Portal de Angola
Informação ao minuto

Rui Rio. “Gostaria que houvesse menos tumultos no PSD”

(TIAGO PETINGA/LUSA)

Renascença

O país está “aparentemente” melhor na economia, mas está pior nos serviços públicos. Já quanto ao PSD, os tumultos continuam a ser demasiados para os interesses do líder, do partido e até do país. É assim o balanço do estado da Nação feito pelo presidente do PSD, em entrevista à Renascença, a propósito do debate do estado da Nação, que tem lugar esta quarta-feira no Parlamento.

“Gostaria que dentro do partido houvesse menos tumultos”, confessa Rui Rio, que no fim-de-semana veio vir a público a demissão de Manuel Castro Almeida de vice-presidente do PSD. Sobre isso não quer falar.

“Já passou, mas mesmo que não tivesse passado são questões internas que não vou comentar”, responde. Não esconde, contudo, que “gostaria que o PSD estivesse melhor”.

Quanto às razões para os “tumultos” remete a pergunta para quem os provoca. “Isso tem de perguntar a quem faz tumultos. Da minha parte, faço tudo o que está ao meu alcance para os evitar. Sendo que as pessoas quando estão na política têm de se reger por convicções, não pode ser simplesmente por táticas e oportunismo”, defende, atacando.

“Estou na presidência do PSD há um ano e tal e seria hipócrita se não reconhecesse que tem havido tumultos a mais no PSD para aquilo que é o desejo, não só dos militantes do PSD, como dos portugueses como um todo. Perante o Governo do PS só há uma alternativa: é o PSD.

Não vale a pena estarmos aqui a fazer contas de cabeça com outras soluções, porque não há outras soluções. As próximas eleições ou são ganhas pelo PS ou são ganhas pelo PSD, não são ganhas por mais ninguém”, afirma o presidente social-democrata.

E vai mais longe: “O povo português seguramente quer um PSD forte, capaz de ombrear com o PS nas eleições para haver uma oposição forte e uma alternativa. A pior coisa que há é quando um governo não tem alternativa e, portanto, faz aquilo que lhe apetece.”

Este Governo do PS não tem feito o que lhe apetece porque está aliado ao PCP e ao Bloco de Esquerda e, por isso, segundo Rio, não tem condições para fazer o que é necessário para estimular mais a economia que é ajudar as empresas. A economia, reconhece, “está aparentemente melhor”, mas não o suficiente.

Há “mais emprego”, mas não “melhores empregos”

“Se pensarmos em termos de futuro do país, a economia não está bem. Tem tido taxas de crescimento fracas, mas acima de tudo essas margens orçamentais não têm sido usadas para o futuro do país. Aquilo que a economia tem de oferecer aos portugueses é mais emprego e melhores salários. Temos tido mais emprego, é verdade, mas não temos tido melhores empregos. Para isso é preciso que haja políticas públicas que incentivem o futuro”, defende Rui Rio.

“A política económica tem sido uma politica de distribuição, portanto dá a sensação às pessoas de que se está bem, mas não vamos estar bem a médio e longo prazo. Não quer dizer que vai ser um caos, não”, afirma Rio, fugindo dos avisos mais alarmistas que têm sido lançados por Passos Coelho.

Se a economia está melhor, mas só “aparentemente”, o que está pior são os serviços públicos. “Aquilo que elegeria como mais preocupante é a degradação completa que tem havido nos serviços públicos. Isso é notório em muitos setores, desde o simples renovar do bilhete de identidade passando para casos mais graves”, como por exemplo os atrasos nas atribuições de reforma.

Rui Rio também aponta a degradação nos transportes públicos, “onde reduziram os preços dos passes, mas não aumentaram a oferta e, portanto, é um caos completo”.

E continua: “a situação pior de todas é mesmo o Serviço Nacional de Saúde, porque qualquer pequena degradação no Serviço Nacional de Saúde é muito sentida pelas pessoas”.

Candidato, mas não em primeiro

É tempo, pois, de balanço, mas também já de lançamento de propostas. E o presidente do PSD apresentou na semana passado o seu quadro macroeconómico e a promessa de descer impostos.

Na segunda-feira, por seu lado, o primeiro-ministro também prometeu, em entrevista à Renascença, descer impostos – em concreto, os impostos sobre o trabalho.

“Há uma diferença muito grande”, defende Rui Rio: “O primeiro-ministro sempre disse que não ia baixar a carga fiscal. Nos últimos dias, teve uma nuance e diz que vai tentar baixar os impostos sobre o trabalho. Mas aquilo que eu digo não é baixar os impostos sobre o trabalho, é os impostos de forma geral, a carga fiscal. Aquilo que ele está provavelmente a dizer é que mantém a carga fiscal, troca é de impostos.”

“O que é que interessa às pessoas se baixar um bocadinho o IRS e aumentar tudo o mais”, seja o imposto sobre os combustíveis ou o IVA?, pergunta o presidente social-democrata.

“O que queremos é baixar a carga fiscal e repartir essa carga um pouco pelas pessoas e pelas empresas”, continua Rio, reconhecendo que “é mais popular dizer que a repartição é só pelas pessoas, mas é mais sério dizer que é pelas pessoas e pelas empresas, porque são as empresas que vão garantir no futuro justamente os melhores empregos e os melhores salários”, sustenta.

“O que as pessoas devem querer é uma garantia de melhores salários no futuro e não um pequenito ganho por conta de uma redução no IRS”, acredita Rui Rio, certo de que os melhores salários se conseguem através de “uma economia mais competitiva” e, para isso, são “precisas políticas públicas que facilitem a vida” às empresas.

“Toda a política seguida pelo bloco parlamentar que temos não permite esta política virada para as pequenas e médias empresas, que são as que criam os empregos e vão pagar melhores ou piores salários”, diz o líder do PSD que, nesta entrevista, também garante que será candidato a deputado, apesar de ainda não ter sido divulgado em que lugar vai.

“O normal é que o líder do partido seja candidato a deputado”, diz Rio, que escolheu para cabeças de lista em Lisboa e no Porto nomes sem experiência parlamentar.

O líder do partido não irá, assim, liderar nenhuma dessas listas. E também não vai por Viana do Castelo, distrito em que tem casa (passa férias em Moledo), hipótese que chegou a ser tida em conta para resolver uma guerra entre a concelhia a distrital.

“Há sempre muitas guerras dentro dos partidos, há muitos a querer ser deputados e não há lugar para todos e depois há algumas vaidades e eu dei um exemplo: começa já por mim, não vou ser primeiro. É um ato simbólico”, justifica Rio, que será candidato pela lista do Porto, em lugar ainda a divulgar.

Também pode gostar

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais

Translate »