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Seca no sul de Angola: entre solidariedade e aproveitamento do sofrimento

A província do Cunene, no sul de Angola, também tem sido afetada pela seca. À falta de outros alimentos, há populares que comem ervas para saciar a fome (DR)

A seca gerou uma onda de solidariedade, o Governo de Luanda vai organizar um jantar e o Primeiro de Agosto um jogo para recolha de fundos. Os criadores de gado têm sido aliciados a vender os seus animais a baixos preços.

Cresce em Angola a onda de solidariedade para com as vítimas da seca no sul do país. Em Luanda, o Governo Provincial, empresas públicas e outras organizações da sociedade civil lançaram diferentes campanhas de recolha de donativos para ajudar os angolanos que estão a enfrentar a calamidade na província do Cunene. Mas, ao mesmo tempo, o ministro da Agricultura afirma que há cidadãos que estão a aproveitar-se do sofrimento das vítimas, obrigando-os a comercializar o gado a preço baixo.

Em Luanda, capital do país, há vários postos para entrega de donativos como água, roupa e alimentação. As campanhas estão a ser promovidas por diferentes instituições, entre as quais, o Governo Provincial e a Rádio Nacional de Angola – que está a receber apoio através das suas emissoras espalhadas nas 18 províncias do país, bem como de clubes desportivos e produtoras musicais.

Ajudas

Esta quinta-feira, 11 de Julho, o Governo de Luanda liderado por Sérgio Luther Rescova, realiza um jantar de beneficência para angariar fundos para acudir às populações do sul do país. 30 mil kwanzas (77 euros) é o valor mínimo pedido a cada participante.

Em declarações à DW África, o vice-governador de Luanda para o sector político e social, Manuel Dionísio da Fonseca, garante que os bens recolhidos estão a ser protegidos pela polícia para não serem desviados.

“Temos alguma parceria com algumas instituições públicas, nomeadamente com o Entreposto Aduaneiro de Angola, que é o local onde estão a ser conservados todos os bens recolhidos. De qualquer das formas, temos os nossos postos de recolha de donativos, as forças da polícia estão a assegurar os bens que estão a ser recolhidos. Há toda garantia de que as coisas estão totalmente conservadas e continuarão a ser conservadas até a entrega nos destinatários”, disse Manuel Dionísio da Fonseca.

Desportistas solidários

No domingo passado, 7 de Julho, o Clube Desportivo Primeiro de Agosto, afecto às Forças Armadas Angolanas (FAA), juntou-se à campanha do Governo de Luanda, e realizou várias partidas de basquetebol entre as diferentes figuras públicas do sector da música, desporto e humor. O evento serviu para recolher bens.

O futebolista Ary Papel, da equipa campeã do campeonato nacional de futebol, deixou uma mensagem de coragem as vítimas da seca no Cunene, Huíla, Namibe e Kuando Kubango.

“Estou aqui pelos nossos irmãos que estão a sofrer com a seca. Aproveito este momento para lhes encorajar e dizer que estou com eles. Não vou para lá agora por motivos profissionais, mas deixo um grande abraço para eles e que continuem a ser fortes, porque Ary Papel está a torcer por eles”, disse o craque do Primeiro de Agosto.

Gado afectado

Entretanto, em entrevista à Rádio Nacional de Angola, o ministro Angolano da Agricultura, Marcos Nhunga, denuncia cidadãos “oportunistas” que estão a aliciar os criadores de gado afectados pela calamidade a venderem os animais a preços mais baixos do que no mercado. Segundo o governante, os supostos compradores alegam que é preferível que os criadores vendam a preços mais baixos, para não perderem com as mortes dos animais.

“Nestas situações que as nossas populações estão a viver, surgem pessoas oportunistas que vão lá e compram gados a 30 mil kwanzas ou 20 mil kwanzas, que acho ser um oportunismo muito grande. Ao invés de ajudarem estão a prejudicar”.

A seca no sul de Angola já matou milhares de animais. O ministro da Agricultura anuncia que o Governo vai nos próximos dias distribuir cerca de três mil cabeças de gado às vítimas da estiagem.

“Vai arrancar nos próximos dias o programa que o Governo estabeleceu de aquisição de gado para estas populações. Acreditamos que podemos adquirir entre dois a três mil animais em função dos recursos que nos estão a disponibilizar”, anunciou Marcos Nhunga.

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