InicioMundoÁsiaPais muçulmanos acusam a China de fazer desaparecer os seus filhos

Pais muçulmanos acusam a China de fazer desaparecer os seus filhos

Expresso | ANA FRANÇA

Exilados da minoria muçulmana Uighur falaram à BBC sobre o sofrimento que é não saber o paradeiro dos seus filhos – e acusam a China de estar a tentar separar as famílias para evitar a proliferação da fé islâmica

A reportagem é da BBC e não é de consumo fácil. “Não faço ideia de quem, se alguém, está a tomar conta deles. Não temos qualquer contacto”, diz uma das mães cujas três filhas menores lhe foram retiradas pelo Estado chinês, em mais um esforço para dissolver ou mesmo diminuir a presença do Islão na sociedade. Em paralelo, continua a perseguição aos muçulmanos da minoria Uighur na região de Xinjiang, onde pelo menos um milhão de pessoas estão internadas em instituições que usam todo o tipo de métodos para lhes “retirar” os ensinamentos religiosos.

Segundo a reportagem da BBC, a China está a separar estas crianças das suas famílias para as enviar para colégios internos onde os estudantes não praticam nem a sua religião nem a língua materna. Tal como em outras investigações jornalísticas, a da BBC baseia-se em documentos que estão disponíveis publicamente, emitidos pelas autoridades, aos quais a televisão pública britânica juntou entrevistas com dezenas de famílias no exílio: 60, para sermos mais precisos. Pais e outros membros das mesmas famílias, contaram com detalhe o desaparecimento de mais de 100 crianças, todas elas da etnia Uighur. “Disseram-nos que as levaram para um orfanato”, conta outra das mães, que não sabe dos seus quatro filhos.

Na região de Xinjiang os jornalistas são seguidos 24 horas por dia. Há reportagens do “New York Times” para o provar, há esta da BBC, e há um artigo do “The Guardian” que fala das restrições que as equipas da ONU enfrentam para tentar entrar nesses tais campos de detenção, cuja existência a China começou por negar mas agora já apelida de “campo de reorientação vocacional”. A BBC recorreu então a outros métodos de investigação, como o de procurar famílias que tenham fugido da China – e encontrou filas de famílias dispostas a contar as suas histórias, principalmente na Turquia. A diáspora também é bastante grande no Canadá e também estas pessoas já falaram sobre a perseguição, a tortura, a anulação forçada das suas crenças.

A explicação da China é que estes campos são necessários para que os muçulmanos radicais não plantem as suas ideias no resto da sociedade, e garante que as pessoas presas estão apenas a passar por processos de desradicalização. O “Global Times”, um jornal em inglês detido pelo Partido Comunista chinês, diz que estas acusações do Ocidente não passam de “notícias falsas” que anulam o esforço que a China está a fazer para explicar o que realmente se passa em Xinjiang, uma província com mais de 12 milhões de muçulmanos.

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