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Mbanza Kongo, um potencial turístico-cultural adormecido

Zaire: Ângulo da cidade de Mbanza Kongo (Foto: Pedro Moniz Vidal)

Angop|Venceslau Mateus

Detentora de um rico historial cultural, que a colocou na lista do património mundial, a mítica cidade de Mbanza Kongo, antiga capital do Reino do Kongo, continua longe dos “holofotes” turísticos e sem um horizonte temporal para a mudança de um cenário “desesperante” para os munícipes, que esperavam por dias melhores.

Mbanza Kongo é detentora de um património material e imaterial excepcional. A cidade foi inscrita na lista do Património Mundial da Unesco a 8 de Julho de 2017, durante a 41ª sessão do Comité deste órgão, que decorreu na cidade polaca de Cracóvia.

Dois anos depois da sua entrada na restrita lista do Património Mundial da Unesco, a região continua sem grandes mudanças quer em infra-estruturas quer na promoção do turismo cultural, para o desespero dos seus munícipes, incapazes de tirar proveito de um feito que pode/poderia contribuir para a melhoria das condições de vida de muitas famílias e do PIB nacional.

Zonas turísticas inexploradas e abandonadas, que podem alavancar o turismo, e a reduzida capacidade hoteleira para atender os visitantes (apenas cerca de 340 quartos disponíveis) é o cenário da região, tornando mais difícil a vida de quem faz do turismo o seu principal hobbie.

Localizada 472 km a noroeste de Luanda (capital angolana), num percurso feito pela estrada nacional 100, em aproximadamente cinco (5) horas, Mbanza Kongo é majestosa, com recantos atractivos, destacando-se as cascatas do Nkungu-a-Paza, as grutas do Nzau Évua e a estância turística que se estende ao longo do rio Tuco.

Aos seus atractivos históricos e naturais, aliam-se as estórias míticas sobre o Reino do Kongo e o poder mortífero ou protector de que os seus soberanos eram detentores, tudo isto contado por “mais velhos”, conhecedores da tradição.

Agitada quase 24 horas/dia, talvez pela aproximação da fronteira com a RDCongo, pelo Luvo, mercado que recebe diariamente milhares de pessoas dos dois países, Mbanza Kongo apresenta-se promissora na vertente turística, esperando pelo investimento para alavancar um segmento que, certamente, contribuirá para o desenvolvimento da província do Zaire e reforço do seu estatuto no mapa turístico mundial.

Timidamente, depois da sua inclusão na lista da Unesco, o número de visitantes tem aumentado na região. Dados oficiais apontam para um fluxo turístico de quatro mil a cinco mil turistas ano.

No afã de a tornar na maior referência turística angolana, munícipes e autoridades ensaiam, por meio do roteiro turístico criado pelo Ministério do Turismo, as melhores vias para tornar atractiva a antiga São Salvador, Mbanza Kongo, hoje capital da província do Zaire.

Com a elaboração do roteiro turístico, que inclui as principais referências culturais e turísticas não só de Mbanza Kongo, mas dos demais municípios da província do Zaire, as autoridades esperam pelo aumento do número de visitantes a escalar a região.

Incapacidade hoteleira

A escassez de unidades hoteleiras e outros serviços é um dos factores que limita a presença de turistas na cidade histórica. A urbe conta apenas com dois hotéis e o mais antigo não oferece condições de alojamento. No total, incluindo os serviços similares, a localidade possui 340 quartos, um número quase insignificante para quem quer atrair turistas.

Grutas de Nzau Évua

Localizadas na comuna do Nkiende, a 62 quilómetros de Mbanza Kongo, as grutas são, a par das ruínas do Kulumbimbi e das Fontes de Água, o orgulho da localidade.

Fazem parte de uma rede de grutas e galerias, quase todas desconhecidas e ainda por explorar. É um local que não pode faltar no roteiro de quem visita Mbanza Kongo.

Serviram, no passado colonial, de refúgio para os combatentes de luta de resistência à ocupação estrangeira. Estas cavernas, a par do Rio Zaire, concorreram na primeira edição das Sete Maravilhas de Angola.

Estância turística do Tuco

Em estado de abandono e cercada por capim, a estância turística que se estende ao longo do rio Tuco, dois quilómetros a sul de Mbanza Congo, já foi, em tempos idos, a jóia turística local, movimentando, no seu auge, centenas de pessoas ao local. O rio apresenta características ímpares, com cachoeiras, água correndo entre as rochas e o chilrear dos pássaros.

O Tuco pode, em caso de recuperação, tornar-se, novamente, num lugar aprazível para momentos de lazer inesquecíveis.

Fontes de Água

Trata-se de 12 fontes naturais de água que circundam a cidade de Mbanza Kongo: Santa, Madungu (bairro Sagrada Esperança), Ntetembua (11 de Novembro), Kilumbu (Martins Kidito), Tuanenga, Cinza, Bulunga, Massangalavua, Mbende, Mbangu, Kilanza e Bundu.

Apostado em dar uma imagem diferente a estas preciosidades históricas, a administração municipal de Mbanza Kongo promete a sua requalificação no decorrer do ano em curso. Numa primeira fase, serão abrangidas as fontes de Santa, Madungu, Ntetembua e Kilumbu, num valor global de 500 milhões de kwanzas, respondendo, desta forma, a uma das exigências da Unesco.

Cultura

M’Banza Kongo é conhecida pelas ruínas da Catedral de São Salvador do Kongo (construída em 1492), do século XV, considerada a igreja colonial mais antiga da África Subshariana. Diz -se que a actual, conhecida localmente como Kulumbimbi, foi “construída por anjos durante a noite”. A sua elevação à catedral aconteceu em 1596.

Outro local interessante de importância histórica é o memorial da mãe do rei Afonso I, próximo ao aeroporto, que rememora uma lenda popular que começou na década de 1680 em que o soberano possivelmente havia “enterrado a sua mãe viva, por estar disposta a desistir” de um “ídolo” que usava em volta do pescoço.

O visitante tem ao seu dispor o Museu Real, actual Museu dos Reis do Kongo, reconstruido como uma estrutura moderna. Abriga uma impressionante colecção de artefactos do antigo Reino, embora muitos tenham sido perdidos do prédio mais antigo, durante a guerra pós-independência.

O cemitério onde repousam os restos mortais dos antigos Reis do Kongo, localizado no perímetro adjacente ao Kulumbimbi, é muito visitado devido ao seu peso histórico e aspecto arquitectónico das sepulturas e da vedação.

Para além das potencialidades históricas e naturais de Mbanza Kongo, a província do Zaire oferece, para os mais aventureiros, atractivos nos demais municípios.

Zonas turísticas do Soyo

De todos os municípios da província, o Soyo é a localidade que mais zonas turísticas alberga, entre as quais a Praia das Sereias, a Praia dos Pobres, localizada numa zona nobre da cidade do Soyo, na margem esquerda do Rio Zaire; a Foz do Rio Kongo, as Quedas do Rio Mbridge, que servem para canoagem, e os canais Pululu, no Kwanda, e do Kimbumba, situado a dois quilómetros a leste do Soyo.

Os turistas podem ainda deleitar-se com a Ponta do Padrão, é local onde desembarcou o navegador português Diogo Cão, em 1482.

A 145 quilómetros da sede do município do Soyo está a Pedra do Feitiço, local turístico muito visitado por quem se desloca regularmente ao Soyo.

Baía da Mussera

Situada no município de Nzeto, a 56 quilómetros da capital da província, a baia é utilizada para banhos e desportos náuticos.

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