nos últimos anos coincide com o período de recessão do país, uma vez que a inflação subiu fortemente e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu, passando dos 3,9% negativos em 2014 para 25% negativos, aproximadamente, em 2018.

Em contraste, o percentual de subnutridos na América Central (6,1%) e no Caribe (18,4%) têm diminuído desde 2013, apesar de ainda apresentarem números superiores aos da América do Sul (5,5%).

“Durante os primeiros 15 anos deste século, a América Latina e o Caribe cortaram a subnutrição pela metade. Mas, desde 2014, a fome vêm aumentando”, disse o representante regional da FAO, Julio Berdegué.

Avanços lentos na África e na Ásia

A África apresenta situação mais alarmante, já que a região tem as taxas de fome mais altas do mundo, que continuam aumentando lenta, mas constantemente, em quase todas as sub-regiões.

Na África oriental em particular, cerca de um terço da população (30,8%) está subalimentada. Além dos fenômenos climáticos e dos conflitos, a desaceleração e a crise económica estão impulsionando esse aumento. Desde 2011, quase a metade dos países nos quais a fome aumentou devido à desaceleração ou estancamento da economia estão na África.

O maior número de pessoas sub-alimentadas (mais de 500 milhões) vive na Ásia, sobretudo nos países do sul do continente. Juntos, África e Ásia suportam a maior parte de todas as formas de má nutrição, já que contam com mais de nove em cada dez crianças com atraso no crescimento e mais de nove em cada dez crianças com crescimento atrofiado no mundo.

Na Ásia meridional e na África subsahariana, uma em cada três crianças têm atraso no crescimento.

Além desses problemas, na Ásia e na África vivem quase três quartos de todas as crianças com sobrepeso do mundo, impulsionado em grande medida pelo consumo de dietas pouco saudáveis.

Além da fome

O relatório deste ano introduz um novo indicador para medir a insegurança alimentar em diferentes níveis de gravidade e supervisionar os avanços para o ODS 2: a prevalência da insegurança alimentar moderada ou grave.

Esse indicador se baseia em dados obtidos directamente das pessoas em pesquisas sobre seu acesso aos alimentos nos últimos 12 meses, utilizando a Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES, na sigla em inglês). As pessoas que experimentam uma insegurança alimentar moderada enfrentam a incerteza sobre sua capacidade de obter alimentos e tiveram que reduzir a qualidade e/ou a quantidade de alimentos que consomem para sobreviver.

O documento estima que mais de 2 biliões de pessoas, a maioria em países de renda baixa e média, não têm acesso regular a alimentos inócuos, nutritivos e suficientes. Mas o acesso irregular é também um desafio para os países de renda alta, incluindo 8% da população da América do Norte e da Europa.

Isso exige uma profunda transformação dos sistemas alimentares para proporcionar dietas saudáveis produzidas de forma sustentável a uma população mundial em crescimento.

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